Friday, August 28, 2009

A contracultura

Muito se fala sobre a caretice, o reacionarismo e o conservadorismo da sociedade americana. Realmente, isso existe. Mas há também o outro lado da moeda, aquele que se revelou em reação justamente a esse apego "à moral e aos bons costumes". Não que a moral e os bons costumes sejam coisas execráveis, não sou um porra-louca inconseqüente - um comunista "libertário" - cujo projeto de vida é destruir a civilização e as regras que garantem a convivência. Estou tentando, pra variar, explicar aos antiamericanos de plantão que, ao mesmo tempo em que há, de fato, uma moral puritana americana, há também a liberdade de questioná-la. Foi essa liberdade que permitiu o surgimento dos beatnicks - dos Burroughs e Ginsbergs da vida - do rock'n'roll - dos Elvis e Dylans da vida - e dos hippies - dos Learys e Woodstocks da vida. Todos esses movimentos "muito loucos e transgressores" que aconteceram nos EUA e foram, de alguma maneira, assimilados pela cultura popular do mundo inteiro, não surgem numa sociedade estática ou planejada de cima pra baixo. Sim, estou fazendo um paralelo com a alternativa não capitalista. Quais foram as grandes inovações culturais que vieram dos países que se opunham ou se opõem aos EUA? Onde estava a juventude rebelde soviética naquela época? Caladinha, com a rédea curta. Claro que o anticapitalismo não passa de uma tremenda hipocrisia propagandeada com objetivos políticos totalitários, mas não custa lembrar dessa realidade mais uma vez.

7 comments:

Johann Heyss said...

ditto

Fabio Marton said...

Eu tava comentando isso com um amigo meu ontem. A contracultura tem certo paralelo com seitas malucas (quakers, shakers, amish) e, se você pegar extremistas americanos politicamente corretos, eles se comportam basicamente seitas puritanas - veja os vegans mais radicais. É muito diferente da esquerda europeia.

Anonymous said...

Amigo meu pegou um carro em LA e foi até Nova Iorque, mas pelas estradas secundárias, que vão sair naquelas cidades de 4, 5, 10 mil habitantes. O que mais chamou a atenção dele foi que ele parecia ter saído - ou estar entrando - num livro de ilustrações do Norman Rockwell. Todos aqueles estereótipos que o bom e velho Norman retratou tão bem durante décadas estavam presentes - desde a torta de maça, passando pela cadeira de balanço na varanda, gente aparando a grama em frente de casa - tudo igual ao que era há 50, 60, 100 anos. Nada que lembrasse de longe algo parecido com contracultura. No lugar de hipies, nerds. No lugar de muscle cars e big blocks, bikes. Pode ser a trombada da crise, que mostrou aos americanos com quantos paus se faz uma hipoteca. Pode ser sinal dos tempos mesmo, os pessoal mais interessado em fazer coisas produtivas do que ficar contestando o sistema - até porque foram eles que colocaram o boneco lá. Que aliás, nestas pequenas cidadezinhas, está descendo a ladeira, devagar, mas sempre. fred

moscaazul said...

Woodstock é sacanagem, meu caro. Semana que vem escrevo sobre isso, agora estou debatendo sobre os nossos nativistas.

Anonymous said...

No Brasil tivemos as dunas da gal, ao lado das obras do interceptor oceânico, que levava o esgoto para o alto mar. Sempre achei que havia uma bela metáfora aí. Rolava topless e um ou outro cigarrinho de maconha. País pobrinho, aquele enorme Paraguai, a contracultura ficou por isso mesmo, e mais dois ou três artigos do Maciel que, evidentemente, ninguém entendia.
Depois foi tudo mundo pra Arembepe onde a praia pelo menos era melhor.

sol-moras-segabinaze said...

hehe

Os artigos do Luiz Carlos Maciel, bem lembrado, o "guru". O Tropicalismo também.

Eu mesmo, de alguma maneira, sou meio que resultado daquilo ali.

Anonymous said...

Outro dia o Maciel apareceu na televisão, falou do Pasquim, os bons tempos, parecia feliz e próspero, fiqeui também contente e quase fui nas dunas da gal, mas fiquei com medo da pivetada que volta e meia pinta por lá. A contracultura nacional acabou por medo de ladrão, que tristeza!