Monday, August 31, 2009

"O livre-mercado leva ao monopólio"

Essa é uma crença tão profundamente arraigada que se você se arriscar a questioná-la, é capaz de chamarem imediatamente os homens de branco. Neste fim de semana mesmo, me reuni com umas pessoas legais pra uma filmagem. Depois dou mais detalhes. O fato é que lá pelas tantas alguém veio falar do "monopólio" da TV Globo. Como não posso interferir toda vez que alguém fala algo que eu não concorde - sob pena de, realmente, precisar da assistência dos homens de branco - resolvi escrever a respeito ao invés de esclarecer o assunto ali mesmo e ser excluído de vez do rol das pessoas bondosas e conscientes (talvez isso já seja tarde demais rárá). A TV Globo, atenção!, não tem o monopólio de nada. Acontece assim: a tv aberta funciona sob o sistema de concessão, ou seja, funciona sob critérios políticos. Quem estiver bem conectado, recebe do governo licença pra operar freqüências de rádio e televisão. Pense em quantos políticos donos de meios de comunicação têm por aí. Pois é, se os canais abertos são propriedades de A ou B, reclame do governo, não do mercado. Isso esclarecido, resta perguntar o que é um monopólio. Um monopólio conhecido dos brasileiros é o da ECT. Está na lei, somente os Correios podem distribuir certos tipos de correspondência. Então os Correios são um monopólio. Mesmo sob o execrável sistema de concessão, ninguém é obrigado a assistir só à TV Globo e nem preciso enumerar os seus concorrentes que todos conhecem. A briga pela audiência do povão que não tem tv por assinatura é feroz, mas a Globo permanece na liderança, goste-se ou não da sua programação. Continua.

6 comments:

Sebastian Volta said...

O livre-mercado leva ao monopólio...

O governo leva ao monopólio...

A natureza leva ao monopólio...

Basta estudar Darwin -- há sempre um "apex predator".

Mas, pelo menos, o livre-mercado leva a monopólios naturais, baseados na eficiência, enquanto o governo leva a monopólios artificias, baseados no "puxa-saquismo".

Além disso, com a livre circulação de idéias, a possibilidade de uma inovação tecnológica surgir e quebrar um monopólio é muito maior no livre-mercado do que sob tutela do governo. Monopólios tendem a se acomoar, perdendo, a longo prazo, a supremacia no estado de natureza. Com a proteção do governo, essa acomodação não ameaça o monopólio.

O problema são os mercados de oferta inelástica.... A TV aberta é um exemplo... como resolver? Cabem sete canais... como que se vai distribuir? Metrô... como vai fazer livre-mercado de metrô? Essas questões que são complexas, ainda não atrevo a me meter... prefiro ouvir as opiniões...

sol-moras-segabinaze said...

A TV aberta só comporta 7 canais?

Muito estranho.

Sebastian Volta said...

TV aberta é VHF e Low UHF, não? Então... 2, 4, 6, 7, 9, 11, 13...
Depois disso, vem UHF... na verdade, pode ter UHF aberta, como é a MTV, mas a recepção é uma bosta...
De qq maneira, considerando todo espectro electromagnético onde cabem "TV"'s, o número é fixo e limitado. Assim como terra... Não dá para aumentar.
Todo mercado que tem oferta inelástica é problemático... É um fenômeno totalmente diferente de pãozinho de padaria. Não dá para colocar tudo no mesmo saco. É óbvio que o livre mercado não vai levar ao monopólio do pãozinho de padaria... no máximo, um monopólio local. Mas cada produto é um produto...

sol-moras-segabinaze said...

Que se abra o UHF então. Será que não se criaria uma forma, uma tecnologia, pra que esse sinal fosse decente?

Essa coisa de só poderem ter 7 canais abertos parece uma maluquice.

Sebastian Volta said...

É que as antenas trasmitem em um certa freqüência (herz) e cada canal tem que estar a uma certa distância do outro para não embaralhar o sinal. O UHF não é necessariamente fechado. Se você utlizar o mecanismo de busca de canais de sua TV, encontrará vários -- incluindo a MTV. A opção de cobrar é feita pelas emissorar que utilizam embaralhadores de sinal, abrindo-os apenas para os assinantes.

sol-moras-segabinaze said...

I see.