Thursday, July 02, 2009

Os golpes dentro dos golpes

Por motivos que não vêm ao caso, estou mergulhado na vida de Carlos Lacerda. Consigo ver a expressão de nojinho do leitor de esquerda. Claro, Lacerda era um anti-comunista ferrenho, algo que, sem dúvida, me aproximou dele. Mas por que estou falando mesmo dele...? Ah sim, o golpe em Honduras. Não me parece tão diferente do que aconteceu no Brasil em 1964. João Goulart era uma marionete de Moscou, dizia Lacerda. Não sei, mas o seu séquito (Brizola, Darcy Ribeiro, Miguel Arraes, etc.) e os sinais que ele mandava eram de quem tentava socializar o Brasil. Pra quem considera isso uma coisa bacana, é lógico que o golpe dos militares (chamado de "revolução" por Lacerda) foi algo terrível. Pra quem tinha horror aos bolivarianos da época, o golpe se justificava e Lacerda o apoiou como governador da Guanabara. Tenho sentimentos conflitantes: se Jango conseguisse implantar naquela época o coletivismo, provavelmente o PT não teria o poder que tem hoje e o socialismo não teria ainda essa aura de superioridade moral. Em todo caso, é difícil imaginar o que teria sido. Em Honduras, o presidente deposto tentou ir contra a constituição promovendo referendos bolivarianos sob a chancela de Chávez. Os militares interviram e deram um pé na poupança do cidadão. É fácil de notar como a repercussão segue os pendores ideológicos do emissor: quem é de esquerda, considera o golpe um absurdo; quem não é de esquerda, acha que foi restabelecida a lei e a ordem. Li uma frase de Hayek que traduz bem o momento latino-americano: "No momento em que for dominada por uma doutrina coletivista, a democracia destruirá a si mesma, inevitavelmente." Foi o que aconteceu no Brasil em 1964 e é o que acontece hoje em Honduras.

2 comments:

Bianchini said...

Ih, teve uma parte que não saquei: ali nos sentimentos ambíguos, faz parecer que tua única restrição ao golpe de 1964 é a chance perdida de desmoralizar o socialismo. Mas não combina contigo.

sol-moras-segabinaze said...

Poxa, tenho centenas de restrições com a ditaduira militar, tantas quanto o número de estatais criadas pelo Geisel. hehe

Tenho que sair agora, mas vou pensar e escrever de repente um textinho a respeito.