Monday, March 15, 2010

Shimon Peres e o processo de paz

Assisti a um documentário sobre a vida do Shimon Peres num daqueles canais perdidos da NET que apenas expedicionários do controle remoto como eu dão o devido valor. O atual presidente de Israel era assistente de Ben Gurion na criação do estado judeu e refletia sobre todas as tentativas de se estabelecer a paz com os palestinos naquela região seca e pedregosa. Não curto religiões e esse conflito eterno que acontece justamente no berço das 3 grandes me parece reforçar o irracionalismo da crença no sobrenatural, mas - ainda assim - tenho que reconhecer que algumas religiões são ainda mais irracionais que outras. Os judeus conseguiram construir uma civilização no meio do deserto, enquanto os muçulmanos mal conseguem deixar as suas mulheres mostrarem os cabelos. A crença - também irracional - de que a riqueza de uns é causada pela pobreza de outros torna a coisa ainda mais incompreensível aos olhos brasileiros que, invariavelmente, torcem pelo lado mais fraco apenas por ser mais fraco. Não se perguntam o motivo de um lado ser mais forte do que o outro porque não percebem os valores que separam a civilização da barbárie. Torcem pelo Davi (palestinos) contra o Golias (judeus) e nem percebem a ironia da situação. Também não tenho muita esperança de que a razão compareça a uma guerra santa, mas o Shimon Peres, lá pelo final do documentário, falou uma coisa importante. Disse que achava que tinha dado muita importância aos aspectos estratégicos e diplomáticos do conflito e estava querendo se concentrar mais no aspecto econômico. Não sei exatamente o que ele quis dizer com isso, mas imagino que seja um aprofundamento do comércio entre os dois povos. Isso seria genial porque quem tem interesse em trocar não faz guerra, dá o que tem pelo que não tem. Pra que esse comércio aconteça, é importante que exista um direito à propriedade bem definido, o que me leva ao raciocínio: se o comércio é o caminho da paz, a propriedade privada é indispensável à paz porque não há comércio sem propriedade. Dêem terras aos palestinos - com seus direitos e deveres - que os ressentimentos históricos, aos poucos, vão se atenuar até chegar o dia em que a negociação não vai se dar mais entre estados e religiões, mas entre indivíduos atrás de seus próprios objetivos.

5 comments:

Lou said...

Se conseguir lembrar o nome do doc me manda depois? Fiquei curiosa para ver :)
bjs

sol-moras-segabinaze said...

Passou num daqueles canais, acho que 14 da NET, Management TV.

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Sol, acho que rolou uma generalização. Muçulmanos já foram por exemplo a cultura mais civilizada em vários aspectos, principalmente durante a idade média europeia.

Hoje em dia os muçulmanos fanáticos são os que mais chamam a atenção, enquanto os moderados/pacíficos não estão em posição de se unir em uma estratégia clara para a região.

Não sou especialista, mas fica fácil de deduzir que a situação caótica atual do Oriente Médio decorre da dissolução de antigas estruturas de poder nos séculos 19 e 20, como o império Otomano.

Some-se a isso a criação de um país completamente novo dentro de áreas sagradas a três religiões, as várias incursões desestabilizadoras das duas potências na guerra fria (e as guerras americanas após a queda do muro), e você tem esse coquetel incendiário.

Uma parte da responsabilidade é dos sionistas também, mas eles não são os únicos culpados pela matança.

sol-moras-segabinaze said...

Podem ter sido mais avançados numa determinada época, não são mais, não chegaram ainda no iluminismo.

Aliás, em Paris rola uma dinâmica muito intensa com os muçulmanos. Pay attention e depois me diga o que achou.

sol-moras-segabinaze said...

Em Paris e na Europa de um modo geral. As regras pra migração vão ficar cada vez mais duras.