Wednesday, July 22, 2009

Sobre a diferença entre crentes e ateus

Como o Pedro (http://oindividuo.com/) não disponibiliza comentários no seu site, vou dar por aqui mesmo um pitaco sobre o que ele escreveu: "(...) O melhor que consegui até agora foi o seguinte: diante da complexidade do mundo, o crente pressente a existência de uma inteligência transcendental, ao passo que, para o ateu, esse pressentimento é um passo indevido, uma projeção de quem observa o mundo. O crente, ao perceber algo mais vasto que sua própria inteligência, julga tratar-se da obra de outra inteligência; o ateu, ao perceber algo mais vasto que sua própria inteligência, julga que o domínio dessa vastidão virá com o tempo. Parece que as duas atitudes refletem duas posições a respeito de uma possível ciência universal. De um lado, o crente pergunta ao ateu: “E quando ficar evidente que a ciência universal é impossível, você passará a crer?” E o ateu pergunta: “E se a ciência universal acontecer, você deixará de crer?” É um tanto irresistível observar que, dita assim, a posição atéia parece se basear não num prometeanismo voluntarista, mas num prometeanismo inevitável: a transcendência não será mais necessária porque conquistá-la é só uma questão de tempo." Não sei exatamente o que ele quer dizer com "ciência universal", mas imagino que seja a explicação científica de tudo o que acontece ou aconteceu no mundo. Ora, não me parece justo dizer que o ateu ache que todas as respostas serão inevitavelmente dadas pela ciência um dia. Mais coisas certamente serão compreendidas com o tempo, mas não necessariamente todas elas. Se estivesse numa aposta, eu cravaria que a origem do universo nunca vai ser completamente explicada. Um "não sei", no entanto, não equivale a dizer que as lacunas do conhecimento sejam evidências da existência de uma entidade sobrenatural.

12 comments:

Ozzie said...

"Um "não sei", no entanto, não equivale a dizer que as lacunas do conhecimento sejam evidências da existência de uma entidade sobrenatural."

Como também não equivale a descartar por completo a possibilidade de uma entidade superior.

sol-moras-segabinaze said...

"Por completo" certamente que não.

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Temos a razão, a intuição e nossos sentidos para observar, analisar e explicar o mundo. Existe algo não observável ou explicável através dessas ferramentas?

O homem pode evoluir biologicamente e ganhar novas ferramentas?

Explicar o universo equivaleria a ter o conhecimento do tamanho do universo. É colocar o infinito em um corpo finito. Não me parece razoável.

Spacey said...

O texto é bem interessante, mas eu penso nessa diferença de forma diferente. Considerando a tal "ciência universal" como algo improvável (um crente diria impossível, um ateu geralmente prefere o termo "improvável"), o crente se conforma que não conseguirá atingí-la e atribui o desconhecido a uma entidade superior. O ateu por sua, não aceita esse conformismo e se mantém em busca de informações para concatenar o maior número possível de respostas. Não saber não é problema para um ateu, parar de procurar saber e "sentar" na resposta mais simples, sim.

Enfim, um dos motivos que sou ateu é exatamente por considerar a crença em uma entidade superior um tipo de conformismo. Algo do tipo "as uvas estão verdes".

Spacey said...

@Ozzie: nada deve ser descartado por completo...

Spacey said...

"eu penso nessa diferença de forma diferente." -- ô frase sem vergonha... Bom pra eu aprender a revisar o que escrevo antes de apertar "send" >_<

Fabio Marton said...

Sinceramente, ele me deixa meio puto quando baixa o carola surdo. Primeiro cita a quinquae viae de São Tomás de Aquino como se "ninguém tivesse respondido". Puta merda, Hume e Kant já desmontaram isso há mais de 200 anos, e está tão fácil que hoje até eu respondo: http://nottupy.blogspot.com/2008/12/deus-um-buraco-negro.html.

Agora esse "god of the gaps" é saída pra lá de desonrosa. Deus é varrido pra baixo do tapete a cada nova descoberta da ciência: houve uma época em que ele jogava pessoalmente os relâmpagos, agora limita-se a ser um buraco negro no início do Universo, sem qualquer prova de racionalidade, capaz até mesmo de não existir mais. Além disso, é logicamente falacioso, argumetno ad ignorantian, dizer que o desconhecimento de uma coisa é evidência de outra. Não saber como surgiu o universo em nada contribui para a tese de uma criação sobrenatural, apenas não refuta ela completamente.

sol-moras-segabinaze said...

É isso aí.

Renato said...

A diferença entre crentes e ateus é Deus.

Mauricio said...

Entre no link
http://www.youtube.com/watch?v=9NMJXUHL_lA&eurl=http%3A%2F%2Fwww.revistazepereira.com.br%2Ftragam-me-a-cabeca-de-diogo-mainardi%2F&feature=player_embedded


Avance até 6:06, dê o play e assista por uns 30 segundos.
Abraço,
Mauricio

http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com

sol-moras-segabinaze said...

Verdade, Renato.

sol-moras-segabinaze said...

Poxa Maurício, você acha que os ateus devem andar de 4?

Que preconceito! haha

Vou escrever algo a respeito.