Friday, June 26, 2009

Os planos obâmicos são uma negação da realidade

"No início da década de 2000, o Federal Reserve manipulou para baixo a taxa básica de juros, jogando-a para níveis não justificáveis pela realidade do mercado. Essa ação ludibriou consumidores e produtores a incorrer em investimentos que eram insustentáveis. Em particular, toda essa energia financeira artificialmente criada foi despejada no mercado imobiliário, um setor que já vinha sendo uma prioridade política para vários governos sucessivos. Para entender as implicações disso, imagine o que aconteceria se um restaurante chique passasse a oferecer uma refeição de cinco pratos acompanhada de vinho francês a rodo para todos os clientes - tudo por $1. Os clientes seriam abundantes e pródigos? Pode apostar. Eles inclusive seriam descontrolados e extravagantes, optando por enfrentar a enorme fila e se divertir no restaurante ao invés de fazer outras coisas durante esse tempo. O restaurante ficaria constantemente lotado, agitado e alegre, embora obviamente ele não possa sustentar indefinitivamente tal situação. Não obstante, a diversão é ótima enquanto dura. Em algum momento, porém, a realidade inevitavelmente se impõe. O gerente observa que não há mais mesas e talvez nem haja mais comida. Os empregados estão exaustos. Ademais, a contabilidade não está fechando: eles estão perdendo dinheiro a cada refeição servida. Em algum momento, o gerente terá de dar as más notícias e todos terão de voltar pra casa. Foi esse ciclo de expansão e contração que, grosso modo, acometeu a economia americana. Os planejadores políticos, entretanto, parecem sempre trabalhar com a hipótese de que podem manter o crescimento artificial para sempre - para isso, basta manterem os juros em queda constante. Isso é o equivalente a um dono de restaurante achar que pode continuar mantendo as pessoas esperando na fila mesmo sabendo que não há mais mesas, comida e funcionários à disposição. Seria uma impossibilidade física e econômica ele tentar cumprir suas promessas." Lew Rockwell (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=318).

5 comments:

Antonio said...

É isso aí, Sol.

Henry Paulson e sua equipe de PhDs são incapazes de enxergar essa coisa tão simples e cristalina "chamada realidade".

Vivem no mundo da lua.

O único que enxerga a Realidade é o Mises. E você.

(E o Olavão também, eu suponho. Se bem que, no caso dele, com a ajuda dos astros.)

Mal aê, mas não me contive...

sol-moras-segabinaze said...

Argumento de autoridade não funciona aqui e nem me impressiona, Antônio.

Krugman é PhD, ganhou Nobel e fala diversos disparates.

Hayek, por outro lado, tinha PhD e também ganhou o Nobel e falou coisas preciosíssimas.

A força do argumento vale por si só.

rodrigo.feijao said...

mais do que isso, meu caro Sol. Este restaurante é analogia não só para estados, mas para empresas de maneira geral (claro, nem todas). Reparem os problemas técnicos do Speedy ou a dificuldade no atendimento na Net, na Oi ou em qualquer outra prestadora de serviços do país e do mundo. Em todos os casos, a lógica é manter indefinidamente a entrada de dinheiro sem se importar como será aplicado, a visão torpe que afundou a Chevrolet e muitas outras gigantes do passado, e que certamente irá perdurar (e fazer novas vítimas) com tanta intervenção e dinheiro fácil (para salvar empregos, diriam).

Antonio não entende o seguinte: há valores (e interesses) diferentes nestes discursos, e cabe a quem ouve refletir e principalmente, estudar, para que se possa ter uma visão crítica do que se escuta.

(e vc entendeu a comparação com ´olavão´? naquele corpo vive outro tipo de liberal, meu amigo.... tá faltando conhecimento aí).

sol-moras-segabinaze said...

Depois do argumento de autoridade (Fulano é PhD e ganhou o Nobel, não pode estar errado), o argumento ad olavium é um dos favoritos da esquerda.

Antonio said...

Sol e Feijão

Não há "argumento de autoridade" nenhum de minha parte. Isto seria apenas uma tolice, claro.

O que eu quis dizer é que "os planos obâmicos são uma negação da realidade" é uma afirmação que supõe o completo despreparo, amadorismo, falta de noção ou seja lá que outro termo vcs queiram dar para designar a equipe econômica que está comandando o bacen americano.

Em outras palavras, vcs podem achar que eles estão equivocados, que no fim a política econômica que eles estão adotando trará mais prejuízos do que benefícios etc. -- mas dizer simplesmente que eles "não estão em contato com a realidade" é um pouco demais. É um radicalismo que ultrapassa o limite da crítica sensata.

Percebem a diferença entre uma coisa e outra?

Quanto ao Olavão, bem, já li o suficiente dele para saber que de anarquista ele não tem nada. (Aliás, acompanhei atentamente a campanha dele para provar que Obama é queniano, e que portanto não poderia ser sequer candidato à presidência dos EUA. Hilário.)

Foi mais uma provocação mesmo... Mal comparando, o argumento ad olavum é um dos preferidos da esquerda, assim como o argumento ad chavez é um dos preferidos da direita -- pq ambos se prestam ao ridículo, ué. Prato cheio pra dar uma porradinha.

E Feijão, "refletir e principalmente, estudar, para que se possa ter uma visão crítica do que se escuta" é a minha profissão. É como ganho a vida.

Abs,