Tuesday, March 23, 2010

A brasileirização dos EUA

O Merval Pereira é enxergado por alguns setores da intelligentsia nacional como um articulista neoliberal, mas é apenas um social-democrata, o máximo de direitismo permitido no debate político nacional. Na sua coluna de hoje no O Globo, o Merval cometeu um parágrafo sobre a reforma de saúde do Obama que não resisto em reproduzir: "É importante fixar na sociedade americana esse conceito de solidariedade, desde a utilização de automóveis e combustíveis menos poluentes até a cobertura de saúde para todos, a necessidade de as pessoas deixarem seu individualismo de lado para preservar o meio ambiente ou apoiar os mais necessitados." Entre as imposturas politicamente corretas, se destaca a suposta dicotomia entre o individualismo e a solidariedade. Os EUA sempre foram o país onde mais se praticou a solidariedade voluntária, aquela que não precisa da intermediação do governo, aquela que não dá margem pro desvio de recursos ou pro seu uso político. Os EUA se tornaram o país mais rico e livre do mundo justamente por causa do seu individualismo e vão perder essa condição com o abandono gradual desse individualismo em prol da coletivização da sua economia. Quando os americanos se derem conta, talvez seja tarde demais.

3 comments:

Anonymous said...

Os EUA são o pais mais livre do mundo?. E aonde se mais pratica a solidariedade voluntaria como? Dê exemplos, por favor. Num país onde vc não pode deixar de cortar sua grama.Não pode consumir alcool em público?. Não pode nem andar de skate na rua em algumas cidades.

sol-moras-segabinaze said...

Se eles são "mais livres" é porque isso se dá em comparação a outros lugares. Eles não são totalmente livres, óbvio, mas são ainda mais livres do que a maioria do mundo. Ainda. Sobre a solidariedade, lembro daquela terrível tsunami na Ásia, quando vieram dos EUA as maiores doações. Porque também é o seguinte: não há o que se doar quando não há previamente a criação de riqueza. Então se você quer estimular a solidariedade, você tem que estimular antes a criação da própria riqueza, coisa que a coletivização não faz.

rodrigo.feijao said...

respondendo ao anônimo: seus exemplos são todos de decisões tomadas localmente, seja na municipalidade (counties) ou no estado. Portanto, muito mais fáceis de serem alteradas. Uma federeção de verdade, em resumo.

Coitado do brasileiro que acha que bagunça = liberdade. esta conta é muito mais cara do que qq coletivização da economia ou endividamente público. Como diz o prof. Iorio, só existe liberdade quando ela é completa. E é exatamente por isso que nos EUA tudo o que está acontencendo é discutido e rediscutido, politicamente e juridicamente, com instituições fortes. BEEEEm diferente do brasil, né? Ou precisa de mais exemplos?

Quanto a solidariedade que o Sol explicou tão bem... é só pegar uma lista, fácil de achar (lá), de ONGs bancadas pelo estado versus ONGS bancadas pela iniciativa privada. Quer comparar com uma lista similar brasileira? Não vai conseguir. Sabe pq? Pq esta lista não existe, e eu chutaria que ela é 100% composta de ONGs que recebem PELO MENOS parte de suas receitas do estado (federal, estadual ou municipal).

é a função distributiva do estado! há!