Friday, August 21, 2009

Um bar não é um lugar público 3

"sol, é porque a necessidade de respeitar o estado de direito persiste. existem mecanismos dentro da democracia que permitem que se altere a lei e este deveria ser o caminho seguido por um dono de bar que não concordasse com as restrições que a ele são impostas." Beleza, mas imagine que o estado de direito determine que a partir de hoje é proibido beber. Esta lei, por ter sido emanada pelo estado de direito, é justa? O estado de direito de algumas teocracias "democráticas" ainda prevê o apedrejamento de gays e adúlteras. Isto é justo? "o indivíduo não pode decidir quais leis se aplicam sobre ele ou sobre seu estabelecimento. ele pode, sim, e de maneiras variadas, atuar na sociedade para modificá-las." É o que tento, dentro das minhas imensas limitações, fazer. Mas há casos em que a desobediência civil se justifica. Qual o limite? A vida, liberdade e propriedade alheias. Ou a gente deve obedecer o que quer que saia da pena dos legisladores? Thoreau tem ótimos textos a respeito. "a análise subjetiva da lei justifica qualquer comportamento pelo simples argumento de que 'é meu direito'. e isso pode ser utilizado tanto pra defender liberdades individuais quanto pra justificar desvio de dinheiro público." Se eu roubo os cofres públicos, estou roubando propriedade alheia. Quem o dono de um bar que permite o fumo está roubando? Aliás, agradeço aos que enriquecem o debate e o contraditório nos comentários. Honrado com a presença de todos vocês.

23 comments:

Anonymous said...

Era só o que faltava! Proibir apedrejamento de adúlteras e gays?
Fim dos tempos.

Não tem um país democrático, mas democrático pra valer, não essas pocilgas tipo Iraque, que permita o apedrejamento.

Aí entramos numa categoria tão ou mais perigosa do que restrições do Estado: as restrições da Igreja. Os dogmas. Os pode ou não pode porque deus falou.

Ora, quero que um deus que permite e incentive apedrejamento se fo..!
Mas é a cultura dos caras.

Aí a chamada banda civilizada do mundo tem que ficar assistindo de camarote, tipo não é comigo? Essa é uma boa questão.

Que igual a todas tem dois lados.

O primeiro,permitir intervenção de outros Estados nesses casos.

O segundo, permitir um monte de barbaridade intervencionista em nome da salvaguarda ao direito e a
liberdade alheios.

No fundo, o que a gente conclui é que ser humano é muito fuleiro, muito rastaquera, muito canalha.

E esta questão, again, tem dois lados. Mas cansei. abraços, fred

Anonymous said...

Senão vejamos. O estádio do Vasco é um lugar público? O Canecão é um lugar público? Uma escola pública é um lugar público? Um ônibus é um lugar público? Taxi é lugar público? Assembléia Legislativa é lugar público? Supermercado é lugar público? Livraria é lugar público? Lugar público é todo lugar, público ou privado, no qual as pessoas podem entrar?

Anonymous said...

Ropubar um cofre público é como depredar um orelhão: você está dilapinando, infringindo danos a algo público, de utilidade pública, um bem comum. Tenho para mim.

sol-moras-segabinaze said...

O ser humano pode ser muito fuleiro, mas também é capaz de atos de grandeza. O modo como é exercida a força é essencial pra potencializar um lado ou o outro.

Anonymous said...

"a análise subjetiva da lei justifica qualquer comportamento pelo simples argumento de que 'é meu direito'. e isso pode ser utilizado tanto pra defender liberdades individuais quanto pra justificar desvio de dinheiro público." Pois não lembro, pode ser até a leseira desta sexta chuvosa, mas não conheço um único caso em que a liberdade individual tenha sido evocada para justificar desvio de dinheiro público. Thiago

Anonymous said...

Sim, o homem é capaz de atos de grande sempre que não está praticando nenhum ato fuleiro. Ser humano no sentido de humanidade prevaricaria com a cunhada, roubaria a tia cega e não devolveria a carteira roubada sempre que tivesse a certeza da impunidade.

Anonymous said...

Concordo com o Thiago, mas também concordo com o Sol quanto aos atos de grandeza. Fred.

sol-moras-segabinaze said...

Não sei se "sempre", mas a impunidade certamente é um grande incentivo.

Anonymous said...

Pronto, agora é proibido prevaricar com a cunhada!

sol-moras-segabinaze said...

hehe

Anonymous said...

Impunidade como estamos assistindo há cerca de 8 anos sob os auspícios dos cumpanhero. Aliás, sacanear petista pelo baixo nível de escolaridade é uma grande injustiça, quando sabemos o quanto membros de importantes academias brasileiras honradíssimas, são suspeitíssimos de velhacarias mil.

Anonymous said...

Roubar a tia cega, não devolver a carteira achada, tudo bem; mas proibir prevaricação com a cunhada é realmente uma legislação inaceitável, desses tais a que o Sol incita todos a nos insurgirmos contra!

Anonymous said...

A verdade é que a gente jamais vê um analfabeto roubando milhões dos cofres públicos. Fred.

Anonymous said...

Tudo sujeito que pinta cabelo é culpado até prova em contrário.

sol-moras-segabinaze said...

Culpado de pintar o cabelo? Sem dúvida.

Anonymous said...

Toda vez que vejo aquela senhora senadora do sul, com todo aquele sotaque, se desmandibulando a respeito da honorabilidade dos pobrinhos e desprovidos de assistência, lembro que, como disse um sábio, todos nós nascemos analfabetos e, portanto, ignorantes, porém crescemos, estudamos e viramos simpatizantes do Chávez. Deus do Céu, qual a diferença disso para o analfabetismo?

Anonymous said...

Cabelo e bigode, claro. Principalmente bigode.

Anonymous said...

Devo declarar que estou sentindo falta das postagens sempre pertinentes do Paulsen, Loftarasa
e do Rapha. Abigail também anda desaparecida do mister posterístico.

Anonymous said...

Bigode não pode? O que vocês tem contra senadoras da situação?

Anonymous said...

Vamos ver se o mercador pega o touro a unha ou vai com a vaca para o brejo. Apostas na mesa.

Anonymous said...

Oh, yeah! Pegou a vaca e foi pro brejo. Pegar touro à unha não é mole não, violão. Berenice.

Sebastian Volta said...

"Se eu roubo os cofres públicos, estou roubando propriedade alheia."

Sto. Agostinha perguntou em seu clássico "Cidade de Deus" (o livro, não o filme) -- Qual a diferença de um Soberano e um bando de ladrões? Creio que é apenas o fato que o Soberano legitima-se a roubar os outros, afinal, o que é o crime de roubo? Roubo é o ato de subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência. O que é tributar? Creio que é a mesma coisa, só que legalizada... Assim... quem rouba os cofres públicos está apenas reavendo coisa roubada...

sol-moras-segabinaze said...

"O que é tributar? Creio que é a mesma coisa, só que legalizada... Assim... quem rouba os cofres públicos está apenas reavendo coisa roubada..."

Eu simpatizo com isso, Sebastian.