Thursday, August 20, 2009

O Concurso Público

Deve ser um assunto que mobiliza tanto os brasileiros quanto o futebol. Passar num desses concursos é quase como resolver a sua vida financeira e se livrar do vai e vem dos lucros e prejuízos das empresas que podem ir à falência, que precisam equilibrar custos e receitas pra permanecerem no mercado. Quem fica confortável na incerteza? Então se afunde nos meandros da burocracia legislativa, administrativa e judiciária por algum tempo, seja forte e determinado porque a recompensa é um emprego pra vida toda onde as cobranças obedecem a uma lógica diferente da do mercado, aquele lugar selvagem. Se é compreensível que os pais desejem que os filhos sigam por esse caminho, também é compreensível que alguns espíritos mais livres (alguém diria "vagabundos") não se emocionem tanto com a possibilidade. De qualquer maneira, não é desejável pra saúde econômica de um país que o emprego mais cobiçado seja o de funcionário público. Dá até pra entender que seja assim, com os incentivos dados pelos privilégios a essa espécie de nobreza contemporânea, mas chega uma hora em que a iniciativa privada que paga a conta é sufocada de tal forma pelos impostos e regulações que a conta deixa de fechar. Então dá-lhe desequilíbrios fiscais que aumentam a dívida e os juros, que diminuem a competitividade e a produção, numa espiral descendente que, cedo ou tarde, cobra o preço. Não dá pra ter um país de funcionários públicos, a não ser que Cuba e a União Soviética sejam modelos aceitáveis pra você.

6 comments:

rodrigo.feijao said...

... ou a china medieval. funcionários públicos = mandarins. basta estudar confúncio e passar na prova pra ganhar o direito de foder todo mundo.

bibliografia said...

sol, faço um curso de idiomas aos sábados, no centro do rio. quem pára em qualquer lanchonete ali da região e escuta a conversa dos outros pode facilmente elencar as palavras mais pronunciadas no recinto, tais como "apostila", "gabarito", "simulado" e adjacências, devido a concentração de cursos preparatórios nas cercanias (uma verdadeira mina de ouro).
eu olho ao meu redor e só vejo verdadeiros paus-de-sebo. é impossível ser feliz na vida sem passar em um maldito concurso desses?, pergunta esse espírito livre.

sol-moras-segabinaze said...

Paus-de-sebo? hehe

Não sei se é impossível ser feliz sem passar num concurso desses, Marco, mas a concorrência é grande e os meus pais adorariam se eu conseguisse (se eu realmente tentasse).

E eu nem os culpo por isso, viu.

Anonymous said...

Meu primo passou num desses, nem vou dizer qual, porque a cidade é tão pequena que todo mundo sabe quem é. Besides, este prestigioso orgão de informação é lido na cidade, mas pois. Ele chega 8 horas no trabalho, fica até meio dia na internet. Almoça. Depois a tarde toda na internet. Praticamente todo dia. O salário não é lá essas coisas, mas é uma fortuna pra não fazer nada. Volta e meia eles tem coisa pra fazer, daí todo mundo fica de mau-humor, trabalham um pouquinho e, quinze minutos depois, dolce far niente.

João said...

Rapaz, como me identifico... Até já fiz uns três concursos, paara desencargo de consciência - de pressão, na verdade. Não estudei para nenhum e deixei de fazer um em que estava inscrito após arrumar uma assessoria mal paga. Fico feliz por nunca ter passado, mas não digo "dessa não beberei, porque the shapes of things to come" nos empurram para essa panacéia. De qualquer forma, espero morrer sem nunca ter sido funcionário público concursado.

sol-moras-segabinaze said...

Somos 2.