Wednesday, October 21, 2009

"A desorganização do futebol brasileiro"

Quando um comentarista se mete a dar um diagnóstico sobre o futebol brasileiro, ele invariavelmente evoca a "falta de organização". Se os jogadores saem novos do país pra jogar na Europa, a culpa é da "falta de organização"; se os estádios ficam vazios, a mesma coisa; se o Brasil perde uma Copa, lá vem a "desorganização" de novo. Qual "organização" eles propõem então? Não se especifica, talvez se ouça aqui e ali um "organização profissional", mas a coisa permanece vaga. Da mesma maneira, se crava a "educação" como o problema maior do Brasil. Todos falam que a "educação" é a solução e estamos conversados. Qual educação? Não vamos complicar, o coro uníssono parece mesmo um grito de torcida organizada: "Ão, ão, ão, eu quero educação!" "Ão, ão, ão, o que falta é organização!" Claro, existem tantas "organizações" ou "educações" quanto estrelas no céu e receitar essas platitudes bem intencionadas sem definir objetivamente os conceitos não adianta muita coisa.

8 comments:

Haemocytometer said...

Bom, em termos de torcida, "organização" me lembra o que eu vi em Minsk: um bando de carecas gritando em perfeito uníssono ao som de um tambor marcial, lembrando aquelas corridas do exército que temos por aqui. Inclusive com faixas de "White Power" penduradas na amurada. :P

sol-moras-segabinaze said...

Que horror.

rodrigo.feijao said...

vamos combinar que isso aí em cima não é muito diferente do que se vê nos arredores do maraca ou do morumbi em dia de clássico, né? não vejo a menor diferença entre o xenofobia louca dos... minsk é onde mesmo? e o fanatismo dos manda-chuvas e fantoches das torcidas organizadas.... pessoas morrem em ambos os casos.

sol-moras-segabinaze said...

Pois é, nego se mata porque o outro tá com uma camisa do time adversário.

O problema é de "organização", porra! haha

Anonymous said...

Ontenzinho mesmo li que o futebol brasileiro está na modesta trigésima quinta colocação em termos de arrecadação. Mas de repente o ingresso lá custa mais, o poder aquisitivo é maior, etc.
Aqui a organização de que se fala se resolve de forma bem simples: cadeia. Dirigente vende fulano por 450, diz que vendeu por 200, bota o resto no bolso e não se fala mais nisso. Os caras estão mais interessados em descobrir craque pra vender do que pra jogar aqui.
Os craques, de maneira geral e absoluta, são os caras que saíram lá dos quintos dos infernos, são os primeiros a soltar fogos quando ganham uma graninha (um centésimo do que levam os dirigentes) e ainda por cima casam com a primeira senhora de vida fácil que se lhes passa pela frente, e como se lhes passam. No exterior qualquer time mambembe da terceira divisão tem os ingressos de seus jogos vendidos com meses de antecedência, a tv não passa ao vivo - exceto um jogo por rodada - e um monte de outras coisas que não lembro agora. Há muito tempo o Sportv fez matéria sobre. Sem contar os deputados. Garrincha jogava à base de injeção no joelho pro Botafogo ganar graninha pela America do Sul em cada lugarzinho de quinta categoria. No Garrincha, no hincha. Pelo menos é uma frase.

Anonymous said...

Futebol aqui é tratado como negócio particular de deputado. Na Europa, Asia, EUA é empresa. Tem neguinho profissa tomando conta, investindo, não deixando picareta se aproveitar da parada. É isso.

sol-moras-segabinaze said...

Aqui nego não quer profissionalizar porque tem medo de perder a bocada, o clube ir à falência.

Então ficam os caras devendo milhões pro INSS e dívidas trabalhistas com o pires na mão pro governo resolver através de loterias (monopólio estatal do jogo).

Aí vem os românticos-espertalhões dizerem que o futebol "não pode ser tratado como um negócio porque envolve paixão".

Pergunta pros dirigentes se eles querem que os clubes se transformem em SA...

Anonymous said...

A solução para este caso existe e é francesa: chama-se guilhotina.