Tuesday, July 14, 2009

Comparação superficial entre católicos e evangélicos

É bem superficial mesmo, como diria Nelson Rodrigues, do tipo que "as formigas atravessam com a água pelas canelas". "Melhor então se manter calado!" Pense o que quiser. Os evangélicos têm pior reputação. Um cara do meu círculo social que dissesse que virou evangélico seria quase como se anunciasse que contraiu Alzheimer. O cidadão cai no conceito geral. "Alzheimer não é uma escolha!" Verdade. Se tivesse virado macumbeiro, o estrago não seria tão grande. Claro que diante da "revelação" e da sensação de ter encontrado o Senhor, o camarada não dá grandes importâncias ao que os outros pensam. Passa a ser associado então aos pastores em geral e ao Edir Macedo e suas sacolas de dinheiro em particular. (http://www.youtube.com/watch?v=GUuQDL8Qnkg) O catolicismo recebe mais respeito. Não o respeito absoluto que os católicos gostariam de receber, porque também há resistência. Mas há uma liturgia e um desapego maior aos bens materiais, pelo menos é a minha impressão, que os associam a uma busca espiritual mais séria. A força dos evangélicos pode vir justamente do seu apelo aos prêmios terrenos pela crença, ao dinheiro especificamente. Os católicos parecem mais desapegados disso, focados que dizem estar no "amor ao próximo". Isso é bonito, mesmo que muitas vezes inaplicável. Não sei, este é um diagnóstico de alguém que não acredita em Deus e nem demoniza o dinheiro, mas que cresceu entre católicos. Talvez isso tudo diga mais sobre a tendência de nos identificarmos com os nossos e estranharmos os outros do que qualquer outra coisa.

3 comments:

Raphael Moras de Vasconcellos said...

O que diferenciou os protestantes (evangélicos neopetencostais entre os protestantes atuais) dos católicos foi a questão da grana.

Sebastian Volta said...

Realmente, quem vira evangélico, no Brasil, ganha um olho torto. Mas, tirando o aspecto místico-religioso, que não dá pra crer, mesmo, a história do protestantismo (excluindo pentecostalismo, é claro) é bem mais interessante que a do catolicismo, que é uma mentira do começo ao fim. Se não fossem as revoluções protestantes, ainda estariamos na Idade Média e não haveria liberalismo.

sol-moras-segabinaze said...

Os protestantes certamente participaram ativamente da revolução americana, mas será que a defesa das liberdades individuais não existiria sem essa religião?

Será que essa idéia não existiria independentemente da religião que seja?

Os católicos também poderiam argumentar sobre os escolásticos espanhóis e a sua defesa da subjetividade do valor e da propriedade privada.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=83