Thursday, May 29, 2008

Wednesday, May 28, 2008

Aborto

Imagino que este seja um daqueles assuntos onde não há e nunca haverá um consenso. Sim, um feto é um ser humano em formação e abortá-lo não é a mesma coisa que tomar um analgésico contra a dor de cabeça. É algo sério que não pode ser banalizado. Ao mesmo tempo, esse feto está no corpo da mulher que, independentemente do que a lei diz, pode simplesmente interromper a gravidez sem deixar nenhum rastro, a não ser talvez em sua consciência.

Então é aquela questão entre o ideal e o real. O ideal seria que toda gravidez estivesse de acordo com o conceito da liberdade (de engravidar) com a responsabilidade (de criar a criança). Mas a realidade nem sempre é assim. Pessoas são impulsivas e fazem coisas que depois se arrependem. Quando tem sexo no meio então, a chance de acontecer algo "imprevisto" é grande.

"
Pensasse melhor antes de transar. Abortar ou não é uma escolha moral".

Verdade. A não ser em casos onde o sexo foi forçado e não houve então "escolha". Ou quando a gravidez representa um risco à vida da gestante.


O aborto é uma violência, mesmo no início da gestação, mas forçar a mulher a ter um filho indesejado - pelo motivo que for - também não me soa bem. Uma saída possível, mesmo que não resolva a situação, é dar informação e estimular o sexo responsável, pra que algo prazeroso não se transforme num dilema de vida ou morte.

Monday, May 26, 2008

2 + 2 =

Esta é a bandeira do tal UNASUL, união dos países sul-americanos lançada há pouco por Lula, Chávez, Morales e companhia.

Olhe bem, preste atenção.

Espero que tal arranjo seja apenas um sintoma temporário da insanidade ideológica que acomete a política local.

Tuesday, May 20, 2008

Arte e estado 2


Então, o Rodrigo Lariú (http://mmrecords.com.br/) me contou da controvérsia no mundo do rock alternativo sobre os subsídios dados pelo governo aos produtores de festivais musicais.

Se há uma lição econômica crucial em tempos de estatismo é a de que qualquer política tem 2 efeitos: aquele que se vê e aquele que não se vê. O que se vê é o incremento de uma determinada cena musical, com o governo dando uma força. O que não se vê é que esses recursos escassos foram retirados de toda a sociedade e foram parar na mão da burocracia estatal, que decidiu então o seu destino de acordo com os seus critérios políticos.

Sob a lógica fria da economia, não é uma alocação eficiente de recursos. É compreensível que poucos artistas consigam público o suficiente pra se sustentar num país como o Brasil. É difícil em qualquer lugar. Além do descompasso entre a oferta e a demanda, é um perigo toda a atividade cultural de um país se tornar estado-dependente. Outro dia mesmo, a capa do Segundo Caderno era o Luís Carlos Barreto anunciando que o seu próximo filme seria sobre a história do atual presidente. Ora, um filme patrocinado pelo governo sobre o dono da chave do cofre tem alguma chance de não ser uma exaltação?

Isso não é arte, é propaganda. Não se trata de personalizar uma crítica em A ou B, mas de apontar os problemas de uma cadeia de incentivos que desestimula a independência e a contestação próprias da arte.

Ou o cão morde a mão de quem o alimenta?

Saturday, May 10, 2008

Zico


Eu gosto do Brasil e quero que isso aqui dê certo. Há uma analogia comigo mesmo. Um espelho interligado. O bem de um é o bem do outro. Passar de um estado menos satisfatório pra um mais satisfatório é o objetivo de todo mundo. Como fazer isso é que são elas viam o galinho e pensavam: "até que dá um caldo" de galinha, a musa paradisíaca resolveu mudar de vida tornando-se pudica e responsável, trabalhando e pagando as contas iam e vinham os marcadores e o zico passava a bola entre as pernas pega mal num vestiário declaradamente heterossexual
Então o Brasil joga e eu torço. Mas a pessoa não escolhe nascer no Brasil da mesma maneira que escolhe votar em Fulano. Nascer aqui é uma circunstância, assim como são alguns traços da personalidade. Ou o modo de ser de alguém é resultado apenas do ambiente? Não, agora a musa paradisíaca era moça direita, largou as drogas e a night maltratavam o seu fígado total flex, zico dá uma bicicleta pruma fã numa promoção do cassino do chacrinha tinha as chacretes exercitavam a imaginação da musa paradisíaca, que sonhava em fazer parte daquilo, o high society deu então uma banana pros seus devaneios
Porque o mundo não se dobra às nossas vontades. Os recursos são escassos e as demandas infinitas. Então você tem que se virar com as suas circunstâncias e limitações. Agora, há uma diferença entre nascer no Brasil ou na Austrália. Assim como também há uma diferença entre nascer no Brasil ou na Namíbia, o escrete canarinho goleia a seleção local com 3 gols de zico, a excursão ao continente africano se encerrou, ensimesmada em seu quarto, musa paradisíaca mesmerizou-se "no mundo virtual posso ir aonde eu quiser apenas com um toque" de categoria, encobrindo o goleiro, zico marca mais um pelo flamengo eu vi passando a musa não é de se jogar fora não
Então é assim, eu e o Brasil tentando nos equilibrar entre os princípios do prazer e da realidade. As commodities podem ter subido de preço, mas ninguém disse que seria fácil. Democracia dá trabalho, a maioria é guiada pela emoção e falar simplesmente em oferta e demanda não tem o voto de quem tá com necessidades mais urgentes, a musa paradisíaca não emplaca um princípio do prazer há alguns anos - coitada! - travada de culpa desde o fim da sua fase desregrada, a anarquia instalou-se e imediatamente criou-se regras são importantes, quais regras é que são elas corriam atrás do zicão, mas ele não dava bola não, era casado e fominha quando tinha que ser flamenguista, musa paradisíaca achou - coitada! - que ia terminar com(o) o zico é eterno nessa brasila

Friday, May 09, 2008

70 maneiras de contraditar o instinto da morte com um futuro assim cor-de-rosa


"Viena, 7 de fevereiro de 1930
Caro Dr. Pfister,
Chove lá fora e, assim, tenho uma hora diante de mim para responder à sua bondosa carta de ontem, sem maiores delongas.
Nem todas as notícias que você dá de sua pessoa são boas, mas que direito temos nós de esperar que tudo deva andar favoravelmente? De qualquer modo, fico satisfeito com pelo fato de você escrever sobre você mesmo e sobre seu trabalho, suas esperanças e frustrações. A distância física faz facilmente com que as pessoas se afastem, se não têm notícia uma da outra e não passem por experiência comuns. Há alguma coisa especialmente preciosa acerca das relações pessoais que o trabalho compartilhado assim como os interesses de ambas as partes não podem substituir completamente; e nós ambos, neste momento, quando nos tornamos consciente das diferenças irredutíveis, fundamentais entre nossas atitudes básicas em relação à vida, temos uma razão particular - e, espero, uma tendência - a incrementar tais relações.
Você está certo ao afirmar que os meus poderes mentais não se arrefeceram com os anos que me sobre passam (mais de setenta), embora essa capacidade registre marcadamente a influência da idade. Há três maneiras de efetivar-se a desintegração dentre as quais a natureza faz a sua escolha, segundo os casos individuais - a destruição simultânea da mente e do corpo, a decadência mental prematura acompanhada da preservação física e a sobrevivência da vida mental acompanhada do declínio físico; e, em mim, o terceiro caso e o mais benevolente é que se tem verificado. Muito bem, então tirarei partido dessa circunstância favorável a fim de contraditar a sua sumária indulgentemente crítica por meio de uma defesa modesta ainda mais sumária.
Examinarei apenas um ponto. Se duvido do destino do homem que ascenda através da civilização até o estado de maior perfeição, se vejo em sua vida uma luta constante entre Eros e o instinto da morte, cujo resultado me parece indeterminável, acredito que, ao chegar a tais conclusões, não tenha sido influenciado por quaisquer de meus fatores constitucionais ou por atitudes emocionais adquiridas. Não sou um autoflagelador nem um fomentador malicioso de discórdias. Gostaria de dar-me a mim mesmo e aos outros algo de bom, e acharia muito mais belo e consolador se pudéssemos contar com um futuro assim cor-de-rosa. Mas isto me parece um outro exemplo de ilusão (uma satisfação de desejos) que se acha em conflito com a verdade. A questão não é saber que espécie de crença é mais confortadora ou mais cômoda ou mais vantajosa para a vida, mas sim qual delas pode aproximar-se mais intimamente da enigmática realidade que, afinal de contas, existe fora de nós. O instinto de morte não é uma exigência do meu coração; parece ser inevitavelmente um pressuposto, tanto no terreno biológico quanto no terreno lógico e psicológicio. O resto segue-se dessa constatação. Desta forma, a mim o meu pessimismo parece uma pressuposição a priori. Deveria também afirmar que realizei um casamento de conveniência com as minhas tenebrosas teorias, enquanto os outros vivem com as suas num colóquio amoroso. Espero que alcancem uma felicidade maior desse fato do que eu.
Sem dúvida, é perfeitamente concebível que eu possa estar enganado em relação a todos esses três pontos - a independência das minhas teorias em relação à minha índole, a avaliação dos meus argumentos para a fundamentação dessas teorias e o seu conteúdo. Você bem sabe que, quanto mais imponente é a expectativa, tanto menos é a certeza que a cerca, e também maior a paixão - na qual não desejamos ser envolvidos - com que os homens tomam suas posições.
Posso imaginar que há milhões de anos atrás, na idade Triásica, todos os grandes -odontes e -térias mostravam-se orgulhosos do desenvolvimento da raça dos sáurios e olhavam para o futuro sabe lá Deus com que expectativas de um porvir grandioso para eles mesmos. E, então, com a exceção do desgraçado crocodilo, todos eles sucumbiram. Você objetará: "Muito bem, mas esses sáurios não pensaram nada disso! Não pensavam em nada a não ser forrar o seu estômago. O homem, todavia, acha-se equipado com uma mente que o capacita a pensar acerca do seu futuro e a nele acreditar." Está certo, há seguramente algo de especial em relação à mente, embora muita pouca coisa se saiba a seu respeito e sobre a sua relação com a natureza. Eu, pessoalmente, tenho um grande respeito pela mente, mas terá a natureza este mesmo respeito? A mente é apenas uma pequena parte da natureza, o restante da qual parece passar-se muito bem sem ela. Será que a natureza se permitirá a si mesma ser influenciada, de uma forma de qualquer modo mais extensa, em referência à mente?
Invejável é aquele que se sente mais confiante acerca de tudo isso do que eu.
Com cordiais saudações,
Freud"

Questões indígenas


Eu quero entender. Será que naquela imensidão verde não tem terra o suficiente pra se acomodar tanto os índios quanto os agricultores? Qual a necessidade de ser uma área contínua, de se desalojar pessoas que tiram dali o seu sustento há décadas? Ah, a terra não pertence aos índios, ela é do governo. Mas só os índios podem se instalar ali. Como é terra sem dono - o que é de "todos" acaba não sendo de ninguém - preparem-se pra mais desmatamento à margem da lei, problemas na fronteira e conflitos entre colonos e indígenas. Uma saída poderia ser o estabelecimento de direitos de propriedade claros na Amazônia, o que daria os incentivos adequados pro desenvolvimento sustentável daquela região. Humm, então a lei diz que o índio que pratica o comércio perde a condição de inimputável? Sei. Queria entender como é que o governo faz pra monitorar essa transição de indígena a cidadão... Complicado.

Impressões


A dinâmica de poder Da mesma maneira que a sociedade construiu o estado com o poder que ele tem hoje, a sociedade também pode diminuir a esfera da sua atuação. Também não parece razoável atribuir à democracia (maioria) a palavra final sobre todo e qualquer assunto. Certas liberdades devem estar ao alcance de todos. Concordo que os processos de mudança devem se dar da maneira mais orgânica possível, sem revoluções drásticas baseadas em purismos ideológicos.

1964
Não dá pra ter certeza do que aconteceria não houvesse o golpe militar. A história de Jango e seus aliados podia apontar uma aproximação com os comunistas, mas não dá pra prever como isso se daria de fato num país grande e complexo como o Brasil. Os jovens idealistas que entraram depois na luta armada perseguiam outros modelos que não a democracia. Seus ídolos (Che, Mao, Trotsky, etc) eram todos comunistas e dizer que lutavam pela democracia é falsificar a história em proveito próprio, como o caso das indenizações ilustra bem. Talvez fosse melhor que os militares não tivessem se metido. Talvez a predominância da mentalidade esquerdista não fosse tão profunda como é hoje. Não dá pra saber, só dá pra especular.

A marcha da maconha
Sem falar na liberdade de expressão, vou repetir aqui o argumento crucial na defesa da legalização das drogas: o meu corpo me pertence e tenho o direito de consumir o que eu quiser, desde que eu não invada o direito dos outros. Esse é o principal motivo, o indivíduo é um fim em si mesmo, não um meio sacrificável em prol do projeto coletivo que seja. Temos de ter a liberdade de fazer as próprias escolhas e arcar com as suas conseqüências. O limite é a natureza e o direito dos demais. Se os traficantes vão perder uma fonte de renda, beleza. Se vão passar a cometer outros crimes, que a política de segurança se torne efetiva, com menos impunidade. A legalização inclusive facilitaria o trabalho da polícia, que poderia se ocupar dos crimes efetivamente com vítimas. Reclamam dos 50 mil assassinatos por ano no Brasil, mas não percebem que boa parte dessa matança é efeito colateral da legislação, do confronto da polícia tentando enxugar gelo combatendo o tráfico à disputa entre os próprios traficantes pelos pontos de venda. Sem falar na corrupção. A guerra anti-drogas está perdida, sustentando-se num autoritarismo moral "pro nosso próprio bem". Eu não sou súdito do estado e nem de nenhuma igreja pra me conformar com tal situação.

Thursday, May 08, 2008

Meio pro fim


"Não me surpreende a prevalência do pensamento socialista-reparatório neste país. Uma guerra eterna de todos contra todos, ganha por quem tem o aparato estatal nas mãos. Estimular o conflito com a anuência das leis, eis a noção de justiça do politicamente correto brasileiro."
- Uma ova. Uma guerra de todos contra todos, ganha por quem tem mais dinheiro. O pobre só se ferra.
O pobre é limitado por suas circunstâncias, claro. Mas o ponto é justamente que o excesso de intervencionismo piora ainda mais esse quadro.
Quando a lei garante, por exemplo, diversos direitos trabalhistas, as pessoas olham e automaticamente concordam.
- É pro bem do trabalhador, contra a exploração. Sou a favor.
Eu também quero que o trabalhador tenha as melhores condições possíveis. Acontece que a exigência de certos direitos contraria certas realidades do mercado, jogando as pessoas na informalidade ou no desemprego. Não é porque o empresário é malvado ou ganancioso que isso acontece. Você no lugar dele faria a mesma coisa. Ou alguém aqui abriria um negócio com a intenção de falir?
- Mas ele quer uma taxa de lucro maior.
Você não seria diferente. Mas manter lucros exorbitantes num mercado aberto à competição atrai novos empreendedores. Quem ganha é o consumidor. Você é um consumidor, mesmo que seja com o dinheiro dos outros.
O único ente que não vai à falência é o estado. Não porque seja particularmente competente, mas porque tem fonte garantida de recursos. É razoável que o estado atue com certas políticas reparatórias, contanto que ele também garanta as trocas de bens e serviços assentadas na propriedade privada, sem regulações excessivas que atentem contra a realidade econômica.
A história e a lógica da ação humana mostram que é assim que um país deixa de ser subdesenvolvido e passa a ser desenvolvido.

Wednesday, May 07, 2008

18


Ou eu poderia deixar de ser chato e conclamar a paz na Terra a todos os homens de boa vontade.
Quem poderia ser contra tão nobre objetivo?
Desenho de Picasso sob encomenda de Stálin.
Peace and Love.