Wednesday, July 01, 2009

A voz do povo não é a voz de Deus

Os populistas não vão concordar, mas paciência. Na América Latina há um furor plebiscitário muito conveniente pra quem quer concentrar poder. Os maiores absurdos da história, aliás, foram cometidos "em nome do povo". Os comunistas se diziam representantes dos proletários. Mussolini e Hitler foram eleitos. No Iraque, Saddam Hussein tinha 99% dos votos. Fidel, idem. No Irã, só se candidata quem é previamente aprovado pelo tal "Conselho dos Guardiões", mas o Lula foi logo legitimando a eleição comandada pelos aiatolás porque, sabe como é, "eles são contra uzianqui". Chávez quer transformar a Venezuela na nova Cuba e está conseguindo isso através de eleições. Ora, se 51% das pessoas decidirem escravizar as 49% restantes, isso vai ser justo? Não, por isso que - antes da vontade da maioria - há que se ter leis e normas que protejam os direitos mais fundamentais das minorias. Na verdade, o poder executivo não deveria ser mais do que um síndico, que cuida da segurança dos moradores e das áreas em comum. Essa visão diminuiria o poder dos "salvadores da pátria" que volta e meia se apresentam como justiceiros de conflitos, reais ou imaginários. Será que a chegada ao poder do grupo que passou décadas falando em "justiça social" melhorou realmente a vida das pessoas mais necessitadas? Nem precisaria de estatísticas pra perceber que não, bastaria usar a lógica econômica. Mas quem liga pra isso quando se pode adular as massas com palavras e propaganda? A intelectualidade conivente trata então de passar um verniz legitimador e o resto paga a conta.

9 comments:

rodrigo.feijao said...

sol, vi esta ´noticia´ no destak e de cara fiquei boquiaberto.... faço questão de ler este estudo, de cabo a rabo, para saber como este bando de desavisados consegui provar que pobre paga mais imposto que rico. que tipo de processo surreal foi utilizado para avaliar os impostos pagos por quem mora em favela, por exemplo... iptu? seguro contra incendio? imposto sobre gato? e os impostos federais, direto na fonte, como INSS e IRPF? quem tem trabalho informal paga isso COMO?@!?!?!

sol-moras-segabinaze said...

Feijão, esse estudo foi feito pela turma do Porchmann, um comuna absolutamente louco que queria instituir uma jornada de trabalho 3 dias por semana, 4 horas por dia. O Roberto Campos dizia que a "estatística é a arte de torturar os números até eles dizerem o que a gente quer".

O que o Porchamnn e o Sicsú querem é aumentar ainda mais o imposto de quem ganha mais, por isso esse estudo maluco.

sol-moras-segabinaze said...

Um estudo feito pelo IPEA (instituto do governo insuspeito de simpatia pelo liberalismo) mostrou que os mais pobres passam mais tempo pagando impostos do que os que têm mais renda (http://economia.uol.com.br/ultnot/infomoney/2009/06/30/ult4040u20316.jhtm)

Tirei do texto, é mesmo caô brabo, Feijão.

Ricardo said...

Nesse caso, nem é caô, Sol. O cálculo é bastante correto, porque como boa parte dos impostos sobre os pobres vêm embutidos, eles acabam pagando mais sobre menos. É claro que aqui não estamos falando de quem rouba eletricidade e água, mas do pobre que cumpre a lei. Tem imposto para cacete na comida, nos remédios, na energia elétrica etc.

Anonymous said...

Não conheço os autores do estudo para dizer o que eles pretendem com o tal, mas este imposto de que fala o texto não seria aquele que é embutido nos produtos? Como ocorre nos gêneros alimentícios, industrializados, etc.
E a afirmação: "pobre paga mais imposto", não seria em referência ao fato de se arrecadar mais com os pobres devido ao grande contigente?
Ou eu entedi tudo errado?
Abç, Sophia

sol-moras-segabinaze said...

Pode ser, Sophia.

Eu até queria que isso fosse verdade, mas suspeito de que esse estudo tem um viés ideológico muito forte pra ter alguma credibilidade.

sol-moras-segabinaze said...

Ah, certamente que o pobre que segue a lei paga, proporcionalmente, mais. Mas esse deve ser minoria. Nem culpo o camarada que não paga imposto, os tributos é que deviam baixar dramaticamente pra estimular essa gente a ficar dentro da lei.

Do jeito que está, é praticamente impossível.

Anonymous said...

Como disse o Ricardo, "O cálculo é bastante correto, porque como boa parte dos impostos sobre os pobres vêm embutidos, eles acabam pagando mais sobre menos".

O problema é como a turma do ipea - que não descobriu a pólvora; isso é sabido há muito tempo - trata o tema, de fato usando-o como desculpa para "aumentar ainda mais o imposto de quem ganha mais".

Basta ler a declaração do Porchmann, de que "Ser proprietário no Brasil é ser beneficiado pelo sistema tributário brasileiro ao passo que ser rico também é ser beneficiado pelo sistema tributário brasileiro".

No fundo, para bom entendedor, a leitura é de que o estado, com seus impostos, tolhe mais o pobre do que o rico.

Isso, poucos dias após nosso guia que preferia manter a cobrança dos impostos para "dar pro pobre".

É pena que ver tanta gente, no meio do qual nossos bolivaristas reclamam só para conseguir mais influência por persuasão e intimidação, serviu de garoto de recado para essa malta.

Anonimato por uma questão de prudência profissional.

sol-moras-segabinaze said...

É por aí mesmo.