Wednesday, August 12, 2009

Panfleto Libertário 1

"As idéias intervencionistas, as idéias socialistas, as idéias inflacionistas de nossos dias foram engendradas e formalizadas por escritores e professores. E são ensinadas nas universidades. Poder-se-ia então observar: "A situação atual é muito pior.'' Eu respondo: "Não, não é pior." É melhor, na minha opinião, porque idéias podem ser derrotadas por outras idéias. Ninguém duvidava, na época dos imperadores romanos, de que a determinação de preços máximos era uma boa política, e de que assistia ao governo o direito de adotá-la. Ninguém discutia isso. Mas agora, quando temos escolas, professores e livros prescrevendo tais e tais caminhos, sabemos muito bem que se trata de um problema a discutir. Todas essas idéias nefastas que hoje nos afligem, que tornaram nossas políticas tão nocivas, foram elaboradas por técnicos do meio acadêmico. Um famoso autor espanhol falou a respeito da "revolta das massas". Devemos ser muito cuidadosos no uso desse termo, porque essa revolta não foi feita pelas massas: foi feita pelos intelectuais, que, não sendo homens do povo, elaboraram doutrinas. Segundo a doutrina marxista, só os proletários têm boas idéias, e a mente proletária, sozinha, engendrou o socialismo. Todos esses autores socialistas, sem exceção, eram "burgueses", no sentido em que eles próprios, socialistas, usam o termo. Karl Marx não teve origem proletária. Era filho de um advogado. Não precisou trabalhar para chegar à universidade. Fez seus estudos superiores do mesmo modo como o fazem hoje os filhos das famílias abastadas. Mais tarde, e pelo resto de sua vida, foi sustentado pelo amigo Friedrich Engels, que - sendo um industrial -, era do pior tipo "burguês", segundo as idéias socialistas. Na linguagem do marxismo, era um explorador. Tudo o que ocorre na sociedade de nossos dias é fruto de idéias, sejam elas boas, sejam elas más. Faz-se necessário combater as más idéias. Devemos lutar contra tudo o que não é bom na vida pública. Devemos substituir as idéias errôneas por outras melhores, devemos refutar as doutrinas que promovem a violência. É nosso dever lutar contra o confisco da propriedade, o controle de preços, a inflação e contra tantos outros males que nos assolam. Idéias, e somente idéias, podem iluminar a escuridão. As boas idéias devem ser levadas às pessoas de tal modo que elas se convençam de que essas idéias são as corretas, e saibam quais são as errôneas. No glorioso período do século XIX, as notáveis realizações do capitalismo foram fruto das idéias dos economistas clássicos, de Adam Smith e David Ricardo, de Bastiat e outros. Precisamos, apenas, substituir más idéias por idéias melhores. A geração vindoura conseguirá fazer isso. Não apenas espero que assim seja: tenho mesmo muita confiança neste futuro. Nossa civilização não está condenada, malgrado o que dizem Spengler e Toynbee. Nossa civilização sobreviverá, e deve sobreviver. E sobreviverá respaldada em idéias melhores que aquelas que hoje governam a maior parte do mundo, idéias que serão engendradas pela nova geração." - Ludwig Von Mises.

10 comments:

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Concordo que pelo desenvolvimento produtivo e tecnológico, e pela grande redução da escravidão, servidão e pirataria, foi um século grandioso no bom sentido.

Mas para não deixar sem discussão: o que dizer do imperialismo britânico e a confusão instaurada na África?

Anonymous said...

Os intelectuais criam as idéias, os pobres morrem por elas. O engraçado é que os intelectuais criam as idéias para os pobres...

Anonymous said...

Epicuro tinha razão. Mas ele era epicurista, não vale!

Anonymous said...

A África é, até hoje, um monte de tribos brigando com um monte de tribos por causa de um monte de tribos. Eventualmente Portugal, Inglaterra, Bélgica, vão até lá, tomam tudo, matam quase todos e vão embora. Isso pelo menos dá livro de Joseph Conrad e filme do Copola. Já é alguma coisa. É sempre bom ler John Monteiro.

Anonymous said...

Até agora pensava que John Monteiro era especialista em índios, tenho um livro dele chamado "Negros da Terra", mas referindo-se aos brancos. De qualquer forma, o anônimo que citou John Monteiro tem toda razão quanto ao sistema ancestral tribal africano, é isso mesmo. Fred

Anonymous said...

Não entendi em que lugar encaixar Epicuro, e nem vale a pena tentar entender, mas o fato é que tudo se resume a uma charge antiquíssima do Henfil - e no Pasquim - em que um sujeito dizia que não foi numa passeata contra o governo, mas ia escrever um poema es-culham-ban-do!
Fiquei com essa imagem de intelectual engajado, que os intelectuais só fazem sedimentar.

Anonymous said...

O ex ministro da Cultura fazendo propaganda de supermercado. Tem uma finíssima ironia osvaldiana nessa história...

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Posso entender que a África seja problemática sem a ajuda de ninguém. Mas as nações européias irem lá tirar seu bocadinho não me parece muito grandioso, especialmente quando isso aumenta a violência e o poder de grupos aliados aos europeus.

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Posso entender que a África seja problemática sem a ajuda de ninguém. Mas as nações européias irem lá tirar seu bocadinho não me parece muito grandioso, especialmente quando isso aumenta a violência e o poder de grupos aliados aos europeus.

sol-moras-segabinaze said...

O Brasil foi colonizado e os EUA também foram colonizados. Ainda bem, aliás. Os europeus podem ter explorado os recursos naturais da África, mas também trouxeram um pouco de civilização praqueles lados. Saíram de lá e o tribalismo despótico voltou a dominar a cena. Recursos naturais não servem de muita coisa se não houver tecnologia e instituições fortes.