Wednesday, March 31, 2010

Such a Cassandra

The dictionary definition of fascism is: "a governmental system with strong centralized power, permitting no opposition or criticism, controlling all affairs of the nation (industrial, commercial, etc.), emphasizing an aggressive nationalism." Falta pouco, é só apertar o cabresto sobre a imprensa, se bem que não contavam com a internet, o que vai dificultar a execução do projeto, vamos ver. Se a civilização é a sociedade da privacidade, a barbárie não liga pra essas frescuras. "There are to be no more private Germans,” said Friedrich Sieburg, a Nazi writer; “each is to attain significance only by his service to the state, and to find complete self-fulfillment in this service.” “The only person who is still a private individual in Germany,” boasted Robert Ley, a member of the Nazi hierarchy, after several years of Nazi rule, “is somebody who is asleep." Beleza, não sei por que me dou o trabalho de bater nos nazistas, nos fascistas tudo bem, dá pra entender. Se bem que, tirando aquele papo de superioridade racial, o programa do PT não é tão diferente assim do programa do partido nacional-socialista alemão. Gostei também dessa passagem da Ayn Rand, such a Cassandra. "I have stated repeatedly that the trend in this country is toward a fascist system with communist slogans. But what all of today’s pressure groups are busy evading is the fact that neither business nor labor nor anyone else, except the ruling clique, gains anything under fascism or communism or any form of statism—that all become victims of an impartial, egalitarian destruction."

O pior dos mundos

"No vermelho nós vemos a idéia social do movimento, no branco a idéia nacionalista e na suástica a missão de lutar pela vitória do homem ariano." Explicação de Hitler que resume bem o nazismo. Ou seja, o pior dos mundos: o socialismo, o nacionalismo e o racismo juntos, num só coração. Claro que bater no nazismo é redundante, mas o socialismo e o nacionalismo continuam passeando por aí como se fossem doutrinas respeitáveis, "humanismos" que acompanham os homens de boa vontade. O racismo agora é reativo e institucionalizado, "luta de classes morta, luta de raças posta", diria o Janer Cristaldo. O homem mais odiado do mundo também era um populista afiado: "Na juventude, fui um trabalhador como vocês, lentamente abrindo caminho com o esforço, com o estudo e, acho que posso dizer também, com a fome." Tears in my eyes. (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/fascismo-de-esquerda-o-livro/)

Tuesday, March 30, 2010

Olavo de Carvalho e a "religião biônica"

O Olavo de Carvalho diz que o laicismo europeu não vai conseguir conter a invasão islâmica, que os europeus estão num vazio espiritual tal com o abandono gradual do cristianismo que se tornaram presas fáceis dos muçulmanos, que vão dominar o continente na base da explosão populacional. Também diz que essa laicização do mundo é o resultado de um plano engendrado por 200 milionários entediados que querem dominar as mentes com uma nova "religião biônica" mundial. É bom mesmo a Europa tomar cuidado, mas esse desprestígio do cristianismo é coisa recente, a teoria da evolução tem pouco mais de 100 anos e o iluminismo deu as caras separando estado e religião há pouco mais de 200 e isso perto de todo o tempo histórico é pouco. Se os europeus não estão tão religiosos quanto já foram, vai chegar uma hora em que isso também vai acontecer - espero - com os islâmicos. Ou os muçulmanos assimilam a cultura européia ou a cultura européia assimila os muçulmanos. Não estou negando a influência cristã na civilização ocidental, de forma alguma. Enquanto o Islã não passa pelo seu iluminismo e darwinismo, os estados europeus não podem sucumbir ao multiculturalismo cego e devem defender as suas conquistas da união entre o esquerdismo e o fundamentalismo. Não sei se a batalha já está perdida como dizem alguns, mas o assunto é realmente periclitante. Sobre a "religião biônica", estou curioso pra ver como vai ser e, fazendo parte ou não dos planos dos 200 milionários entediados pra criar uma Nova Ordem Mundial, vai ter desde já a minha oposição.

Jabor e a falta de sentido

"Não sou psicólogo, mas vejo que, mesmo na alegria desmedida do narcisismo de 'mídia', mesmo nas celebrações de celebridades egoístas, a psicopatia é o sintoma do século que começa". Diagnóstico radical, não? As pessoas buscam os holofotes por inúmeras razões, seja pelo "narcisismo" ou pela vontade de passar uma mensagem ainda maior que elas mesmas. O próprio Jabor começou a fazer cinema e buscar os holofotes porque queria transformar o Brasil através do socialismo. Ficou desiludido porque viu o seu sentido ir por água abaixo, mas ainda não se tocou que existem outros sentidos que fazem realmente sentido dando sopa por aí. "A toda hora não vemos o show voraz da busca pelo poder, justificando qualquer crime?" O discurso altruísta (socialista) que o Jabor não consegue abandonar é a raiz desses fins que justificam os meios. Desqualificar o ego é contraditório à busca pelo sentido, porque somente a consciência individual é capaz de estabelecer um sentido, sentidos coletivos "justificam qualquer crime" porque os indivíduos se transformam em instrumentos sacrificáveis pra realização daquele ideal coletivista. "Essa anomalia cresce num mundo onde só existe interesse pelo próximo quando ele dá lucro." Será que esse discurso anti-lucro também não dá lucro? O PT passou toda a sua existência condenando o lucro e agora tá aí, lucrando como nunca. Mas há que se fazer uma distinção entre o lucro que se dá através da produção e das trocas voluntárias e o lucro que se dá através do roubo e dos privilégios políticos. Condenar o lucro como princípio é sintoma certo de confusão mental. "Ter alma dá prejuízo". O que é ter "alma"? Essa separação entre corpo e alma serve pros místicos de toda ordem terem controle sobre as pessoas que, mais uma vez, se vêem reféns do julgamento dos representantes divinos que dizem ter acesso ao que não existe.

Monday, March 29, 2010

Monopólio e livre mercado - uma antítese

"O motivo pelo qual as empresas sempre se mostraram ávidas por utilizar o poder estatal em seu próprio interesse é que a coerção solidifica sua posição de maneira muito mais efetiva do que o livre mercado, o único sistema em que são os consumidores que controlam os empresários. No livre mercado, essas empresas têm de servir o consumidor de maneira eficaz - caso contrário, elas fecham as portas. Mesmo as corporações mais poderosas já aprenderam essa lição. Quando uma empresa fracassa em servir bem o consumidor, o mercado a leva à lona. É por isso que várias delas recorrem ao governo para socorrê-las. É o governo, com seus subsídios, privilégios especiais e restrições de concorrência - sem falar de quando ele saqueia abertamente o público para ajudar interesses privilegiados, seja na forma de pacotes de socorro ou na forma de obras públicas com empreiteiras privadas - quem promove o monopólio propriamente dito e que garante vantagens verdadeiramente injustas para alguns à custa de todo o resto. Sempre que você quiser serviços de qualidade a preços baixos, você tem de ir para o livre mercado. Sempre que você quiser que o consumidor tenha poder sobre as empresas, você tem de ter um livre mercado. Agora, se você quiser que interesses especiais adquiram privilégios sobre todo o resto, que a concorrência seja suprimida, que os preços sejam altos e os serviços sejam precários, você precisa ter o governo controlando o mercado. Como o mundo seria diferente se conceitos tão simples quanto esses fossem ensinados desde cedo às crianças." Thomas Woods (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=366).

Friday, March 26, 2010

Tentativas de frases definitivas 2

Seria legal se discutissem política com a mesma paixão que discutem as suas preferências musicais e futebolísticas. Quer dizer, melhor não. Levaram esse papo de "não se levar a sério" a sério demais. Confusão mental pode ser confundida com sabedoria, Tavares. Se bem que esse tipo de confusão tem um viés claro, não é verdade? Entre a maioria e a verdade se abriu um clarão, que foi acusado de racismo pelo movimento negro. Tem pessoas que me seguem, param de seguir, voltam a seguir e param de seguir novamente. Generosas, me dão uma nova chance, mas não me emendo. Racionamento de energia e prisão de opositores na Venezuela, comemorem que esse sucesso também é de vocês, bolivarianos brasileiros. Uma caipirinha coada, docinha e engarrafada de vários sabores destronaria o domínio dos ices. Procuro investidores. O amor nasce na admiração e morre no ressentimento. Extremista na moderação e moderado no extremismo, morreu no meio do caminho.

Tentativas de frases definitivas

A cultura só é inútil pra quem não tem. Anota aí, daqui a 200 anos o homem vai viver 100 anos e ter 2 metros de altura em média nos países mais civilizados, isso já está acontecendo. Otimismo? Piração? Não, não, não, são 3 nãos e 1 nãos, 2 com esse último. Isso não é cultura inútil, é alta cultura com uns caras muito eruditos e elegantes citando Chesterton. Melhor culto e elegante do que inculto e deselegante, vamos combinar. Discorda? Você gosta da sabedoria espontânea do Lula? Ele deve ser divertido numa mesa de bar, contando uns causos engraçados ou constrangedores, dependendo de como você encara uma piada do naipe Lula. É realmente fascinante perseguir o conhecimento e pensei duas vezes antes de escolher a palavra fascinante. É uma palavra fascinante, não interessante, fascinante

Thursday, March 25, 2010

Evolucionismo e liberalismo

Por que ajudamos e somos gentis com os outros? Porque isso nos favorece, é bom ajudar e ser gentil com os outros porque assim os outros vão nos ajudar e ser gentis conosco, tanto numa perspectiva evolucionista quanto econômica. Essas perspectivas, aliás, são análogas, o discurso de um Darwin não vai contra o de um Adam Smith. O evolucionismo diz que o mais adaptado sobrevive e o liberalismo diz que perseguir os seus próprios objetivos beneficia toda a comunidade. O lance é que o mais adaptado vai criar condições, através da inovação e criação de riqueza, pra sobrevivência também do menos adaptado - mesmo que essa não tenha sido a sua intenção inicial. É disso que fala a metáfora da mão invisível. As teorias então são complementares. Aí um socialista sobe nas tamancas e te acusa de insensível, que todos deveriam ser iguais da mesma maneira que os cupins são iguais, por exemplo. Talvez ao longo de milhões de anos de tentativas e erros o cupim desenvolva uma consciência e consiga exercer a sua individualidade, mas por enquanto isso parece ser um privilégio humano. Privilégio não, esse foi um processo que demandou milhões de anos de sangue, suor, lágrimas e mutações e por isso, pro bem ou pro mal, estamos hoje aqui conversando sobre coisas que os cupins nem fazem idéia.

30 Rock é melhor que Seinfeld

Não sei, é que um título assim atrai mais gente e eu sou um ser social, como eu e você. Eles atingiram aquele estágio em que as coisas se encaixam, não que esse encaixe aconteça do nada. Foram influenciados pelo Seinfeld nesse negócio de fazer um programa dentro do programa. Não, o Seinfeld não foi o primeiro a fazer isso e... ARMADILHA! Então o liberalismo é radical demais pra um país como o Brasil? Liberalismo não se impõe, não se preocupe. Liberalismo é um ideal, um norte que a maioria das pessoas persegue mesmo sem perceber. Um ideal de autonomia e independência, de auto-estima e harmonia com os outros. Liberalismo não se alcança com revolução, é um processo gradual de aprimoramento da civilização. Quem impõe comportamento não é liberal. "O Brasil, que é tão abençoado pela natureza e tem uma população de grande espírito empreendedor -- o que faz com que o país tenha uma das mais altas taxas de auto-emprego no mundo --, tem permanecido atrasado por causa de uma ideologia corrompida. Até os dias atuais, todos os governos brasileiros se empenharam ao máximo em absorver todos os recursos do país com o intuito de perseguir suas fantasias de modernidade e progresso (claro que, nesse caso, "modernidade" e "progresso" são conceitos definidos pelo governo, e não pela população). Devido a isso, toda a criatividade espontânea que é inerente ao livre mercado acaba sendo bloqueada. O Brasil teria seu lugar de destaque garantido se o espírito que tem assombrado esse país fosse proscrito em favor de uma ordem, no verdadeiro sentido da palavra: isto é, um sistema de regras confiáveis baseado nos princípios do direito de propriedade, da responsabilidade individual e do livre mercado." Antony Mueller (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=42).

Wednesday, March 24, 2010

FHC é o Kerensky de Lula

"The Kerenskian mentality causes as much harm as Leninism itself because by seeking conciliation rather than confrontation with an enemy, the opposition to radicalism is emasculated. Without Kerenskys, Leninists wouldn’t have open roads for their advance. It is from that standpoint that one must contemplate who has benefited most from Mr. Lula da Silva’s global popularity. If communist Cuba survives, it will be due more to diplomatic and economic support from the Kerenskyist Mr. Lula than the in-your-face Mr. Chavez, whose own ability to cling to power is aided by credibility gained through the Venezuelan-Brazilian alliance. Mr. Lula’s high-profile backing for authoritarians in Bolivia and Ecuador helps demoralize the pro-democracy opposition there as it has in Venezuela." (http://www.ordemlivre.org/blog/?p=1039) Armando Valladares passou 22 anos preso pelo regime castrista e escapou pra contar a experiência no livro "Contra toda a esperança". Se você quer ter uma idéia do que realmente acontece na "democracia popular cubana", clique no linque (www.cubdest.org/libros/LivroValladares.doc). E nas minhas andanças por aí encontrei esse artigo do Paulo Diniz escrito um pouco antes da primeira eleição do Lula que explica bem o título do post. (http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0164.htm) Tem textos bons lá no site do Olavo de Carvalho, vira essa cara de nojinho pra lá.

Reflexões sobre a Revolução na América

"Alguns dos revolucionários são guiados por um genuíno senso de noblesse oblige. Outros agem movidos pela culpa e podem justificar seu próprio consumo se “importarem-se” por um semelhante mais pobre, mas distante. Muitos mais explicam seus próprios privilégios através da redistribuição de renda via governo. Uns poucos são impelidos pelo puro ódio — que brota do fato de que um acadêmico altamente educado ou um artista ganham bem menos do que o médico, o advogado, o presidente de empresa, ou – que os deuses não permitam — bem menos do que o dono da loja de pneus, o ortodontista da família, ou o dono de meia dúzia de franquias de uma pizzaria. Como pode ser que os PhDs que lêem inglês antigo, ou os pintores que imitam Pollock, ou os escritores que pretendem ser o próximo Fitzgerald, ou os professores com mestrado recebam da sociedade bem menos que os grosseiros e estúpidos capitães de indústria, que lêem bem menos, não têm nenhum bom gosto e dificilmente compreendem seus próprios dilemas existenciais? Os salários e o capital não deveriam ser determinados com base nas boas intenções, na alta educação, na capacidade argumentativa e numa pitada do necessário sarcasmo?" Victor Davis Hanson (http://www.midiaamais.com.br/eua-e-geopolitica/2779-reflexoes-sobre-a-revolucao-na-america).

O ponto Gererê do poder

Ontem rolou no GNT um documentário sobre as "doenças" que são criadas pra alimentar a indústria farmacêutica. Mais especificamente, a "disfunção sexual feminina". Ou seja, uma mulher não gozar num ato sexual com o seu parceiro(a) já seria o suficiente pra caracterizar uma patologia. Não vou entrar no mérito da fisiologia feminina, mas me parece óbvio que nem todo sexo sem orgasmo seja um caso médico, meu ponto é outro. Meu ponto diz respeito à atuação do FDA (o órgão, sem trocadilho, que regulamenta os alimentos e remédios nos EUA) e o perigo que é deixar o governo com esse poder sobre as pessoas. O que se viu no documentário foi o lobby das empresas que prometem orgasmos femininos junto à burocracia estatal pra que ela desse o seu selo de aprovação: sim, certificamos que a "disfunção sexual feminina" é uma patologia, podem vender os seus remédios. Então, do dia pra noite, a falta de orgasmo vira uma indústria de muitas promessas e poucos resultados, como o documentário evidenciou. Deixar um órgão, sem trocadilho, com tanto poder monopolístico é: 1 - paternalizar e infantilizar as pessoas que passam a não responder mais pelas suas escolhas ("o FDA disse que era doença e aprovou os remédios, pô!") e 2 - dar muita margem pra corrupção desses agentes públicos. Órgãos privados competindo, sem trocadilho, fariam esse papel de certificação com vantagem, o estado só broxa com o processo de descoberta e inovação, turbinando as picas bem conectadas politicamente e travando a eficiência dos movimentos pélvicos do mercado. (http://www.fdareview.org/incentives.shtml)

Tuesday, March 23, 2010

Onde é que tá o Beck? 2

Então não dá pra afirmar nada? Are you kidding me? I mean, my friend, meio que me movo na meta de mergulhar nos emes e memes, não sei bem o que são, tem um estudo famoso do Dawkins a respeito, não? Dá pra afirmar, claro. As pessoas às vezes morrem em terrível agonia interna, sabendo que podiam ter feito mais do que fizeram. Dramático? Pois é, se a civilização é a sociedade da privacidade, o headphone (egoísta) é a sua mais perfeita tradução auricular. É o apetrecho do homem moderno se eu achasse uma palavra ainda mais antiga que "apetrecho". Um cara que vive infeliz na sarjeta cuspindo marimbondo contra deus e o mundo não é um exemplo de sucesso. Não, esses filósofos franceses não vão me convencer do contrário. A coisa não depende tanto de como os outros te vêem, mas de como você se vê. Só que pela natureza das coisas você também quer se relacionar bem com as outras pessoas que vão ter uma avaliação a seu respeito: é loser ou não é? O Beck? Acho que não, pergunta pra ele.

Onde é que tá o Beck?

Tem que se idealizar os losers pra não ser um loser? O que me leva à questão: não gosto desse papo de loser. "Isso não é uma questão." Mas ser um loser é. No final todo mundo loose, né? Eu por exemplo sinto que tô losing a batalha contra o mau contato do meu headphone. Tenho que ir no camelódromo comprar um novo. Então é loser comprar num cara que não paga imposto? Evasão fiscal, o cara pode ser preso e ficar loser total. O camelô é um herói ou um loser? Às vezes um herói pode ser um loser, depende dos olhos de quem vê. As pessoas curtem todos os tipos de loser e ter os pensamentos interrompidos pelo mau contato do headphone? Também conhecido como egoísta. Mas será que o cara que coloca o som que gosta só pra ele mesmo está sendo egoísta (loser) com os outros? Pense bem, o novo jogo que veio rivalizar com o Master. Novinho, tem só uns 20 anos. Aí num campeonato com 20 participantes, 19 são losers, uns mais do que os outros. O lanterna é o loser total, o vice é o loser com dignidade e de vez em quando aparece um campeão moral. São as diversas nuances da justiça - se você se interessa pelo assunto. Claro que sim, odeio injustiça com os losers. Alguém imagina que o Beck é mesmo um loser? Então não dá pra afirmar nada sobre quem é ou não é, o que importa é o que tá aqui dentro - o sangue circulando na firmeza e as sinapses todas unidas num só coração.

A brasileirização dos EUA

O Merval Pereira é enxergado por alguns setores da intelligentsia nacional como um articulista neoliberal, mas é apenas um social-democrata, o máximo de direitismo permitido no debate político nacional. Na sua coluna de hoje no O Globo, o Merval cometeu um parágrafo sobre a reforma de saúde do Obama que não resisto em reproduzir: "É importante fixar na sociedade americana esse conceito de solidariedade, desde a utilização de automóveis e combustíveis menos poluentes até a cobertura de saúde para todos, a necessidade de as pessoas deixarem seu individualismo de lado para preservar o meio ambiente ou apoiar os mais necessitados." Entre as imposturas politicamente corretas, se destaca a suposta dicotomia entre o individualismo e a solidariedade. Os EUA sempre foram o país onde mais se praticou a solidariedade voluntária, aquela que não precisa da intermediação do governo, aquela que não dá margem pro desvio de recursos ou pro seu uso político. Os EUA se tornaram o país mais rico e livre do mundo justamente por causa do seu individualismo e vão perder essa condição com o abandono gradual desse individualismo em prol da coletivização da sua economia. Quando os americanos se derem conta, talvez seja tarde demais.

Monday, March 22, 2010

Spock, Fausto Fawcett e Jack Palance

Vai ser engraçado ver os EUA caminharem cada vez mais pra estatização. Não, não vai ser engraçado, vai ser trágico. Qual seria o exemplo a seguir? O modelo da China, é isso o que as pessoas tão achando bacana? Um partido único decidindo todos os rumos, censurando a informação e usando o trabalho dos bilhões de chineses pra financiar o colapso do dólar? Claro, os EUA não são anjinhos, se os chineses estão dispostos a produzir baratim manipulando o câmbio, por que não consumir e colocar o burro na sombra? O burro agradece. Só que os fundamentos estão cada vez mais prejudicados e a gastança da reforma da saúde vai apressar as coisas. As coisas, i.e., isto é, as coisas. Nego aqui comemora porque acha que agora sim, os EUA tão fazendo a sua justiça social com o Obama. Mas é o contrário, mais socialismo = menos prosperidade = menos recursos = menos pesquisa = menos remédios = mais doenças = mais filas = mais corrupção = colapso do sistema. Parece dramático? Espero que sim, que os americanos revertam essa tendência votando num Ron Paul da vida. Quer dizer, isso é otimismo demais, é só não reeleger o Obama, que fala bem e consegue encantar os seres de bom coração. Eu não tenho bom coração, sou um ser frio e calculista, um Spock carioca suingue sangue bom e alguma letra do Fausto Fawcett, que parou de beber - álcool, bem entendido em Copacabana, altura da Prado Júnior tem umas figuras maneiras. Eu ia dizer bizarras, mas não seria gentil e eu sou um cara gentil, acredite se quiser.

Vladimir Palmeira, o honesto

Não é verdade que a esquerda foi derrotada pelo regime militar, tanto que ela está agora toda no poder, com seus Vannuchis, Mincs, Dirceus e Dilmas. Foi como um investimento que rendeu frutos, investimento feito de muitas mistificações, com uma em especial que foi determinante pra confundir a opinião pública: a de que aqueles jovens guerrilheiros lutavam pela "democracia". Tava lá eu assistindo televisão quando avisto um documentário do Sílvio Tendler sobre a UNE no canal Futura. Não era bem um documentário, mas uma apologia ao braço estudantil dos partidos comunistas da época, com aquele tom de resistência romântica sonorizada por hinos e nostalgia. "Época boa aquela, cheia de esperança". Nessa batalha entre os maus (militares) e os bons (estudantes), um depoimento se destacou pela sinceridade, o de Vladimir Palmeira, o maior líder dos estudantes da época, objeto inclusive de algumas crônicas do reacionário Nelson Rodrigues. Disse o Vladimir que "a gente tem que parar com essa história de que lutávamos pela democracia, a gente lutava mesmo era pelo socialismo". Talvez essa sinceridade seja o motivo do Vladimir ter perdido espaço no PT, que cerca a pimenteira falando em democracia mirando não naquele socialismo idealista dos anos 60, mas no controle da sociedade pelo partido - o que dá mais ou menos no mesmo.

Friday, March 19, 2010

Chávez descobre uma mentira na internet

"Obrigar alguém a escolher de acordo com as minhas escolhas, a patrocinar as causas que eu considero importantes, é ridículo, mas é esse ridículo princípio que está no núcleo de todo socialismo. Não há nada de acidental na repressão socialista. Como disse Mises, todo socialista é um ditador disfarçado. Se a pluralidade de opiniões fomenta uma democracia liberal, a mesma pluralidade ameaça um regime socialista, porque o socialismo significa concentrar milhões de vidas sob um único mecanismo de decisão. Diferentes vozes não são interpretadas como debate aberto, mas como dissidência perigosa. O século XXI iniciou com a avalanche multiplicadora da informação. Nunca foi possível acessar tantas mentiras, exageros, xingamentos e manipulações com a facilidade que temos agora. No entanto, nunca a população mundial esteve tão bem informada. O caos de informação online é acompanhado pela demanda de coordenação, de filtro, de verificação. E é na própria liberdade online que surgem os instrumentos para esses fins. Não é preciso autoridade central alguma para determinar a veracidade de cada post, cada email, cada tweet. Há sites destinados a corrigir a propagação de mentiras e, o mais importante, há a desconfiança generalizada sobre a informação que se consome online. A Wikipedia não derrotou a Enciclopédia Britânica por ser mais confiável; derrotou-a exatamente por ser desconfiável. É por isso que ela funciona: porque você pode ir verificar o erro e consertá-lo. A nossa liberdade de informação alucinante amedronta os governos baseados na uniformidade do pensamento. Cada vez mais os ditadores disfarçados inventarão motivos, terminologia e retórica para controlarem nossa liberdade online. Dizem que um mundo mais complexo necessita de mais controle. Pelo contrário. É a simples sociedade tribal que pode ser facilmente controlada de cima para baixo. A complexidade social e tecnológica necessita de maior diversidade de gerenciamento, mais ambientes para experimentação, mais regras emergindo da cooperação voluntária. Enfim, requer maior liberdade." Diogo Costa (http://www.ordemlivre.org/textos/938).

Há abstrações e abstrações

Abstrações que não se baseiam na realidade servem como ficção científica: vamos filmar a história de um ser de outro planeta com uma inteligência sobre-humana que comanda a Confederação Galáctica, entidade que - 75 milhões de anos atrás - povoou a Terra. Qual é a base de uma maluquice desse naipe? A imaginação de uma pessoa, isso basta pra se criar a mitologia de uma religião como a Cientologia. A mente pode ir a lugares que o mundo físico não alcança e coisas assim devem ficar ali, no terreno da ficção. Agora, a teoria política-econômica lida com abstrações verificáveis pelos fatos e pela experiência. Quando eu digo, por exemplo, que o serviço de correios seria mais eficiente caso fosse fornecido pela iniciativa privada num ambiente de competição, eu tenho milhares de exemplos práticos e a lógica econômica do meu lado pra comprovar o ponto. Essa abstração - porque o ato de imaginar o que pode ser é uma abstração - não está flutuando no espaço na mesma categoria que uma religião que um escritor de ficção científica decidiu inventar. Se uma crença não possui evidências factuais, ela permanece como matéria de fé, outra abstração muito popular.

Thursday, March 18, 2010

O barco do pau oco

Se você tivesse de escolher entre salvar a vida de 100 desconhecidos e a vida de uma pessoa que você ama, o que você escolheria? Você pensa primeiro em si mesmo e nos seus, não se sinta culpado por isso, todo mundo é assim, até o santo do pau oco. Gostei do about me do @ronaldrios: "Trabalhando honestamente por um mundo melhor (para mim)." É isso aí, cuida da sua vida e dos seus que eu cuido da minha e dos meus. Se quiser ajudar, ótimo, te ajudo também. Se os seus interesses forem na mesma direção que os meus, a gente faz um negócio. A sociedade das relações voluntárias é um bom ideal complicado de alcançar, porque um cara pode não concordar com o fato de você fumar maconha, por exemplo. Beleza, direito dele, maconha tem mesmo os seus problemas, na casa dele não pode fumar, beleza. Mas você acha que tem o direito de dizer se eu posso fumar na minha casa? Isso não lhe parece um tanto... autoritário? Desculpa, não quero ferir os seus sentimentos. Essa bandeira dos liberais joga o jogo da esquerda na guerra cultural? Tudo bem, eu discordo de você, colega conservador, como discordo dos socialistas também. Você passa a discordar de um monte de gente e a enfrentar um monte de oposição quando decide defender uma visão de mundo, é assim mesmo. Quando você não defende nada além do que te beneficia diretamente ou fica navegando de um lado pro outro a favor da maioria, você tem os seus momentos de dúvida e angústia, não tem? Claro, todo mundo tem, fala sério.

O princípio da subsidiariedade

Muito bem, vamos proteger o planeta onde todos vivemos. Mas isso que você está propondo prejudica os países do hemisfério sul, que é onde eu vivo, após séculos de exploração. Não posso punir os brasileiros por causa da incapacidade dos governantes do seu país em fornecer energia aos seus habitantes. Então esse federalismo de meia tigela vai beneficiar o seu estado às custas do meu? Nem pensar, é aqui no litoral que os recursos são extraídos e merecemos uma compensação por isso. Mas governador, o senhor está prejudicando o sul fluminense nessa partilha, mais igualdade na distribuição dos recursos, por favor. O alcaide pensa que nos engana com essa política de privilegiar os pontos turísticos da cidade enquanto deixa o nosso bairro às moscas. E a minha rua, que está toda esburacada e cheia de mendigos, como é que fica? Não, todos os condôminos devem contribuir pro fundo de obras, não interessa se mora na cobertura ou no térreo, a responsabilidade é de todos. Qual é a tua, quer ficar no bem bom sem encarar pelo menos uma loucinha? Se liga, malandro.

Wednesday, March 17, 2010

O processo de mercado

"Mises denominou de praxeologia o estudo da ação humana, sob o ponto de vista de suas implicações formais. E, como ação, no sentido que lhe dá a Escola Austríaca, significa qualquer ato deliberado (que tanto pode ser fazer, como deixar de fazer alguma coisa), com o intuito de se passar de um estado menos satisfatório para outro mais satisfatório, segue-se que todos os atos econômicos, como por exemplo, os de trocar, comprar, vender, produzir, poupar, investir, consumir, emprestar, tomar emprestado, exportar, importar, etc., estão contidos no conceito seminal de ação humana. Esta é a proposição básica, o primeiro axioma da praxeologia: o incentivo para qualquer ação é a insatisfação, uma vez que ninguém age, no sentido misesiano, a não ser que, estando insatisfeito, o faça pensando em melhorar de estado, ou seja, em aumentar seu conforto ou satisfação, diminuindo, portanto, seu desconforto ou insatisfação. Notemos que este axioma é universal: onde quer que existam seres humanos, haverá ação humana, o que faz com que a ciência econômica construída com base na praxeologia também seja universal. Não há, portanto, uma teoria econômica específica para cada país ou região; o que existe é uma teoria econômica epistemologicamente correta, que é a que se constrói a partir do estudo da ação humana. Por exemplo, as conhecidas leis da demanda e da oferta são universais, uma vez que todos os homens - sejam índios, economistas, banqueiros, aposentados, universitários, analfabetos, etc. - gostam de "comprar barato" e "vender caro", já que isso aumenta, logicamente, sua satisfação. Ao agir, portanto, o homem busca satisfazer a algum desejo e, para isso, deve recorrer aos meios de que dispõe. O fato a ser ressaltado é que a própria ação implica que esses meios são escassos, isto é, são sempre insuficientes para que todas as necessidades humanas, que são ilimitadas, sejam atendidas. De fato, se os meios não fossem escassos, todas as necessidades seriam atendidas, os homens estariam sempre inteiramente satisfeitos e, portanto, não haveria incentivos à sua ação. Toda ação humana busca sempre, então, aumentar a utilidade ou satisfação: quem compra ações, por exemplo, objetiva ganhar dinheiro e, assim, aumentar sua utilidade, assim como quem, por caridade, doa sua fortuna aos pobres, tem em vista aumentar o bem-estar (utilidade) do próximo, pois isso, em sua avaliação, também aumentará sua própria satisfação." Ubiratan Jorge Iorio (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=636).

Tuesday, March 16, 2010

Fluxo sob o Santo Daime 3

Você aí, garoto urbanóide criado a leite com pêra, vem provar o leite da mãe natureza. Não tem proselitismo ou poluição, a beberagem foi aprovada pela Vigilância Sanitária e pelo Mestre Irineu, de quem sou herdeiro espiritual, pelo menos é o que dizem os meus herdeiros - Padrinho Sebastião ao seu dispor. Você aí, que fica adorando o dinheiro e andando de um lado pro outro que nem um zumbi, você não tá servindo mais nem como extra nos filmes do George Romero, o pai do Romerito. "Mas Padrinho Sebastião, o leite com pêra também vem da natureza." Você aí, que fica disfarçando a frustração com lógica e deboche, você tem um encontro marcado com aquele livro do Fernando Sabino que tudo mundo cita e você nunca leu. "Mas Padrinho Sebastião, eu não leio mais ficções". Você aí, que se acha acima das ficções, dá um gole aqui e toma no cu tranquilo.

Fluxo sob o Santo Daime 2

Alguém se surpreende que um negão desse tamanho com uma poção mágica na mão no meio do nada fosse se tornar uma divindade? É um personagem larger than life and larger than the average size. Ou isso não faz diferença? "O Yoda é pequeno e é um clássico da sabedoria." Viu como as coisas andam num ritmo alucinante? O Yoda já é um "clássico"... O que aconteceu com o estagirita, o peripatético e o olvidado da mata virgem? Deixaram o cara lá pra dar um rolé e esqueceram que ele não tinha uma bússola e nem uma bebidinha pra passar o tempo com os seres elementais. Como é que tá a temperatura aí no alto, Mestre Irineu?

Fluxo sob o Santo Daime

Qual vai ser a causa abraçada por mim hoje? A causa é uma só, o foco é que varia ou a calça é uma só, o foco é que avaria. Me perdoe porque sou fraco e não resisto. Tipo, dai-me força, dai-me luz. É isso mesmo, vou expurgar as frustrações com ayahuasca, tive que ir no google conferir como se escrevia, não teve jeito. Interrompeu um pouco o fluxo, mas tudo bem. Então um negro alto e forte chamado Raimundo Irineu travou contato com um cabloco no Acre que preparou uma bebida servida no copo de requeijão da época, a folha de mandioca. O cara vomitou pra caramba e entrou em contato com o divino da floresta, o novo Ademir da Guia dos Povos, o Lula de água doce, o boto cor de rosa da Bruna Lombardi e o Raimundo Irineu abraçou a sua causa: a árvore da floresta. É bom especificar, tem árvore no asfalto que não dá onda. Aí o Raimundo Irineu foi pintado com chocolate pelo Vik Muniz enquanto extraía borracha das seringueiras quando encontrou com um ser da mata branca chamado Sebastião. Na minha época existiam muitos Raimundos e Sebastiões, quer dizer, alguns ainda estão vivos, mas não rolam muitas crianças Raimundas, não tem nenhuma conotação sexual nisso não, Sebastião deve ter na galera Regina Casé que não perde contato com as suas raízes. Aí o Mestre Irineu morreu e aconteceu a crisma ou a cisma, nunca sei direito. O fato é que alguns comunistas (sempre eles) descobriram o barato espiritual da parada e foram em peso com as suas anistias e santa marias lá pra floresta amazônica sentir o bafo da onça. Dias emocionantes em que os desbravadores pararam de se depilar e de assistir o BBB, vou cantar os meus hinários que eu ganho mais.

Monday, March 15, 2010

Shimon Peres e o processo de paz

Assisti a um documentário sobre a vida do Shimon Peres num daqueles canais perdidos da NET que apenas expedicionários do controle remoto como eu dão o devido valor. O atual presidente de Israel era assistente de Ben Gurion na criação do estado judeu e refletia sobre todas as tentativas de se estabelecer a paz com os palestinos naquela região seca e pedregosa. Não curto religiões e esse conflito eterno que acontece justamente no berço das 3 grandes me parece reforçar o irracionalismo da crença no sobrenatural, mas - ainda assim - tenho que reconhecer que algumas religiões são ainda mais irracionais que outras. Os judeus conseguiram construir uma civilização no meio do deserto, enquanto os muçulmanos mal conseguem deixar as suas mulheres mostrarem os cabelos. A crença - também irracional - de que a riqueza de uns é causada pela pobreza de outros torna a coisa ainda mais incompreensível aos olhos brasileiros que, invariavelmente, torcem pelo lado mais fraco apenas por ser mais fraco. Não se perguntam o motivo de um lado ser mais forte do que o outro porque não percebem os valores que separam a civilização da barbárie. Torcem pelo Davi (palestinos) contra o Golias (judeus) e nem percebem a ironia da situação. Também não tenho muita esperança de que a razão compareça a uma guerra santa, mas o Shimon Peres, lá pelo final do documentário, falou uma coisa importante. Disse que achava que tinha dado muita importância aos aspectos estratégicos e diplomáticos do conflito e estava querendo se concentrar mais no aspecto econômico. Não sei exatamente o que ele quis dizer com isso, mas imagino que seja um aprofundamento do comércio entre os dois povos. Isso seria genial porque quem tem interesse em trocar não faz guerra, dá o que tem pelo que não tem. Pra que esse comércio aconteça, é importante que exista um direito à propriedade bem definido, o que me leva ao raciocínio: se o comércio é o caminho da paz, a propriedade privada é indispensável à paz porque não há comércio sem propriedade. Dêem terras aos palestinos - com seus direitos e deveres - que os ressentimentos históricos, aos poucos, vão se atenuar até chegar o dia em que a negociação não vai se dar mais entre estados e religiões, mas entre indivíduos atrás de seus próprios objetivos.

Friday, March 12, 2010

A decepção internacional com Lula

"Na realidade, o comportamento de Lula não é surpreendente. Em 1990, quando o Muro de Berlim foi derrubado, o líder do Partido dos Trabalhadores apressou-se em criar o Fórum de São Paulo com Fidel Castro para coordenar a colaboração entre as forças violentas e antidemocráticas da América Latina. Ali estavam as guerrilhas das Farc e do ELN na Colômbia, partidos comunistas de outros tantos países, a FSLN da Nicarágua e o FMLN de El Salvador. Enquanto o mundo livre celebrava o desaparecimento da União Soviética e das ditaduras comunistas no Leste Europeu, Lula e Fidel recolhiam os escombros do marxismo violento para tratar de manter vigente o discurso político que conduziu a esse pesadelo, e estabeleciam uma cooperação internacional que substituísse a desvanecida liderança soviética na região. No Brasil, sujeito a uma realidade política que não pôde modificar, Lula comporta-se como um democrata moderno e não se afastou substancialmente das diretrizes econômicas traçadas por Fernando Henrique Cardoso, mas no terreno internacional, onde afloram suas verdadeiras inclinações, sua conduta é a de um revolucionário terceiro-mundista dos anos 60. De onde vem essa militância radical? A hipótese de um presidente latino-americano que o conhece bem, também decepcionado, aponta para sua ignorância: 'Esse homem é de uma penosa fragilidade intelectual. Continua sendo um sindicalista preso à superstição da luta de classes. Não entende nenhum assunto complexo, carece de capacidade de fixar a atenção, tem lacunas culturais terríveis e por isso aceita a análise dos marxistas radicais que lhe explicaram a realidade como um combate entre bons e maus.' Sua frase final, dita com tristeza, foi lapidar: 'Parecia que Lula, com sua simpatia e pelo bom momento que seu país atravessa, converteria o Brasil na grande potência latino-americana. Falso. Ele destruiu essa possibilidade ao se alinhar com os Castro, Chávez e Ahmadinejad. Nenhum país sério confia mais no Brasil'. Muito lamentável". Carlos Alberto Montaner (http://arquivoetc.blogspot.com/2010/03/carlos-alberto-montaner-decepcao.html).

As idéias têm consequências

Leio o jornal todas as manhãs e ele sempre me dá assunto. Na capa do Segundo Caderno está o Arnaldo Bloch entrevistando o Sílvio Tendler. Falam de utopias, um eufemismo pro comunismo que Tendler defendeu a vida toda. Não mencionam o nome porque hoje em dia pega meio mal, mas também não há nenhuma autocrítica do tipo "a gente acreditava, mas a idéia se mostrou uma merda". Quer dizer, o Tendler diz que "nos anos 60 se comemorava a revolta cultural chinesa até se descobrir nos 80 que foi um massacre federal". A revolta cultural foi um movimento de cima pra baixo imposto pelo Partido Comunista chinês que deixou sei lá quantos milhões de mortos em nome da construção de um "novo homem". O comunismo matou mais do que o nazismo e continua sendo considerado um humanismo, é ou não é revoltante? Reparem que são poucos os esquerdistas de hoje que ainda falam em "comunismo", mas todo aquele aparato teórico marxista continua passeando incólume por aí como se nada tivesse acontecido e ainda fosse uma filosofia respeitável. Não é, o socialismo não foi uma tragédia por causa de um desvio dos homens no poder, foi uma tragédia porque subordinava o indivíduo ao coletivo e isso nunca vai funcionar porque o homem não é um cupim ou uma massa moldável de acordo com os interesses do partido. Disso não falam, cercam o lourenço com nostalgia e passam pro próximo assunto. No caso, uma adaptação pro cinema de um livro de um rabino que explora uma outra maluquice: a separação entre corpo e alma. Depois de tecer loas aos cultuadores da força (os comunistas), é a vez dos cultuadores do sobrenatural (os religiosos).

Thursday, March 11, 2010

O mito do assistencialismo escandinavo reexaminado

"Embora os países escandinavos apresentem uma quantidade extremamente alta daquilo que Rothbard classificou como intervenção binária - isto é, tributação -, seu ponto forte é sua quantidade relativamente mais baixa de intervenção triangular - isto é, regulamentação. Isso coloca os países escandinavos no mesmo nível de competitividade de outros países desenvolvidos, e ajuda a explicar por que eles são capazes de apresentar um padrão de vida equivalente ou até mesmo maior. O juízo falso de que os outros países ocidentais são muito mais voltados para o livre mercado do que a Escandinávia é algo desastroso, pois alimenta a ideia de que uma maior expansão governamental nesses países traria felicidade e euforia para todos, quando na realidade isso só pioraria as coisas. Entretanto, a principal conclusão de tudo isso é que, no mundo todo, a liberdade está tão ausente, que mesmo os enormes estados assistencialistas da Escandinávia podem ser considerados como estando entre os países "mais livres" do mundo. Ao passo que as coisas têm geralmente se encaminhado para a direção correta na Escandinávia em termos de maior liberdade econômica, o exato oposto parece estar ocorrendo em vários outros países, especialmente nos EUA. Considerando que este já caiu para o mesmo nível da Dinamarca em termos de liberdade econômica, é de se imaginar quanto tempo levará para que encoste na Finlândia, na Noruega e na Suécia." Markus Bergstrom (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=632).

Wednesday, March 10, 2010

Política: a arte do almoço grátis impossível

A política funciona assim: uma galera se reúne pra reivindicar os seus direitos. Quais? Sei lá, o direito de estacionar no shopping de graça. Então o político X na câmara de vereadores Y pensa: "Vou criar uma lei obrigando os shoppings a fornecerem vagas sem cobrar por elas. É genial, porque vou poder dizer que garanti esse 'direito' e ficar bem na fita com esses eleitores." Só que essa vaga não caiu do céu, há um custo por aquele espaço e a sua manutenção que, pro político, não faz a menor diferença porque não é ele quem vai pagar. Ele faz a sua demagogia com o dinheiro alheio e isso é, em essência, o que fazem os políticos e as suas leis maravilhosas: tiram de uns pra dar pra outros, cobrando uma generosa comissão no meio do caminho. Como os recursos são escassos, o que acontece nesse intervencionismo é uma guerra de todos contra todos pelo almoço grátis que não é grátis porque tem sempre alguém bancando a refeição. No caso dos shoppings, esse custo vai ser repassado pras lojas, que - por sua vez - vão repassar pro preço dos seus produtos. Ou seja, a sensação de almoço grátis que o motorista teve ao estacionar ali é anulada pelo aumento de preço dos produtos que ele vai comprar dentro do shopping. A lógica econômica é uma coisa maravilhosa que te liberta de um monte de incompreensões. Recomendo. (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=535)

Por que toda discussão política termina em Cuba?

Porque Cuba é o horizonte utópico da turma no poder, a ditadura de estimação de todos os esquerdistas latino-americanos. Eles tentam disfarçar, mas os fatos falam por si só. Fidel e Che são os modelos, os profetas, os santos do outro mundo possível. Então se o camarada mete o pau em Cuba, logo aparece alguém pra relativizar a ditadura louvando a sua educação e a sua saúde. Yeah, right, que bela educação essa em que só são permitidos os livros escolhidos pelo ditador e que bela saúde essa em que o ditador vai se tratar com médicos de outros países. Cuba é emblemática porque ali está revelada toda a verdade da alternativa à economia de mercado e aos direitos individuais. Não há liberdade de imprensa, não há liberdade de ir e vir e não há liberdade de iniciativa. Ou seja, as pessoas devem seguir as ordens do ditador se não quiserem ir pra cadeia. Tal arranjo é indefensável, mas no Brasil tem muita gente que considera aquilo bacana, inclusive o seu presidente e o seu partido que dominam amplamente a máquina estatal - além dos departamentos de ciências humanas das universidades que formam a, digamos, elite intelectual do país. Isso é ou não é preocupante e digno de discussão?

Tuesday, March 09, 2010

A guerra contra o ego

Se as pessoas estão mais interessadas em parecer muito humanas que falar das coisas como elas são, paciência, isso só reforça em mim a recusa em dourar a pílula em troca de popularidade. Até porque o que se considera como humanismo por aí é, pra mim, anti-humano. Pode reparar que quando Sicrano é classificado como um humanista é porque tem uma folha de serviços prestados ao socialismo e à sua manifestação prática, o estatismo. E esse anti-individualismo - ao invés de elevar o homem - o diminui, desqualificando as suas aspirações como manifestações de um terrível egoísmo. Quem se levanta contra o ego está se levantando justamente contra o que o indivíduo tem de mais particular e único. "O Ego representa um conjunto de idéias, vontades e pensamentos que movem a pessoa e desenvolvem a sua perspectiva diante da sua própria vida. É a experiência que o indivíduo possui de si mesmo." Sem um ego saudável, não se tem auto-estima e sem auto-estima a pessoa vira um alvo fácil pra demagogia dos representantes do governo, de Deus ou do diabo que o carregue. Sem ego e auto-estima, o homem deixa de ser um animal racional com seus próprios objetivos e se transforma num meio sacrificável aos objetivos dos outros, os tais humanistas.

Monday, March 08, 2010

Evolução e "darwinismo social"

Estava eu discutindo, na boa, com um amigo marxista quando lá pelas tantas ele soltou um "você não acha que estejamos vivendo uma evolução eterna, ou acha?". Retruquei que a evolução não entrou em modo de espera por causa da luta de classes e fiquei matutando sobre aquilo. Não é porque o homem foi capaz de formular e compreender a teoria da evolução que os seus efeitos foram suspensos, a vida é dinâmica e continuará a ser dinâmica enquanto houver vida. Então o amigo marxista falou do "darwinismo social" e me lembrei que a simples menção desse termo, em certos círculos, já é o suficiente pra desqualificar o outro como alguém sem nenhum sentimento ou empatia. A idéia que se faz do "darwinismo social" é a de que "o homem é o lobo do homem" e que essa competição selvagem é plenamente justificável. Claro, isso é apenas uma caricatura usada pra justificar um controle central cujos membros, aparentemente, não sofreriam desse mal intrínseco ao resto da humanidade. Será que o "darwinismo social" não passa, na realidade, de um outro nome pro "capitalismo"? Será que quem denuncia com tanta indignação moral o "darwinismo social" está livre dele? Vou tentar aprofundar o assunto durante a semana.

Friday, March 05, 2010

Boom and Bust

Como disse na semana passada o economista José Roberto Mendonça de Barros: "aqui todos começaram keynesianistas e terminaram gastadores". Coluna da Miriam Leitão no O Globo de hoje. Tentativa braba de livrar a cara do amado keynesianismo, porque a receita de Keynes pra enfrentar a recessão é justamente essa, gastança governamental. Ou não é? Então a coisa vira apenas um questão de gradação, tipo, quanta gastança é necessária pra estimular a demanda agregada sem que se aumente a dívida pública a níveis insustentáveis? O keynesianismo - ou a interpretação que os governos convenientemente dão e ele - se encaixou como uma luva ao credo estatista porque dá margem a todo tipo de intervenção causada pelas chamadas falhas do mercado. Só que o foco não deve estar nas falhas do mercado, deve se concentrar antes nas falhas do governo que causaram as falhas do mercado. O mercado não age, ele é meramente um processo, quem age e causa desequilíbrios nesse processo são os governos. Sobre o assunto, um vídeo divertido e esclarecedor que trata das diferenças de abordagem entre Keynes e Hayek (http://www.youtube.com/watch?v=d0nERTFo-Sk).

Thursday, March 04, 2010

Sobre o Banco do Brasil

Enquanto todas as loas são jogadas pelos jornais e analistas do mainstream sobre o desempenho do Banco do Brasil, há que se contextualizar a sua atuação. Pra começar, as pessoas ficam demonizando os lucros dos bancos privados e se esquecem que o governo é o maior banqueiro do país. Com uma diferença: quando algum prejuízo acontece, o banco estatal pode contar com o dinheiro do contribuinte. Não estou livrando a cara dos privados, que também são socorridos pelo dinheiro dos outros (o sistema bancário não deixa de ser um cartel), mas enquanto os privados estão atuando com uma alavancagem de 12 pra 1, o Banco do Brasil vem usando 20 reais de ativos pra cada real de patrimônio. (http://rodrigoconstantino.blogspot.com/2010/02/uma-bolha-de-credito-estatal.html) O objetivo declarado é "estimular o crédito como política anticíclica", o mesmo receituário keynesiano que criou a bolha imobiliária nos EUA, com a diferença que, no caso brasileiro, o Banco Central coloca os juros nas alturas pra enxugar esse crédito excedente. Ou seja, afrouxam de um lado pra efeito de propaganda e apertam de outro pra conter o risco inflacionário.

Wednesday, March 03, 2010

A questão do Irã

Tento compartilhar do princípio da não-agressão, que afirma que a força só deve ser usada como reação a uma agressão prévia, mas alguns eventos me fazem relativizar esse princípio. Por exemplo, quando o presidente da teocracia iraniana diz que pretende "varrer Israel do mapa" e inicia o enriquecimento de urânio, fico com uma pulga atrás da orelha. Será que Israel e os EUA devem esperar o Irã construir e usar a bomba pra - aí sim - tomarem uma providência? Será que a ameaça em si já não configura uma agressão? Claro que a partir do momento que o Ahmadinejad cumprir o prometido e realmente "varrer Israel no mapa", a reação de países com um potencial nuclear muito superior poderia também "varrer o Irã do mapa", mas aí milhões de pessoas já teriam morrido em Israel e outras tantas morreriam no Irã. Resta torcer, por enquanto, por uma saída diplomática, mas como confiar numa saída diplomática envolvendo uma teocracia islâmica que patrocina o terrorismo?

Keynesianismo segue destroçando o Reino Unido

"O que o Reino Unido necessita é de uma total mudança de direção. Controlar o déficit. Elevar as taxas de juros para que se possa restaurar a confiança na libra e remunerar a poupança. Cortar impostos para estimular o empreendimento e o investimento. Ainda assim, a verdadeira lição do Reino Unido para 2010 é muito mais ampla. Um país não pode sair de uma recessão por meio da gastança. E o governo não pode corrigir um problema simplesmente fazendo mais daquilo que gerou esse problema. Ele não pode aumentar o endividamento e facilitar o crédito para resolver um problema que foi causado justamente por endividamento excessivo e juros baixos. No país onde nasceu, a economia keynesiana está sendo testada. Se a economia britânica não estiver crescendo em ritmo saudável ao final de 2010, o fracasso da teoria será óbvia para todo mundo." Matthew Lynn (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=622).

Tuesday, March 02, 2010

O hospício tributário brasileiro

Um dos segredos do estado pra manter o cabresto bem apertado sobre os contribuintes é complicar ao máximo as normas tributárias, fazendo com que seja praticamente impossível (ou inviável) estar em dia com todas as obrigações com o Leão (sacanagem com um animal tão nobre e majestoso). Isso faz parte do chamado custo Brasil, tanto é que as empresas normalmente mantêm um departamento apenas pra lidar com todas as minúcias do hospício tributário brasileiro, seja pra ficar em dia ou pra usar de manobras fiscais pra pagar menos. De qualquer maneira, se a Receita Federal encasquetar com uma determinada empresa e quiser enquadrá-la, dificilmente ela escapará do escrutínio dos fiscais, porque as regras não foram feitas pra facilitar, foram feitas pra complicar. Então volta e meia você vê nos jornais operações espalhafatosas dos fiscais da Receita Federal mandando a seguinte mensagem: Your ass is mine, motherfucker. If you don't pay all the money to us, you are going to jail. Claro que os mais ricos dificilmente vão pra cadeia - o sistema não foi feito pra isso - mas a mensagem de que o seu negócio é uma concessão estatal que pode ser cassada a qualquer momento fica bastante clara.

"Receita Federal aperta cerco a grandes empresas"

Quando eu era criança pequena lá em Barbacena, eu vibraria com uma notícia dessas. Claro, eu ainda votava no PT e achava que bastava tirar dos ricos pra dar pros pobres pra justiça social ser instalada no reino de terra. Não era bem inveja, era uma incompreensão do processo econômico aliada a um autoritarismo que eu não reconhecia como tal, no melhor estilo déspota esclarecido: "Se o governo fizer o que eu acho correto, as coisas vão melhorar." Só que o que eu achava correto não era correto nem no plano moral e nem no plano, digamos, pragmático. Não é moral porque se a riqueza foi conquistada pelo esforço através de trocas voluntárias, ela é o resultado material de uma virtude e, por isso mesmo, não deve ser punida, ao contrário, deve ser estimulada. Se a riqueza foi conquistada através da corrupção e do roubo, o caso é de polícia e não da Receita Federal. Essa punição aos ricos também não funciona no plano pragmático, porque se um lugar pune a acumulação do capital, os donos dessa poupança vão pra outros lugares mais amigáveis: paraísos fiscais, por exemplo. Então o governo sedento de recursos pra fazer a sua demagogia e pagar os seus agentes vai ficar sem ter a quem taxar e a quem usar como bode expiatório pra justificar a pobreza alheia.

Monday, March 01, 2010

Zuenir e Niemeyer

Ser contemporâneo desse gênio é um alento. Se as coisas não vão bem, há sempre o consolo de poder dizer: mas nós temos Niemeyer. Zuenir Ventura sobre Oscar Niemeyer no O Globo. Qual é o grande mérito desse "gênio"? Fazer construções de concreto armado pros governos ou ser o stalinista mais antigo do Brasil? Desconfio que o Niemeyer não foi eleito o "brasileiro do século" por causa da sua arquitetura, mas por constituir o norte ético de jornalistas como o Zuenir Ventura. Nunca vi babação de ovo tão abjeta, esses caras já souberam disfarçar melhor.