Tuesday, February 14, 2012
+ pós-modernismo
O pós-modernismo não é bem uma doutrina clara e objetiva, é mais um *sentimento* que toma partido (e pede sempre a intervenção do governo) entre o que entende por oprimidos e opressores, fracos e fortes, dominados e dominadores. Se o marxismo identificava a história como um desenvolvimento da "luta de classes", o projeto pós-moderno dá um passo além e enxerga conflito não só entre classes sociais, mas entre religiões, raças, sexos, países, gases carbônicos e tudo o mais que puder render um antagonismo. Quer dizer, nem tudo, nunca se viu um pós-moderno denunciando, por exemplo, o conflito entre pagadores e consumidores de impostos, a indignação é - como não poderia deixar de ser - seletiva. Algumas descrições do livro do Stephen Hicks: "On the one hand, all truth is relative; on the other hand, postmodernism tells it like it really is." É aquela vibe que domina o debate político brasileiro: não existe certo ou errado - "não seja maniqueísta!" - mas o capitalismo é certamente errado, sem dúvida alguma. "On the one hand, all cultures are equally deserving of respect; on the other, Western culture is uniquely destructive and bad." Uma cultura que não aceita a ablação do clitóris de uma criança é certamente superior a uma que a promove - ou não é? "Values are subjective—but sexism and racism are really evil." Pois é, como sustentar denúncias contra o racismo e o sexismo se os valores morais são subjetivos? "Technology is bad and destructive—and it is unfair that some people have more technology than others." Certo igualitarismo preferiria que ninguém tivesse acesso a uma determinada tecnologia a ver alguns desfrutando dela e *oprimindo* os outros. A TV, por exemplo, não surgiu magicamente e simultaneamente nos lares do mundo, ela foi consumida antes por uns poucos e só depois se popularizou. "Tolerance is good and dominance is bad—but when postmodernists come to power, political correctness follows." Como eu disse, o pós-modernismo (ou o marxismo cultural ou o "politicamente correto") não é uma filosofia ou uma ciência, é um projeto de poder e os seus conceitos confusos e contraditórios servem a esse propósito. "Postmodernists say that the West is deeply racist, but they know very well that the West ended slavery for the first time ever, and that it is only in places where Western ideas have made inroads that racist ideas are on the defensive." A esquerda pós-moderna vê conflitos potenciais em qualquer relação, por isso é contra o livre mercado e deseja impor um igualitarismo de cima pra baixo. Só que pra se impor algo, quem impõe deve ter mais poder do que quem recebe a imposição, acabando então com o sonho igualitário. "They say that the West is deeply sexist, but they know very well that Western women were the first to get the vote, contractual rights, and the opportunities that most women in the world are still without." Não gostam do Ocidente (ou dizem não gostar), mas ignoram (ou fingem ignorar) que todos os movimentos de contracultura, inclusive o feminismo, tiveram origem nessa cultura ocidental. Os países islâmicos ainda nem separaram o estado da religião, mas não se ouve os brados retumbantes pós-modernos contra os muçulmanos que até hoje apedrejam mulheres por adultério."They say that Western capitalist countries are cruel to their poorer members, subjugating them and getting rich off them, but they know very well that the poor in the West are far richer than the poor anywhere else, both in terms of material assets and the opportunities to improve their condition." Uma lésbica, pobre e negra americana é rica em comparação a um líder tribal africano e isso tem uma explicação distante da narrativa pós-moderna do capitalismo-ocidental-opressor-e-malvadão.
Monday, February 13, 2012
Jean-Jacques Rousseau
"Being richer, more honored and powerful are privileges enjoyed by some at the expense of others." Rousseau era um pré-marxista que também imaginava a riqueza como um jogo de soma zero - se alguém tem, é porque outro não tem. Se alguém tem, é porque roubou - "explorou". "The sciences, letters, and arts, far from freeing and elevating mankind, spread garlands of flowers over the iron chains with which men are burdened, stifle in them the sense of that original liberty for which they seem to have been born." O "bom selvagem" corrompido pela civilização é a versão rousseauniana da maçã cristã do pecado. Tudo ia bem quando nada se sabia, foi o conhecimento que corrompeu os "bons selvagens". "One may very well argue with me about this, but I sense it, and this sentiment that speaks to me is stronger than the reason combating it." Não se faz ciência ou filosofia colocando-se os sentimentos como as premissas auto-evidentes do julgamento. O homem *sentia* que a Terra era o centro do universo, o homem *sentia* que a Terra era plana. "I believe therefore that the world is governed by a powerful and wise will. I see it or, rather, I sense it." O irracionalismo militante pode ser ateu ou não, mas certamente é carregado de misticismo. "The more I think about it, the more I am confused." Se está tão confuso, não seria melhor colocar a viola no saco e organizar os pensamentos antes de sair por aí distribuindo juízos de valor? "While the state can compel no one to believe, it can banish not for impiety, but as an antisocial being, incapable of truly loving the laws and justice, and of sacrificing, if needed, his life to his duty." Se as leis são realmente justas, não há "sacrifício" em obedecê-las. Se são injustas, desobedecê-las se torna um dever. "The requirements of the 'general will' absolutely override all other considerations, so a citizen should render to the state all the services he can as soon as the sovereign demands them." A "vontade geral" anunciando a ditadura da maioria - o indivíduo é nada, o coletivo é tudo. "The private will act constantly against the 'general will', so to counteract these socially destructive individualistic tendencies, the state is justified in using compulsion." Quando você avistar um bom samaritano com o dinheiro alheio gritando cheio de indignação seletiva contra o individualismo, saiba estar diante de um herdeiro de Rousseau. "Whoever refuses to obey the general will will be forced to do so by the entire body; this means merely that he will be forced to be free." Se há coerção, não há liberdade. A natureza não exerce coerção, humanos exercem coerção sobre outros humanos. "The state ought to have a universal compulsory force to move and arrange each part in the manner best suited to the whole." Ou seja, indivíduos são apenas meios pra satisfação dos fins coletivos. Agora, como definir o que quer o coletivo? Votação? 50% + 1? "And if the leaders of the state say to the citizen - 'it is expedient for the state that you should die' - he should die." É, o "contrato social" tem dessas coisas, se a galera no poder decidir, por exemplo, que você tem que se sacrificar numa guerra pelas glórias da pátria, da revolução ou do que quer que seja, não há o que fazer, your ass - Rousseau preaches - belongs to the "general will".
Thursday, February 09, 2012
Modernidade > Pós-modernidade
Ouvia muito falar que a pós-modernidade isso ou aquilo e não entendia bem o que queriam dizer, sentia que era algo que soava meio rebelde, artístico e intelectual - que legal, também quero ser meio rebelde, artístico e intelectual, do que se trata afinal? "Pós-modernidade pode significar uma resposta pessoal para uma sociedade pós-moderna, as condições na sociedade que fazem-na pós-moderna ou o estado de ser que é associado a uma sociedade pós-moderna." Explicação bem pós-moderna - e a modernidade? "A modernidade é definida como um período ou condição largamente identificada como Era Progressiva, a Revolução Industrial, ou o Iluminismo." GRANDE Iluminismo, o indivíduo como um fim em si mesmo e a razão como meio válido pra apreensão da situação, idéias que acabaram com a escravidão e resultaram na separação do estado da religião. A ciência decolou, o que faz sentido: se se quiser ter ciência, ou seja, tomar conhecimento, há que se usar o raciocínio lógico apoiado nas evidências pra se compreender e descrever a realidade. Não se constrói ignorando-se as leis naturais e não se investiga o mundo apoiando-se em superstições, a realidade existe - eu estou escrevendo e você está lendo. Claro que a pilha pós-moderna não pretende substituir a ciência, a lógica, a razão e o individualismo - essas coisas não são realmente substituíveis - mas faz o possível pra desacreditá-las. O ponto do livro "Explaining Postmodernism: Skepticism and Socialism from Rousseau to Foucault: A Discussion" de Stephen Hicks é que os pós-modernos não usam a razão pra relativizar a razão por motivos meramente estéticos ou especulativos, existe um projeto de poder, uma certa unidade de ação que tenta salvar a luta anticapitalista do fracasso do socialismo real. Mais detalhes nos próximos textos. (http://www.stephenhicks.org/publications/explaining-postmodernism/)
Tuesday, February 07, 2012
Dois pesos e duas medidas
Um dos símbolos da justiça é uma mulher de olhos vendados que não quer saber quem praticou o ato porque - pelo menos na teoria - todos são iguais perante a lei. Acontece que, nos julgamentos cotidianos diários do dia-a-dia, dificilmente se vê a pessoa usando esse princípio isonômico e o mais comum mesmo é o juízo obedecer o seguinte critério: isso vai me beneficiar ou prejudicar? Um exemplo: na hora de comprar, as pessoas gostam da competição - quem não quer ter mais opções a preços baixos? Agora, na hora de vender, a competição já não é tão atraente assim - quem quer ser pressionado pela concorrência a trabalhar mais por menos? Esse conflito acaba gerando uma pressão pela liberalização do que se compra e cartelização do que se vende, na forma de regulações, exigências de diplomas e outros protecionismos pra restringir a competição. A tendência vai ser então a formação de grupos de interesse pra reivindicar privilégios de quem tem o privilégio de outorgar privilégios. Essa "guerra de todos contra todos" é ótima pro governo - quanto mais normas, taxas, exceções, burocratizações e dependência, mais poder ele vai ter, mais "legitimidade" ele vai adquirir aos olhos desses grupos que se imaginam particularmente beneficiados. Essa impressão - consciente ou inconsciente - é crucial pra que as pessoas não se toquem da hipocrisia fundamental do sistema: o governo que tem o monopólio da justiça supostamente isonômica é ele mesmo o principal violador da isonomia, o maior propagador do dois pesos e duas medidas. As pessoas não podem roubar, o governo pode e chama isso de "taxação". Os agentes estatais têm foro especial e são julgados por outros agentes estatais. Quem trabalha pro governo tem estabilidade no emprego, quem paga essa conta, não. Ou seja, uns são - por lei - mais "iguais" que outros. Se quem tem o dever de aplicar a justiça é ele mesmo incapaz de ser justo, não devia ser surpresa o predomínio entre as pessoas dessa moral de conveniência.
Tuesday, January 31, 2012
Political views: PT
Eu nem queria escrever sobre esse assunto lotado de emocionalismo, mas esse texto do Paulo Halm que circulou pelo Facebook foi demais pra se ignorar. "Se cubano fosse, Pedro Rios Leão estaria hoje na capa de O Globo e seria chamado de mártir da liberdade pelos Mervais e Leitões da vida." Se estivesse em Cuba e protestasse contra o governo, o Pedro Rios Leão não teria se prendido voluntariamente na rua, estaria preso involuntariamente na prisão. "Seria matéria de destaque no Jornal Nacional, provocando lágrimas de solidariedade da Patrícia Poeta." Por que petistas como o Paulo Halm têm tanta raiva da Globo? De onde eu vejo, a Globo tragicamente apóia boa parte das políticas do governo do PT - inclusive o dinheiro público que cineastas como o Paulo Halm recebem a fundo perdido - mas petistas como ele não vão sossegar enquanto não conseguirem a unanimidade sob a mira de uma arma que os Castro ainda hoje usufruem em Cuba. "No Jornal da Globo, Wiilian Waack e Arnaldo Jabor, uníssonos, o chamariam de herói e até mesmo Pedro Bial arrumaria um espaço no BBB pra fazer um poeminha em homenagem ao guerreiro." O que uma população inteira proibida de sair de seu país pelo governo tem a ver com o protesto de um indivíduo que se prende voluntariamente em frente a uma emissora de televisão? "Mas desafortunadamente o garoto não é cubano." Não, sorte dele. "Pedro Rios Leão é brasileiro e está fazendo greve de fome em frente a TV Globo em protesto contra a cobertura do massacre da população pobre de Pinheirinho pela polícia militar de São Paulo." Um inocente útil numa disputa com 1 - os adversários dos petistas em São Paulo e 2 - a liberdade de expressão que os petistas tentam há anos revogar mirando na maior emissora do país. O "massacre" de Pinheirinho, que eu saiba, não matou ninguém. 100 mil pessoas já morreram nas mãos da ditadura cubana, mas que ninguém espere lágrimas do Halm ou da Dilma por esses mortos, eles não têm o pedigree "certo". "Seu protesto é e será solenemente ignorado." Não está sendo não, é só o que eu vejo aqui na minha timeline, os petistas usam muito as redes sociais imperialistas. "Como diria aquela velha canção, "a dor da gente não sai no jornal", muito menos na TV." O sentimentalismo desse pessoal é seletivo e depende de quem está disputando o poder. Se for um adversário, pau nele. Se for um aliado, toda a solidariedade.
Wednesday, January 04, 2012
Ron Paul e o texto da Época
"Vale a pena fazer uma pausa nos assuntos brasileiros e prestar atenção em Ron Paul, o queridinho dos fanáticos do mercado nas primárias americanas." Chamar alguém que não concorda com você de "fanático" é uma boa maneira de começar um texto difamatório, Paulo Moreira Leite, parabéns. "Considerando a facilidade dos brasileiros para importar idéias ruins, em breve teremos seus descendentes em circulação por aqui." Sem dúvida, desde o positivismo de Comte até o marxismo "científico", o brasileiro - quando sai do seu universo mais imediato e chega a se interessar por abstrações filosóficas - tem grande facilidade pra importar idéias ruins. "Se você ainda não entendeu que as idéias anti-Estado em circulação, em nossa época histórica, representam um movimento que leva à anti-democracia, só precisa acompanhar os movimentos de Ron Paul." Se "democracia" significar a ditadura de uma maioria sobre uma minoria, é bom mesmo ela ser questionada. Palavras totens como "democracia" - quando soltas sem uma conceituação clara - dão margem a todo tipo de demagogia e mistificação, repararam como os donos atuais do poder no Brasil a usam pra tudo? Querem controlar ainda mais alguma coisa, dizem que querem "democratizá-la". "Ele quer abolir o Banco Central americano, com o argumento de que representa uma interferência indevida do Estado na vida do cidadão comum. (Eu acho que ele só quer liberar de vez o mercado financeiro mas você pode dizer que isso é uma questão de interpretação. Risos)." Sim, ter o monopólio da impressão do dinheiro é uma interferência indevida do estado na vida do cidadão comum, como qualquer pessoa que vive a inflação e os ciclos de boom e bust pode comprovar. (Eu acho que ele só quer liberar de vez o estado pra fazer o que ele bem entender com a vida dos outros, mas você pode dizer que isso é uma questão de interpretação. Risos). "Até aí, só parece uma versão mais radicalizada da idéia de que os mercados são capazes de se auto-regulamentar e que o progresso humano é resultado da liberação dos egoísmos individuais, como dizia Adam Smith, ainda no século XVIII." Mercados são formados por pessoas perseguindo os seus próprios objetivos, se essa busca acontecer sem a iniciação de agressão sobre o outro, qual o problema? Ou o ser humano não é um fim em si mesmo e deve se submeter à vontade da maioria? O indivíduo dono de si mesmo, eis a mensagem libertária que o Paulo Moreira Leite considera algo terrível, coisa de gente desequilibrada mesmo. "A coisa já fica um pouco mais complicada quando se descobre que Ron Paul também defende a abolição da legislação dos direitos civis, de 1964, a primeira que protege o país contra os crimes de racismo." O racismo é um coletivismo tosco que faz juízo de valor sobre algo fora do controle da pessoa - ninguém escolhe a sua origem - ignorando o livre-arbítrio. Agora, a liberdade não existe apenas pra que as pessoas concordem umas com as outras, se elas respeitarem o espaço (propriedade) das demais, elas têm o direito de ser toscas (racistas). "Vamos esclarecer. Ele não questiona a legislação sobre cotas, que rende polêmica até hoje e é combatida pela maioria dos políticos republicanos." Ele é contra o racismo, por isso é contra as cotas racistas. "Seu ponto é anterior. Ele questiona a idéia de que se possa punir crimes considerados racistas e que o Estado deva tomar medidas contra discriminação." Um crime é um crime, se alguém mata ou agride um branco, um preto, um índio, um gay, um judeu ou quem quer que seja, é crime do mesmo jeito. Igualdade perante a lei, é o que o Ron Paul defende. "Até aqui, temos o seguinte: o Estado não pode ter um banco para definir os juros, proteger o emprego e a moeda, como está inscrito no estatuto do Federal Reserve." "Proteger o emprego"? Faz-me rir, só se for o dos banqueiros e o dos burocratas do Fed. "Proteger a moeda"? Continue mais um pouco com essas políticas keynesianas inflacionárias e deficitárias pra ver o que acontece com o dólar. "Fazer isso é interferir na liberdade do mercado." E não é? "A legislação dos direitos civis interfere na liberdade dos cidadãos." Sim, é uma legislação contraproducente, mais uma entre tantas que têm o efeito contrário ao pretendido. "Liberdade para quê mesmo?" Pra cada um perseguir os seus próprios objetivos cooperando com os outros sem a coerção estatal. "Descobriu-se, recentemente, que Ron Paul matinha uma longa correspondencia junto a eleitores, e que ali se alimentava o racismo contra negros e também contra judeus." Calúnia e alguns lapsos no português. "Entre seus aliados de campanha — que tem mais liberdade para dizer com clareza aquilo que o candidato não afirma de maneira explícita — há quem se queixe que o Federal Reserve seja dirigido “por judeus” ou que considere Martin Luther King uma presença lamentável na história americana." O problema do Fed não é ele ser supostamente comandado por judeus, isso é irrelevante e não diz nada sobre as suas políticas destrutivas. Sobre o Martin Luther King, nunca ouvi nada a respeito, mas e daí se alguém que apóia o Ron Paul não gosta dele? "Diante de revelações tão constrangedoras, Ron Paul tem dito que não era o autor desses textos racistas, que atribui a assessores que escreviam aquilo que não pensava." A oposição às idéias libertárias se agarra a essa história mal contada na esperança de que as pessoas nem considerem o que o Ron Paul tem na realidade a dizer. É como diz o Janer Cristaldo, luta de classes morta, luta de raças posta. "A credibilidade das explicações é baixa, já que os textos foram divulgados em seu nome, por mais de dez anos." (http://www.youtube.com/watch?v=axN53qCJChY&feature=channel_video_title) "Outro aspecto é que estes argumentos são coerentes com a visão principal dos fanáticos do mercado, para quem os direitos do indivíduo estão acima dos direitos da coletividade." Quais seriam os direitos da coletividade? Quais seriam os direitos específicos da coletividade dos negros, brancos, índios, orientais, advogados, jogadores de futebol, bocha, surfistas, sambistas, cambistas, indies, hipsters, bigodudos, vegans, cabeludos, carecas e flanelinhas? Não existem direitos coletivos, apenas os indivíduos (todos eles) têm direitos. Ou deveriam ter. "Para impedir a ação do Estado em nome da liberdade de cada um, sua proposta chega à fronteira do crime." Cuma? "Nessa visão de mundo, nenhuma lei tem o direito de impedir um ser humano de impor seus interesses e vontades sobre outro ser humano." Muito, mas muito pelo contrário. Nessa visão de mundo, ninguém tem o direito de impor seus interesses e vontades sobre um outro ser humano, o problema pro Paulo Moreira Leite é que essa regra inclui o governo. "Isso inclui, naturalmente, formas selvagens e inaceitáveis de coerção, desde que sejam feitas de forma privada e não pelos poderes públicos, considerados malignos por natureza." Não, se a relação acontecer de forma voluntária, não há coerção. Se há coerção, há crime, mas o colunista inverte as coisas e finge que o seu querido governo não se baseia justamente no monopólio da coerção. "Embora se apresente como advogado da liberdade individual, Ron Paul defende o governo do mais forte." Então o PML acha que o governo protege o mais fraco? Sério mesmo? Quer dizer então que aqueles políticos em Brasília são seres abnegados e altruístas que não pensam um segundo sequer em seus próprios interesses? E os libertários é que são ingênuos? "É o candidato do capitalismo selvagem." É o candidato que defende com mais consistência a liberdade individual, se isso desagrada os que querem mais controle governamental, paciência. (http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/01/03/ron-paul-quer-o-governo-do-mais-forte/)
Tuesday, December 20, 2011
A natureza e o princípio de não-agressão
A natureza, como se sabe, é um grande self-service onde os animais se comem numa deglutição coletiva planetária, com a morte - a maior equalizadora da vida - servindo como o destino comum de cada um, mesmo que você não tenha sido comido por um outro animal ou morrido de indigestão ao comer um outro animal. Complicado fazer parte de uma cadeia alimentar, mas substituir esse fato por uma visão romântica da natureza não vai tornar as coisas mais fáceis, é justamente essa capacidade de ter consciência que nos diferencia. Um leão faminto não fica com dilemas éticos ao avistar uma gazela, é ela ou ele. Essa batalha de vida ou morte não se dá apenas entre espécies diferentes, quando um leão conquista o harém de um outro leão, ele trata de matar todos os filhotes atuais pra que as leoas fiquem logo no cio pra que ele perpetue a sua linhagem genética. A evolução não é brincadeira, então o ser humano vem tentando encontrar, ao longo do tempo, uma maneira de conviver que não envolva o assassinato puro e simples do outro quando ele é inconveniente. "Não matarás" é um mandamento excelente, mas não é o suficiente. A regra de ouro do "não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você" também cai bem, mas não serve pros masoquistas, ou não existem pessoas que tiram prazer da dor? Então pra que o ser humano tire partido da sua razão e não viva numa permanente guerra de todos contra todos, ele(a) precisa se relacionar com o outro de maneira voluntária, sem violência, sem coerção, essa é a ética ideal pra civilização. Agora, pra que o homem possa se dar ao luxo de ter um código de conduta, é preciso que ele também se alimente, ele não deixou de ter necessidades fisiológicas ou ficou de fora do processo evolucionário por ter desenvolvido um sistema moral. Então, com o relativo aumento da prosperidade, as pessoas começaram a discutir o modo como elas se relacionam também com os animais que lhes servem de alimento, riqueza e companhia - uma discussão que provavelmente nem existia no tempo das cavernas. Ótimo, evoluímos bastante desde então e temos muito o que evoluir ainda, mas soa meio injusto dizer que o ser humano - na média - não é (eticamente?) superior aos outros animais. Me parece claro que é (me acusar de "especismo" não resolve a questão), e se restar alguma dúvida, faça o seguinte experimento mental: deixe um bebê humano no meio do Serengeti, deixe um filhote de leão no meio do Largo da Carioca e imagine como eles estarão depois de um tempo.
Thursday, December 15, 2011
50 mil homicídios por ano no Brasil
O Olavo de Carvalho ["buuuuuhhhh! direitista! buuuuuuhhhh!"] vem falando disso há anos, como é que as coisas podem estar melhorando com esse nível de violência? Matou-se mais no Brasil nos últimos 30 anos que em 53 anos do conflito Israel-Palestina, média de 137 homicídios por dia, 4 por hora. Assumindo que todos gostariam que menos pessoas fossem assassinadas [ou alguém quer mais sangue correndo?], resta descobrir como reverter esse quadro. O governo, a Globo e as ONGs governamentais apontam o culpado de sempre: as armas, que aparentemente são dotadas de vontade própria e saem disparando por aí como se não houvesse amanhã ["não seja simplista, seu reacionário!"]. Outro dia, o Fantástico deu a receita: além de não ter armas, o cidadão não deve reagir, em hipótese alguma, caso um ladrão siga o exemplo do governo e venha "distribuir" a sua renda com uma arma [cuidado, o governo odeia concorrência]. Pra deixar os "revolucionários" agora no poder ainda mais desmoralizados, o mapa da violência indica que o número de homicídios pra cada 100 mil habitantes atualmente é de 26,2, enquanto que em 1980 - no auge da ditadura militar - o número foi de 11,7. ["e o que você propõe, sabichão?"]. Legalização das drogas [aqui os conservadores como o Olavo me acusam de fazer o jogo da esquerda, mas boa parte desses assassinatos é reflexo da proibição - ou não é?]. Endurecimento das penas pros crimes com vítimas [na hipótese da polícia solucionar o crime, não dá prum camarada que matou alguém ficar uns poucos anos preso, impunidade gera mais criminalidade]. Liberalização do porte de arma [o governo quer aprofundar o seu monopólio da força, mas uma sociedade civil armada, ao contrário do que muitos imaginam, é uma sociedade mais segura - pessoas com má intenção não se dão ao trabalho de pagar taxas ou fazer psicotécnicos pra adquirir uma arma]. O problema não é a arma, o problema é o sistema de incentivos que vitimiza o culpado e culpabiliza a vítima, é a sensação generalizada de que o crime compensa, desde a máfia oficial em Brasília até os cafundós das Alagoas.
Wednesday, December 14, 2011
"Os brasileiros gostam de pagar mais caro"
Rolam diversos estudos e pesquisas apontando que o Brasil é um dos países mais caros do mundo, que o Rio é a segunda metrópole mais cara das Américas, que os carros aqui custam o dobro que no México, que os imóveis triplicaram de preço nos últimos 3 anos e por aí vai. As pessoas começam a reclamar com razão e se inicia então a busca pelos responsáveis por essa situação. Por que os carros, por exemplo, estão tão caros? Bom, siga o governo e as regras que regulam o setor e você encontrará a resposta. O que diminui os preços e aumenta a qualidade? A competição interna e externa, coisa que o governo inviabilizou com o aumento de tarifa nos carros importados. Sem competição externa - "pra proteger a indústria nacional" - as montadoras sobem os preços. Como as pessoas ainda assim continuam comprando carros, alguns chegam à conclusão de que "os brasileiros gostam de pagar mais caro" e isso seria verdade se o brasileiro fosse especialmente estúpido ou masoquista, porque ninguém "gosta" de pagar mais caro se puder escolher o mesmo produto por um menor preço. Quem tenta livrar a cara do governo nesse esquema se esquece de que é esse mesmo povo quem elege os governantes, mas beleza. Acontece que, ao mesmo tempo em que o custo Brasil e o protecionismo estatal fazem subir os preços, o governo dá um jeito de baratear o crédito alavancando os seus bancos pra "estimular" o consumo. Então o camarada que quer um carro vê de um lado o preço alto e de outro as condições de financiamento a perder de vista criadas pelo crédito governamental. Ele chia, reclama, mas faz os seus cálculos e vê que, se essas condições permanecerem inalteradas, a compra ainda vale a pena. As montadoras e os sindicatos ficam satisfeitos porque não têm mais a competição externa e têm a sua reserva de mercado garantida. O governo fica satisfeito porque agradou a sua base política e garantiu as doações pra próxima campanha, uma mão lava a outra. Os problemas desse esquema? 1 - os produtos oferecidos aos consumidores se tornam mais caros e de menor qualidade. 2 - o tal "crédito fácil" oferecido pelo governo é feito às custas dos outros, seja na forma de tributação, inflação ou emissão de dívida. 3 - por não ser lastreado em poupança genuína, esse estímulo artificial (boom) vai eventualmente estourar (bust), deixando pra trás um rastro de inadimplência entre os brasileiros que "gostam" de pagar mais caro.
Tuesday, December 13, 2011
Platão < Aristóteles
"Segundo a alegoria da caverna de Platão, o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o das coisas sensíveis e o das idéias. Para o filósofo, a realidade está no mundo das idéias - um mundo real e verdadeiro - e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo das coisas sensíveis - este mundo -, no grau da apreensão de imagens, as quais são mutáveis, não são perfeitas como as coisas no mundo das idéias e, por isso, não são objetos suficientemente bons para gerar conhecimento perfeito." Não quero sair desqualificando o homem (imagine como era o conhecimento há mais de 2 mil anos), mas esse misticismo na linha "o mundo apreendido pelos sentidos não é 'perfeito', então vamos criar um na nossa imaginação" soa como uma fuga da realidade e esse não devia ser o papel da filosofia. "Quanto ao mundo material, o homem poderia ter somente a doxa (opinião) e téchne (técnica), que permitia a sua sobrevivência, ao passo que, no mundo das ideias, o homem pode ter a épisthéme, o conhecimento verdadeiro, o conhecimento filosófico." Se o conhecimento verdadeiro não servir justamente pra sobrevivência neste mundo material, vai servir pra quê? Pra sobrevivência no mundo que não existe? Agora veja que coisa louca: "Dionísio vendeu Platão no mercado de escravos por vinte minas; alguns filósofos, porém, juntaram o dinheiro, compraram Platão e o mandaram de volta para a Grécia, aconselhando-o que os sábios devem se associar o menos possível aos tiranos." Um bom conselho, evitar se associar com quem pode te escravizar, uma mensagem atemporal. O problema é quando não há escolha e o escravizador consegue convencer o escravizado de que não há controle na relação, apenas um contrato invisível assinado por você antes mesmo de nascer. "Os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder, ou antes, que os chefes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar verdadeiramente." 3 coisas: racismo ("raça dos puros"), misticismo ("divina graça") e autoritarismo ("chegue ao poder"), a não ser que esses governantes ponham-se a filosofar verdadeiramente e cheguem à conclusão de que é errado controlar os outros. "Platão acreditava que existiam três espécies de virtudes baseadas na alma, que corresponderiam aos estamentos da pólis: A primeira virtude era a da sabedoria, deveria ser a cabeça do Estado, ou seja, o governante, pois possui caráter de ouro e utiliza a razão." Sei, se "razão" significar a conquista, manutenção e expansão do poder sobre os outros. "A segunda espécie de virtude é a coragem, deveria ser o peito do Estado, isto é, os soldados ou guardiões da pólis, pois sua alma de prata é imbuída de vontade." Ou seja, o braço armado da "vontade" que garante a conquista, manutenção e expansão do poder sobre os outros. "E, por fim, a terceira virtude, a temperança, que deveria ser o baixo-ventre do Estado, ou os trabalhadores, pois sua alma de bronze orienta-se pelo desejo das coisas sensíveis." A plebe ignara - "de bronze" - que não tem razão nem coragem, mas que trabalha pra bancar a pureza dos governantes iluminados. "Platão acreditava que a alma depois da morte reencarnava em outro corpo, mas a alma que se ocupava com a filosofia e com o Bem, esta era privilegiada com a morte do corpo. A ela era concedida o privilégio de passar o resto dos seus tempos em companhia dos deuses." Reencarnação, deuses, alma, governantes com "caráter de ouro" iluminados pela razão e esse desdém pela realidade apreensível pelos sentidos: tá difícil, hein, Platão?
Monday, December 12, 2011
A liberdade sexual
Não acredito em Deus, não acho que seja possível derivar uma moral a partir de escrituras "sagradas" e sei que a disputa pela hegemonia da fé entre as religiões (ou mesmo entre facções da mesma religião) alimenta guerras desde sempre, mas não é por isso que vou descartar de antemão tudo o que os crentes falam. Lembre-se, matar é errado segundo os 10 Mandamentos e essa é uma regra boa se você considerar a preservação da própria vida uma coisa boa. Veja, por exemplo, a "revolução sexual" dos anos 60. Depois de séculos de castração religiosa, as mulheres que viviam na defensiva em relação ao sexo - "só depois do casamento" - de repente se sentiram livres pra explorar as suas fantasias, com a disseminação da pílula anticoncepcional colocando ainda mais lenha na fogueira. Beleza, qual foi o resultado disso? Se a gente considerar que a liberdade sexual deve ser acompanhada da responsabilidade sexual, alguns problemas:
Thursday, December 08, 2011
Caco, Aristóteles e Miss Piggy
Toda hora ouço falar que Aristóteles isso e Aristóteles aquilo (depende do ambiente). Mó vergonha não ter lido um livro inteiro do cara que inventou a lógica (a lógica não se "inventa", se descobre). E tenho as melhores referências dele, tipo a influência que ele exerceu sobre diversos pensadores que defendem as liberdades individuais e a lei da identidade (A = A). Porque ter objetividade e admitir que A é A parece às vezes uma peça de resistência em certos ambientes intelectuais, onde A pode ser A e o seu contrário ao mesmo tempo (Z?) dependendo da conveniência do momento (sacadas estilo "menos é mais" e "imposto é voluntário"). Nem quero tirar o prazer das pessoas em serem poéticas subvertendo o sentido das palavras, mas não é possível ter uma discussão racional a respeito de coisas importantes com essa postura (ih, fechou o tempo). O Aristóteles da wikipédia esclarece: "Caco é verde" é uma consequência lógica de "todos os sapos são verdes" e "Caco é um sapo", porque seria auto-contraditório afirmar estas últimas sentenças e negar a primeira. A consequência lógica é a relação entre as premissas e a conclusão de um argumento válido" (ou seja, lógico). "Na filosofia aristotélica, a política é um desdobramento natural da ética." Se a gente entende a ética como o modo como as pessoas lidam umas com as outras, beleza, o Caco está sendo político no melhor sentido da palavra ao flertar de maneira persuasiva com a porquinha dos Muppets (pura sedução). "Aristóteles foi o verdadeiro fundador da zoologia e a ele se deve a primeira divisão do reino animal." Caco é livre de preconceitos e acredita na diversidade animal, como explicar a atração de um sapo por uma porca? (Aristóteles deve ter algum insight a respeito) "Ele acreditava que a mulher era um ser incompleto, um meio homem. Seria passiva, ao passo que o homem seria ativo." Como Miss Piggy não é uma mulher e sim uma porca, não se ofendeu, pelo contrário, sentiu admiração pelo polêmico machismo peripatético (porcas são imprevisíveis). Como o Caco tá topando qualquer parada, embarcou na onda e deu-se início então ao estagirismo à trois (foto meramente ilustrativa).
Thursday, September 22, 2011
As guerras dos EUA
Rolou outro dia uma entrevista do Penn Jillette em que ele dizia que o ateísmo acontece normalmente de maneira gradual, através de muita leitura e introspecção. Não foi o meu caso, nunca dei muito crédito à conversa religiosa, como assim uma virgem ficou grávida do filho de Deus? Céu, inferno, esse papo todo me soava um grande caô místico e nem cogitei a existência de um ser onipotente-onisciente que criou tudo e ainda fiscaliza as nossas ações e pensamentos. Minha posição ao longo do tempo não mudou muito em relação aos homens invisíveis das religiões, mas mudou bastante em outros aspectos. Eu era um social-democrata que votava no PT, como a maioria das pessoas da minha convivência. Não tinha dúvida de que o governo devia fazer isso, aquilo e aquilo outro e que o socialismo era uma idéia boa que precisava apenas ser implementada pelas pessoas certas através da sanção da maioria. Depois, aí sim, de muitos anos de leitura e introspecção, é que fui chegar à conclusão de que o socialismo não é uma boa idéia e que a intervenção governamental não é a solução, é o problema. Me familiarizei então com teorias que confirmavam de maneira lógica e consistente a minha intuição de que cada um deve ter a liberdade de fazer o que quiser, desde que respeite o espaço do outro. A defesa do princípio de não-agressão e do indivíduo como um fim em si mesmo deu tratos à bola teórica, isso sim faz sentido se o ideal é a liberdade individual. Agora, se eu não tenho o direito de te impor nada, por que isso seria permitido na relação entre países? "The endless Wars to bring freedom, justice, democracy, peace, prosperity, blah, blah, blah to the Middle East must continue according to the neocons." Pois é, por mais que esses objetivos soem nobres à primeira vista, tentar impô-los à força parece ter o efeito inverso ao pretendido. A tal Primavera Árabe vai acabar colocando no poder gente ainda mais fanática pelo Islã e hostil aos EUA. "According to the 2008 official Pentagon inventory of our military bases around the world, our empire consists of 865 facilities in more than 40 countries and overseas U.S. territories. We deploy over 190,000 troops in 46 countries and territories." Se um país ocupa militarmente outro, é natural a reação dos que estão sendo ocupados. Ou não é? "President Obama told us on October 27, 2007, that the day he gets into power, he will bring the troops home. Then he added, 'You can take this promise to the bank.'" Isso mostra que toda aquela mobilização contra o W. Bush era disputa de poder, cadê a esquerda americana protestando agora contra as guerras e as ocupações? Se a galera do outro partido tá no poder, a guerra é um absurdo, se a minha galera tá lá, a violência é justificável? "Pentagon documents record 109,032 deaths broken down into "Civilian" (66,081 deaths), "Host Nation" (15,196 deaths),"Enemy" (23,984 deaths), and "Friendly" (3,771 deaths)." Na sua opinião, esses números mostram que a aventura americana no Oriente Médio ajuda ou prejudica o processo de paz? "After the first Gulf War we stationed 5000 troops in Saudi Arabia to keep order, to protect the Royal Family. 15 of the 19 9/11 terrorists were Saudis." Faz sentido, não? Não seria melhor deixar os muçulmanos em paz e atuar somente em casos de legítima defesa? "5000 foreign troops in the muslim holy land was an insult to many Saudis and other muslims." Pela carta que o Bin Laden escreveu após o 11 de setembro, fica claro que se trata de uma guerra santa e que a presença ali de maneira ostensiva dos EUA só faz piorar as coisas e dar uma justificativa pra essa jihad maluca. "We're $14 trillion dollars in debt. We're spending $6.7 BILLION dollars a MONTH on our "wars" in the Middle East -- the majority of that in Afghanistan." Mais um motivo pra desocupar esses países, os EUA tão atolados em dívidas e o dólar só resiste porque a concorrência (euro) tá ainda pior. (http://blog.nj.com/njv_paul_mulshine/2011/09/reaction_to_ron_paul_shows_som.html)
Tuesday, September 13, 2011
A corrupção
"A corrupção pode ser definida como a utilização do poder ou autoridade para conseguir obter vantagens, e fazer uso do dinheiro público para o seu próprio interesse, de um integrante da família ou amigo." Então uma parte da população se mobilizou de preto contra a corrupção, numa manifestação diferente das que o Brasil se acostumou a ver com as tradicionais bandeirinhas vermelhas da CUT, UNE, MST, PT e demais movimentos socialistas anunciando a sua verdadeira intenção. A moralização do uso do dinheiro público? Não, o objetivo sempre foi a conquista, a manutenção e a expansão do poder. Eles chegaram lá, se entregaram ao que antes criticavam e, como não estão acostumados a ser questionados, ficam tentando controlar ainda mais a imprensa, mas o meu ponto aqui é outro. Sem que se faça a ligação causal entre o controle do governo sobre a sociedade e a corrupção, nada feito, um mar de lama vai ser substituído por um outro mar de lama - num lodaçal sem fim - sem que se ataque a raiz do problema. Quando dois entes privados entram num acordo usando as suas respectivas propriedades, não há corrupção, há uma troca voluntária. A corrupção é um fenômeno estatal que envolve não só o desvio do dinheiro público, mas o poder de se usar a lei pra se conceder privilégios em troca de alguma vantagem. Isso acontece porque o governo tem o poder - exercido à força - de tirar de A pra dar pra B, de dizer como as pessoas podem se associar e o que elas podem comprar ou vender, além de ter o monopólio em diversos setores. Com esse poder todo, o governo se transforma num grande balcão de negócios, alguma surpresa? A corrupção começa na própria democracia: "Vote em mim que eu vou conseguir isso pra você." Se o político puder concentrar os benefícios em quem votou nele e espalhar os custos pela sociedade, melhor ainda (pra ele e pra quem recebeu o benefício, o resto paga a conta). Essa corrupção institucionalizada nas próprias eleições se espalha então pelas relações dentro do governo, no toma-lá-dá-cá com o dinheiro dos outros. É comum na política se trocar votos no plenário por cargos na máquina estatal e ver empresários retribuindo favores a governantes, é o modus operandi da coisa pública. Só que chega uma hora em que a malversação de recursos fica evidente demais e as pessoas saem do seu estado natural de conformismo ou cinismo e exigem que se tomem providências: "corrupção como crime hediondo!" Esse tipo de proposta não tem muita chance de ser aprovada pelos políticos (adivinhe o motivo), e se fosse, seria apenas mais uma entre as milhares de outras leis feitas pra não serem cumpridas. Um ou outro bode expiatório poderia até ser sacrificado de vez em quando, mas o esquema permaneceria. Ou você acha que sobraria muita coisa dentro ou fora da administração pública caso toda pequena ilegalidade ou corrupção do cotidiano diário do dia-a-dia fosse realmente punida com a prisão? Se honestidade significasse o cumprimento de todas as regrinhas da legislação brasileira, não sobraria uma pessoa honesta neste país. E é esse mesmo o objetivo, deixar todo mundo devendo alguma coisa pra se exercer o poder através do medo. Faz sentido, considerando que o estado funciona como uma espécie de Deus laico contemporâneo. Quer diminuir a corrupção? Diminua o controle que o governo exerce sobre você.
Monday, August 22, 2011
Os ricos
Warren Buffett, o bilionário favorito do New York Times, fez um apelo pra que os ricos pagassem mais impostos e "dessem a sua parcela de sacrifício aos EUA." Se ele considera dar dinheiro ao governo uma coisa boa, podia começar dando o exemplo, mas não, quer que os outros sejam obrigados a isso. Impostos não são voluntários, se fossem, teriam outro nome. Quando os políticos e os seus amigos começam a falar em sacrifícios (dos outros), é porque o esquema tá em perigo e se inicia a busca por bodes expiatórios. Claro, há ricos e ricos. Uns enriquecem através do meio econômico, vendendo o que as pessoas querem comprar. Se eu gasto 50 reais num produto do Radiohead, é porque eu valorizo mais esse produto que os 50 reais e vice versa, ambas as partes saem ganhando. Outros enriquecem através do meio político, que tira à força de uns pra dar pra outros. Se o BNDES tira X dos pagadores de impostos pra subsidiar os projetos do Eike Batista, o Eike ganhou e quem pagou, sem querer pagar, perdeu. O meio econômico é voluntário e aumenta a riqueza, o meio político é coercitivo e divide a riqueza. Ninguém me obriga a comprar o vinil do Radiohead, o governo me obriga a subsidiar os negócios do Eike Batista. Feita essa distinção, não é difícil entender o motivo da popularidade desse tipo de apelo contra os ricos. Ao dizer que os ricos são ricos porque "exploram" os pobres, a ideologia marxista dá um verniz teórico a um dos sentimentos menos nobres do ser humano, a inveja. Agora, como é que o Radiohead - uma banda rica, sem dúvida - me "explorou"? Pelo contrário, os seus fãs se reúnem tentando fazer com que a banda os "explore" ainda mais e sentem que não foram "explorados" o suficiente, @queremos mais "exploração", seus ingleses desgraçados apropriadores de mais-valia. Além disso, a riqueza é relativa. Um torneiro mecânico no Brasil é rico em relação a um torneiro mecânico no Zimbábue. Uma pessoa considerada pobre hoje nos EUA vive mais, melhor e desfruta de um conforto material que um industrial inglês do século 19 nem poderia sonhar. A riqueza não é um bolo fixo que deve ser repartido pelo governo (que acaba ficando com o maior pedaço), a riqueza é criada e cresce através da acumulação de capital - que os marxistas odeiam - e o seu investimento no aumento da produtividade, fazendo-se mais coisas com menos custos. Se um país começa a penalizar os seus ricos por serem ricos, esses ricos vão pegar a sua poupança e investi-la em outra vizinhança, secando então a fonte que financia a demagogia dos políticos e o proselitismo dos intelectuais anticapitalistas.
Thursday, August 18, 2011
O trabalho "escravo"
"Empregada por uma brasileira, que a concedeu dias de licença maternidade, Julia trabalha 10 horas por dia, e mesmo assim diz que sua vida aqui é melhor do que na Bolívia." Um sinal da decadência intelectual de um país é o modo como os conceitos são deturpados nos debates públicos pra servirem - não à busca honesta da verdade, obviamente - mas aos objetivos políticos dos seus proponentes. Quem é um escravo? Um escravo é quem não tem o controle sobre o próprio corpo e pertence a uma outra pessoa, é alguém que não tem a propriedade de si mesmo. Um escravo, por definição, não pode pedir demissão, pegar o seu boné (ou o seu poncho) e ir à luta em outra freguesia. Só que a confusão chegou num ponto em que equivaler um assalariado a um escravo e um empregador a um senhor de escravos virou a norma nas discussões, e quem questiona isso só pode ser um FDP da TFP. Não que o meu objetivo seja antagonizar, isso não é a causa do que escrevo, é a consequência, se acontecer. Se eu quero tentar me aproximar da verdade o máximo possível, o mínimo que eu posso fazer é respeitar o significado das palavras e não me engajar em manipulações emocionais pra parecer bonzinho segundo a mentalidade mais influente do momento e assim ganhar pontos na gincana social. Claro que eu prefiro que as pessoas gostem de mim, mas se o que escrevo vai contra o que elas acreditam, paciência. Se alguém concorda em trabalhar nas condições X, é porque as alternativas não eram melhores segundo a sua própria avaliação, não há escravidão. Não obedecer todas as regras impostas pela CLT também não faz do empregador um senhor de escravos, não importa quantas vezes os jornais, as TVs e os demais puxa-sacos do governo repitam isso. Se vê por aí muita indignação contra a ganância dos empresários, seus lucros exorbitantes e as corporações exploradoras - "o governo tem que contratar mais fiscais e endurecer as leis contra esses malditos sem coração." Mas por que será que quase metade da mão-de-obra no Brasil - fora os desempregados - vive na informalidade? Seria por uma falha de caráter do brasileiro, uma tendência irresistível em não seguir as leis simplesmente pelo prazer de burlá-las? Ou isso teria mais a ver com a falta de contato dessas leis com a realidade? Se as pessoas não conseguem cumprir as normas da CLT - uma legislação inspirada na Carta del Lavoro de Mussolini - de quem é a culpa, das pessoas ou da lei? Esses empregos dos bolivianos da Zara nem existiriam caso eles estivessem formalizados, eles não teriam como competir com os preços de lugares sem os custos da CLT, teriam então que fazer outra coisa da vida, tocar flauta na praça (existe algum sindicato dos flautistas filiado à CUT?) ou voltar pro socialismo-indígena-do-século-21 de onde fugiram. (http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=4004).
Monday, August 15, 2011
O welfare state
Garantir uma renda mínima para todos me parecia uma boa idéia quando eu tinha os meus 20 anos. Claro, há riqueza o suficiente no mundo e basta o governo tirar dos mais ricos e dar pros mais pobres pra justiça social se realizar na Terra. Nada de comunismo, socialismo, nenhum radicalismo do tipo, apenas a boa e velha social-democracia, o caminho do meio entre a liberdade de mercado e o planejamento de estado comandado por políticos benevolentes e compassivos - "só temos que votar nas pessoas certas, gente." Então a internet apareceu e o meu horizonte - que antes se resumia, fora do ambiente familiar, ao sistema educacional e aos poucos jornais e canais de TV - se expandiu tremendamente. Eu não podia mais adocicar a história do socialismo, não tinha mais o direito de ignorar os conceitos que os ministros da Fazenda do Brasil disfarçavam com o economês trololó, não podia mais engolir o enredo da Revolução Industrial malvada que tirou os ingleses das suas existências idílicas no campo pra enfiá-los (aparentemente à força) em fábricas alienadoras e exploradoras. Não, um mundo novo de informação se abria pra mim e eu não podia permanecer confortável na minha ignorância orgulhosa, eu tinha que escarafunchar a Grande Rede pra formar uma opinião mais consistente com a realidade. Havia, entre a verdade e o que me era apresentado como a verdade, um vão gigantesco que eu devia preencher cruzando dados e fatos, era apenas uma questão de querer realmente entender, os meios estavam todos à minha disposição. Então, depois de anos estudando e jogando fora todo o papo furado, cheguei à seguinte conclusão: a diferença entre o welfare state e a sua falência é uma questão de tempo. Essa constatação não é meramente pragmática, porque também me parece claro que é fundamentalmente errado tirar de A pra dar pra B, com o governo e os seus agentes retendo uma boa parte dessa pilhagem. E mesmo supondo que conceitos como o contrato social ou o consentimento dos governados sejam válidos (não são), ainda assim o welfare state continua não sendo - pra usar uma palavra da moda - sustentável no longo prazo. Dessa sustentabilidade ninguém fala... Se a pessoa vai receber uma renda - tirada à força dos outros - simplesmente pelo fato de existir, surgem alguns problemas. Primeiro, a deterioração da estrutura familiar. Na Inglaterra, por exemplo, as mães solteiras são subsidiadas pelo governo e o que é subsidiado tende a aumentar, é uma questão lógica de incentivos. Com mais mães solteiras, mais jovens soltos por aí sem uma base familiar sólida, se agarrando então a outros jovens sem perspectiva, numa espécie de tribalismo urbano. Isso também cria um ressentimento mútuo entre as pessoas que pagam e as que recebem os subsídios, potencializando sentimentos como o nacionalismo e a xenofobia. Se essa ajuda governamental não existisse, as pessoas teriam que ser mais responsáveis pelas suas escolhas (inclusive sexuais) e teriam que confiar mais nas suas famílias e amigos como suportes em momentos de dificuldade, teriam que agir de forma que, caso precisassem, as pessoas mais próximas estariam dispostas a - voluntariamente - ajudá-las. Se ela vai receber um cheque do governo no final do mês independentemente do que faça, a tendência é a desintegração gradual desses laços. Óbvio que isso que estou dizendo soa como um conservadorismo atroz pra quem entende a onda de destruição na Inglaterra como uma falha do sistema em atender às justas demandas dos jovens-de-adidas-e-celulares-oprimidos-pelo-capitalismo, porque essas pessoas enxergam o governo como the ultimate provider e vêem o núcleo familiar como um obstáculo ao controle central que tanto apreciam. Repare que essas manifestações violentas, greves gerais e quebra-quebras na Europa acontecem justamente nos momentos em que a realidade bate à porta e os governos são obrigados a cortar alguns gastos e privilégios que esses grupos de pressão encaram como direitos adquiridos. Só que direitos adquiridos exercidos às custas dos demais não são direitos, são privilégios. O padrão é o seguinte na disputa democrática: os candidatos prometem uma aurora de maravilhas, os eleitores convenientemente acreditam no almoço grátis (imaginando que estarão mortos no longo prazo) e votam no político mais generoso com o dinheiro alheio. Acontece que, com o tempo e os incentivos do sistema, cada vez menos pessoas pagam e mais pessoas recebem os benefícios, colocando as contas públicas numa encruzilhada. Os governos então tentam adiar a bancarrota se endividando e/ou imprimindo dinheiro (criando inflação), mas isso não resolve o problema. Com as contas deterioradas, o desemprego e a insatisfação aumentam, abrindo espaço pra oposição assumir o poder prometendo um pouco mais de austeridade. Algumas mudanças são ensaiadas, contando sempre com a oposição no limite da sabotagem dos movimentos sociais (o PT e os seus tentáculos no Brasil são bons exemplos desse comportamento). Analistas políticos e outros intelectuais de esquerda aparecem na televisão e nos jornais reclamando dos cortes nos gastos sociais, que isso é uma desumanidade do capitalismo selvagem contra a justiça social etc e tal, que o país precisa de uma nova esperança, de um novo tempo contra a desigualdade social, vocês conhecem a ladainha da chantagem emocional. Então, depois de algumas pequenas reformas que evitam momentaneamente o colapso econômico, os campeões do outro mundo possível estão preparados pra retomar o poder e iniciar uma nova rodada de demagogia, até o dia em que o dinheiro dos outros acaba de vez e os outros ainda levam a culpa.
Thursday, July 28, 2011
A "teologia" do indivíduo
Sempre que você estiver advogando que todo indivíduo deve ser respeitado como um fim em si mesmo, que ele ou ela não devem ser usados como meios pros fins dos outros, vai surgir alguém te chamando de "egoísta", "extremista", "radical" e, ouvi outro dia, "teólogo do indivíduo". Vamos ver: uma teologia pressupõe a existência de um Deus, de um ser sobrenatural que tem de ser aceito com base na fé. Ora, um indivíduo não precisa de nenhuma crença sem evidência pra saber que ele próprio existe, que ele é real e está ali tendo aqueles pensamentos, mesmo que ele use essa capacidade pra tentar evadir a própria existência e experiência. Só que nem todo o malabarismo racionalizador do mundo vai ser capaz de negar que, afinal de contas, essa pessoa existe e está ali tentando equilibrar pensamentos contraditórios. Se quiser se sujeitar aos fins dos outros, essa pessoa é livre pra isso, mas - segundo o individualismo - ela não tem o direito de obrigar os outros a fazerem o mesmo. Depois de tentar equiparar a defesa do indivíduo com uma religião, mais críticas: "Veja, um indivíduo não opera no vácuo, não está sozinho no mundo, você é muito simplista." Óbvio que o indivíduo não está sozinho no mundo, se estivesse não haveria nem a necessidade de se falar em direitos individuais. Robinson Crusoé não precisava argumentar ou lutar pra ser um fim em si mesmo na ilha deserta, não havia ninguém ali dizendo que ele devia se sujeitar ao partido, ao governo, à sociedade ou a quem quer que seja, porque a defesa do individualismo só faz sentido justamente quando existem outras pessoas, é um conceito político, logo, social. Olha a palavrinha mágica aí, currupaco.
Wednesday, July 06, 2011
"Dinheiro é religião", segundo um astrólogo

Curioso com o que os astros tinham a dizer a meu respeito, fiz anos atrás uma leitura do meu mapa com uma astróloga. Mesmo não acreditando realmente naquilo, a sessão foi até emocionante, porque reafirmava de alguma maneira a visão idealizada que eu tinha de mim mesmo. Se aquilo me deixava bem na fita, também não pude deixar de pensar que a astróloga pode ter usado os meus preconceitos a respeito de mim mesmo pra que eu saísse satisfeito da consulta. Se eu demorasse mais duas horas pra sair de dentro da minha mãe, a minha personalidade seria diferente? Então por mais que ser leonino com ascendente em áries e lua em escorpião tenha dado uma espécie de validade externa ao que eu gosto de pensar sobre mim mesmo, não consigo acreditar em astrologia assim como não acredito em Deus, numerologia, tarô ou no misticismo esotérico que for. A posição dos astros, a soma das letras do meu nome, o homem invisível, nada disso é capaz de determinar quem eu sou ou o que penso, porque tenho uma certa margem de ação - dentro das minhas limitações e circunstâncias - pra mudar de opinião e atitude caso eu esteja realmente disposto a isso. Eis que esbarro então com esse pequeno texto do Oscar Quiroga, um astrólogo bem conhecido, dizendo que "dinheiro é religião", acompanhe: "O Deus dinheiro está com os dias contados." O dinheiro é um meio de troca e só acaba no dia que a humanidade acabar. Se um plantador de tomates faz uma consulta com o Oscar Quiroga, ao invés de ser pago com uma caixa de tomates, o Quiroga vai ser pago com dinheiro. O dinheiro representa a produção e a venda de tomates pelo fazendeiro, e o que acontece ali é uma relação entre um produtor de leituras astrológicas e um produtor de tomates, com o dinheiro mediando essa troca. "O Ocidente adora atacar os países cujos Estados são regidos por livros sagrados, porém, se observasse com mais atenção seu próprio umbigo, perceberia que por aqui também se faz o mesmo." É bom mesmo as pessoas discutirem as guerras, assim como é imperativo discutirem o modo como os governos manipulam as suas moedas, mas daí a comparar o dinheiro com a religião vai uma distância intergaláctica. "Pelo Deus dinheiro e seus complexos rituais e dogmas tudo se faz, tudo se sacrifica, promovendo miséria, ignorância e preconceito tal qual ocorre nos países em que os livros sagrados servem de base para as leis da civilização." Como é que o "Deus dinheiro" do Quiroga promove a miséria, a ignorância e o preconceito? Mais capaz da falta de dinheiro (produção e troca) promover essas coisas. "O dinheiro, tal qual os dogmas religiosos, não admite questionamento, impõe seu poder sem fornecer explicações nem lógica." Claro que admite questionamento, você é a prova disso. E o dinheiro, por si só, não impõe nada, quem impõe algo, além do governo (esse sim o impositor que as pessoas deviam questionar), é a estrutura da realidade. Se o Quiroga quiser comer - e ele não só quer como precisa - alguém tem que produzir essa comida. A pessoa que produziu essa comida também precisa comer, e o dinheiro serve pra facilitar essa cadeia de produção que coloca a comida na mesa. Culpar o dinheiro pelos males do mundo é um buraco negro no raciocínio maior que o sistema solar. "O dinheiro é uma religião que hoje em dia não tem mínima contenção na forma de leis ou regras, pode tudo, é a maior forma de autoritarismo nunca antes vista na história humana." Não me surpreende que esse texto tenha sido indicado por um socialista. Será que o Quiroga é ateu em relação ao "Deus dinheiro" quando recebe o salário do Estadão? Aliás, salário tem esse nome porque o sal era usado justamente como dinheiro (moeda de troca) na época do império romano. (http://www.estadao.com.br/horoscopo/)
Monday, June 27, 2011
David Mamet e os jornais
A imprensa progressista (socialista) dos EUA entrou em polvorosa ao ver que um dos seus heróis, o dramaturgo David Mamet, havia traído o movimento e virado um "conservador com tendências libertárias influenciado por Hayek" (http://youtu.be/T-CiR1boTw4). Foram então atrás dele pra saber como tinha se dado tal abominação e perguntaram o que ele havia feito - além de ter se transformado num FDP insensível - pra melhorar a própria vida. Ele respondeu que tinha deixado de beber e ler os jornais. Não sou um dramaturgo famoso, mas já se vão uns 10 anos desde que abandonei o esquerdismo padrão brasileiro. Bebo menos do que bebia há uma década e ainda leio o jornal, mais especificamente O Globo, uma versão brasileira do New York Times que o Mamet deixou de acompanhar com satisfação - um dia chego lá. Enquanto isso não acontece, a leitura matinal do jornal continua me dando uma idéia do buraco filosófico que a militância progressista (socialista) cava diariamente na opinião pública. Não que a orientação editorial de um grande jornal tenha como ser radicalmente de esquerda como um A hora do povo da vida, a coisa se dá de maneira mais suave e subliminar, com alguns poucos articulistas liberais ou conservadores contrabalançando o viés progressista (socialista) das notícias. Pode-se dizer que um esquerdista hardcore também consideraria O Globo um inimigo da justiça social, parte integrante do Partido da Imprensa Golpista (PIG), mas a Rede Globo sempre fez parte do grande esquema de poder e só vai se posicionar efetivamente contra a agenda progressista (socialista) do PT quando a situação sair do controle e ficar mais ou menos como está hoje na Grécia. É bom lembrar que o governo é o maior anunciante do país, além de ter a lei e a arma na mão. A social-democracia parece funcionar muito bem pros políticos, burocratas e pros que recebem verbas e privilégios em troca de apoios e votos, até o dia em que a realidade bate à porta e demonstra que esse esquema de corrupção mútua do welfare state é insustentável. (http://www.nytimes.com/2011/05/29/magazine/david-mamet-talks-about-his-shift-to-the-right.html)
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