Wednesday, October 14, 2009

A rebeldia a favor

O cerco está fechando. Com a popularidade que o atual governo alcançou, surge a possibilidade de se aprovarem leis e medidas que concentrem ainda mais poder no estado, limitando a liberdade de expressão. E essa enorme aprovação não vem apenas da parte menos informada e carente da população, vem também dos formadores de opinião que de tanto papagaiarem que a "justiça social" era a solução, conseguiram finalmente colocar o PT no poder. Não falo só dos formadores de opinião "caretas", dos socialistas jurássicos, essa aprovação vem de uma galera irreverente, underground, de roqueiros muito antenados que acham que o país está no caminho certo com o Lula e o PT. Veja um representante da "contracultura" nacional falando mal da VEJA ou da Rede Globo e testemunhe um eleitor das esquerdas, um autoritário do "bem", um membro do status quo estatista. Essa galera gosta tanto de contestação que, se dependesse dela, a única revista de oposição seria fechada. Falam da VEJA com uma raiva que já nem disfarça a baba. O gene totalitário exige a unanimidade e não admite dissidências. "Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados", disse o Millôr Fernandes, que também cutucou alguns dos heróis da contestação a favor: "Quer dizer que a oposição ao regime militar não era ideologia, era investimento?" Como estão agora no poder, correm o risco de virar vidraça. Era tão mais romântico ser pedra, não é verdade? Os vizinhos camaradas então dão o exemplo de como resolver isso: basta passar uma lei pra "democratizar os meios de comunicação" e assim calar a boca de quem não concorda com o rumo das coisas. Com "rebeldes" assim, quem precisa de opressão?

2 comments:

João said...

Já vi na poplist - onde entrei e saí três vezes, por falta de saco - um velho produtor udigrudi carioca comemorar que nunca antes na história desta país estivemos tão próximos do poder público e que não se deveria criticar algo tão benéfico. Fiquei realmente decepcionado ao ver alguém que sempre fora 'do it yourself' comemorando a entrada na dependência e na rebeldia a favor.

No geral, acho comum essa (falta de) atitude chapa branca quando o governo de turno é "popular" - e os ajuda a se sustentarem com o dinheiro dos impostos de quem não tá nem aí pra arte genial deles.

Não tenho respeito pela classe artística, que quer ser "rico mas do lado do povo", porque a "burguesia fede". Bom, dinheiro (dos outros) pra comprar perfume eles querem.

Nã é à toa que se contam nos dedos (da mão do ômi) os espetáculos, festivais e quetais cujos logotipos não têm aquele ridículo simbolozinho colorido 'Brasil, um País de Todos'.

cada vez mais, tudo no estado, nada fora doe stado e nada contra o estado.

sol-moras-segabinaze said...

É a hipocrisia bem intencionada dos nossos "outsiders".