Monday, August 10, 2009

Missão de Moisés em nome de "Eu sou"

"Os israelitas continuavam gemendo e clamando sob dura escravidão. E os gritos de socorro devidos à escravidão subiram até Deus. Deus ouviu os seus lamentos e lembrou-se da aliança com Abraão, Isaac e Jacó." Essa é boa. O onisciente "lembrou-se" do sofrimento justamente do "povo escolhido" por ele. Moisés vivia como pastor em Madiã. Um dia, "apareceu-lhe o anjo do Senhor numa chama de fogo, do meio de uma sarça. Moisés notou que a sarça estava em chamas, mas não se consumia. Pensou: 'Vou aproximar-me para admirar esta visão maravilhosa'. Vendo o Senhor que Moisés se aproximava para observar, Deus o chamou do meio da sarça: 'Moisés!' Ele respondeu: 'Aqui estou!' Deus lhe disse: 'Não te aproximes daqui! Tira as sandálias dos pés, porque o lugar onde estás é uma terra santa'". Crazy stuff, maaan. "Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó". Se, hoje em dia, um camarada se anuncia como "Deus", ele é imediatamente desqualificado como uma curiosidade do naipe de um Inri Cristo. "O Senhor lhe disse: 'Eu vi a opressão do meu povo no Egito. Desci para libertá-los das mãos dos egípicios e fazê-los sair desse país para uma terra boa e espaçosa, terra onde corre leite e mel." Hummm. Onde fica isso? "Para a região dos cananeus, dos amorreus e dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus."Ah tá, sei onde é que é. Deus então enviou Moisés como seu representante para libertar os israelitas, mas Moisés ficou bolado: "Quem sou eu para conseguir isso?" Deus respondeu: "Eu estarei contigo; e este será para ti o sinal de que eu te envio." Moisés ainda achava que faltava credibilidade à história e insistiu: "Mas se eu for aos israelitas e lhes disser: 'O Deus de vossos pais enviou-me a vós', e eles me perguntarem: 'Qual é o seu nome?', o que devo responder?" Boa pergunta. Deus disse a Moisés: "Eu sou aquele que sou". E estamos conversados.

2 comments:

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Pensei numa cousa engraçada. Se alguém critica passagens incoerentes da Bíblia (como a do "lembrou-se") os crentes pedem para relativizar, ampliar a nossa capacidade de compreender e interpretar.

Por outro lado quando os crentes querem impôr (ou apenas discorrer sobre) suas crenças não há o menor espaço para interpretação. Se está escrito é porque deve ser verdade.

Mais um paradoxismo da religião...

Esse livro do Thomas Mann é ótimo, sobre o mesmo assunto:

http://www.commentarymagazine.com/viewarticle.cfm/the-tables-of-the-law--by-thomas-mann-17

sol-moras-segabinaze said...

É isso mesmo, Rapha.

Vou ler o texto, li a biografia do Thomas Mann e é excelente. Acho que ele escreveu um livro só sobre José.

Ab