Tuesday, August 11, 2009

"Eu não quero julgar ninguém, mas..."

Julga mesmo assim. É automático e quem abre uma frase assim é porque provavelmente tem o julgamento mais sumário da história da humanidade. Você coloca o olho sobre alguma coisa e o seu sistema de valores imediatamente sai distribuindo juízos de valor a torto e a direito. Qual é o seu sistema de valores é que são elas. Se ele está de acordo com a sua prática, então não há contradição. Se ele vai de encontro ao que você mesmo faz, a sua mente fica perturbada e você começa a dizer coisas do tipo "não quero julgar ninguém, mas..." e dá-lhe então não juízos, mas mesquinharias, recalques e invejas de valor. Qual o problema, afinal, de julgar? Não é meramente uma opinião jogada ao vento, o julgamento é necessário inclusive pra nossa sobrevivência. "Vale a pena fazer isso com essa pessoa? Não seria perigoso? Fulando tá 'viajando'... Beltrano é um 'galinha', etc". Julgar é se colocar no lugar do outro, não do alto de uma torre de marfim, mas como alguém com tantas possibilidades e potencialidades quanto você. Só assim há a chance de um julgamento justo. Se você superestima ou subestima a capacidade do outro além ou aquém do do que você mesmo é capaz, o julgamento será injusto. A gente julga, e pode ter certeza de que estamos também sendo julgados o tempo todo. Este texto mesmo, no meu julgamento, está um tanto confuso, mas há uma nesga de reflexão que talvez valha a pena. Eu não queria julgar, mas não resisto.

10 comments:

Anonymous said...

Caro Sol, a gente tá sempre no modo automatico pra tudo na vida, inclusive julgamento. Tr frio é julgamento que o corpo faz das condições atmosféricas e manda manesagem ao cérebro pra ele resolver a parada rapidinho senão ele, o corpo, entra em colapso, pega um resfriado, um troço assim.
A gente faz julgamento quando atravessa a rua, quando corre porque julga que o carro vai pegar.
Nosso corpo julga qualquer perigo, somos uma máquina de julgar, e qualquer coisa em sentido contrário
é um julgamento falho. Porque quem julga aceita implicitamente a falha, e se esborracha no chão.
Abs, Fred. (Alô, Abigail, em que post você está, que eu não vi?)

sol-moras-segabinaze said...

Indeed.

Anonymous said...

Missão em nome do }Senhor. Não senhor, você, Fred, mas Senhor, o
genérico. Abraços, Abigail.
(Lê-se com sutaque américâno, como
Abigueil, porque minha mãe é de Natal, mas meu pai era américâno, e
fazia questão do sutaque)

Anonymous said...

Abigail,sem querer ser indelicado, mas pelas minhas contas, o senhor seu pai foi um dos americanos que na segunda guerra veio para natal
e ficou nas bases militares, não é?
Em assim sendo, a senhora é uma senhora de, digamos, certa idade, já que isso se deu há mais de 60 anos, quase 70 anos, is that correct, dona abigail?

Anonymous said...

Caro Fred, vamos deixar essas contas pra lá e enjoy! abigail

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Saber e admitir que a gente julga tudo é importante para a compreensão do mundo, o relacionamento com os outros e a saúde mental.

Porém outra coisa importante é decidir quando devemos expôr o julgamento e quando precisamos esperar para verificar os desdobramentos.

Adicionando outra coisa importante nem sempre é bom lembrar aos outros que seu julgamento foi o mais acertado.

No fundo o bom senso deve prevalecer, na minha opinião. As pessoas não querem ser lembradas dos seus erros ou dificuldades o tempo todo.

Meu nome é com sotaque francês no Moras ("morrá"), por favor.

sol-moras-segabinaze said...

Bem colocado, Monsieur Morrá.

Anonymous said...

Esse é o MOrrá que eu conheço!

Tati said...

Gente, adoro o Raphael!

O Sol tb! Alias, adoro todos os primos que eu conheço!

hahahahahahaha

Tati

sol-moras-segabinaze said...

;-)