Friday, September 11, 2009

O restaurante japonês

Marx falava da "anarquia da produção". Não li O Capital inteiro (alguém já tentou?), mas é lógico que há uma lógica na produção. É simples de notar isso olhando pra nós mesmos. As pessoas gostam de comer. Claro, elas gostam também de viver. Então vão existir pessoas produzindo comida, é uma necessidade, né? Imagine toda a indústria alimentícia e bebitícia, do produtor artesanal de cachaça ao McDonald's. Eles não existem do nada, há um sentido nessa produção. A variedade de opções corresponde à demanda. As pessoas gostam de beber cachaça e comer Big Mac, qual é o problema? A cachaça deixa a gente embriagado, não é divertido? É um perigo também, mas o que não é perigoso? O Big Mac dá onda também. Nunca comi, mas sinto esse efeito com o McChicken. "Efeito da propaganda!" Não é não, dá onda mesmo. Algumas pessoas gostam dessa sensação, qual é o problema? "As pessoas são manipuladas." Fale por você. Eu não me sinto manipulado quando compro açaí ali no Pin Pin. Eu quero tomar aquele negócio, é gostoso e custa só 2 reais os 200 ml. As pessoas fazem as suas escolhas com o que têm, qual é o problema? Deixe que da minha saúde cuido eu, sou o maior interessado nisso, não? Lógico que a gente faz concessões pra quem a gente gosta. Hoje, por exemplo, uns amigos tão combinando uma ida a um japonês. Eu não sou fã de restaurante japonês, acho os ambientes cerimoniosos e assépticos demais, esteticamente agradáveis, mas caretas. "Preconceito!" É, prefiro um boteco, onde não me sinta constrangido ao beber e falar alto. Mas os queridos querem em peso ir lá, então concedo, vou com a maioria.

8 comments:

Anonymous said...

Peixe cru é bom pra criar sangue.

sol-moras-segabinaze said...

Opa!

Luiz Mário Brotherhood said...

Ninguém (os do outro lado) percebe o quanto perigoso é o tal do discurso "as pessoas são manipuladas", "a propaganda cria necessidades antes inexistentes" (essa tem autor declarado! Galbraith), e esses outros clichês geralmente ligados à Escola de Frankfurt. De onde veio a revolução cultural chinesa de Mao? Ou qualquer queima de meios de comunicação politicamente incorretos, "com o aval da população"?

Falando nisso, fiquei surpreso (ingenuidade?) quando vi, no blog do Rodrigo Constantino, a seguinte citação de Lênin: "Por que deveríamos aceitar a liberdade de expressão e de imprensa? Por que deveria um governo, que está fazendo o que acredita estar certo, permitir que o critiquem? Ele não aceitaria a oposição de armas letais. Mas idéias são muito mais fatais que armas".

PS: amo comida japonesa. Mas o preço... :(

Luiz Mário Brotherhood said...

Sol, obrigado por adicionar meu blog na sua lista! :)

Abraços

sol-moras-segabinaze said...

Pois é, o preço.

sol-moras-segabinaze said...

Seja bem-vindo.

Sebastian Volta said...

É... as pessoas são manipuladas, inclusive por elas próprias -- por seu código genético, pelas suas emoções, pelos seus afetos, por suas experiências, inclusive pela sua razão, quando é falha e leva a conclusões erradas --, todas as pessoas, sem exceção. Um "livre-arbítrio", como "causa de si", totalmente sem influências, não existe. O Estado é formado por pessoas; o Estado é uma abstração. Logo, o Estado é a "pessoa" mais manipulável de todas. Sendo assim, é melhor que as pessoas sejam manipuladas por elas mesmas do que por esta "pessoa artificial" externa. O que faz a vontade ser mais livre é o auto-conhecimento, a auto-análise (ou até um analista profissional, se a pessoa achar que não tem capacidade para tal), para o indivíduo entender porque toma esta ou aquela decisão e não o Estado. Este messianismo estatal é a pior coisa que existe, porque é criado pelas pessoas mais manipuladas que existem; pessoas manipuladas por uma falsa idéia de si mesmas, que acham que são messias seculares emancipadores do "povo". Ou então, são picaretas, mesmo...

Erick Jones said...

Ironia do destino e por falar em "sushi", atualmente na Rússia existe restaurante japonês em cada esquina. Tem até uma rede tipo fast food chamada "Eurasia" ou "Евразия".