Monday, September 21, 2009

Os "progressistas"

Ser de esquerda no Brasil é o normal e te garante um lugar entre as pessoas bacanas, humanitárias mesmo, sabe? Dentro desse espectro, há margem pra pessoa passar uma imagem tanto de moderação quanto de radicalismo. Na prática, é como se desenrolam as eleições no Brasil, entre partidos que mantém a utopia socialista viva, como os PCOs, PSTUs, PC do Bs e PSOLs da vida, e entre os esquerdistas mais "pragmáticos" do PSDB e correntes do PT, que sabem que não há o que se distribuir (de preferência, entre eles) se não houver antes a criação da riqueza. Um jovem universitário "cabeça" e o carioca-médio-da-zona-sul votam no primeiro grupo, naquela galera que se diz "libertária" - naquela liberdade peculiar entendida pelos socialistas, claro - onde você tem a "liberdade" de se submeter a um comitê central. Se acham "anarquistas", mas são mesmo é comunistas. Oh, eu não posso falar em comunismo, sorry. O povo mais pé no chão, sem perder a ternura, vota no PT ou, se tiver 1/100 de neoliberalismo insensível no corpo, no PSDB. A discussão política no Brasil é tão enviesada que o único liberalismo permitido é a social-democracia. Então fica o brasileiro se achando muito legal por ser limitado a uma ideologia que tem o histórico que tem. Oh, eu não posso lembrar essas coisas, sorry. Cercado de aliados bolivarianos por todos os lados, o partido no poder fica só esperando as brechas pra estatizar ainda mais a economia e controlar ainda mais os comportamentos individuais. E esse povo ainda se acha "progressista".

7 comments:

Sebastian Volta said...

De certa forma, não tenho nada contra o socialismo. Acho até muito saudável. Vejamos, só... O contrato de seguro é um socialismo. As pessoas juntam-se para repartir os riscos. Este tipo de contrato iniciou-se na operação portuária quando os donos de embaracações eprceberam que, estatisticamente, x navios afundavam por ano. Como eram y donos de embarcação, se multiplicassem x pelo custo de uma embarcação e dividissem por y e todos pagassem esta quantia, estariam dividindo os riscos e assegurando-se contra as fatalidades da vida. Da mesma forma, uma empresa... é uma assossicação. Se constituo uma empresa, vou querer o bem dos meus sócios. Até dos meus empregados, supervisores, gerentes e diretores. Se minha empresa for bem gerida, operando em escala eficiente de produção, cada integrante dela será indispensável, de modo que se um faltar, terei prejuízos. Mas todos esses socialismos são voluntários!
O problema é o "socialismo" desta dita "esquerda" que é autoritário, coercitivo e, quiçá -- na verdade, na maioria das vezes --, totalitário! O comunismo diz-se ateu, mas, na verdade, é altamente messiânico e baseado num pecado original. É como se cada ser humano nascesse com uma dívida com toda humanidade; como se cada ato não pudesse gerar nenhum proveito para o próprio indivíduo. Este pecado obriga o indivíduo a uma associação e a um seguro obrigatório com toda a humanidade. Qualquer talento que o indivíduo tenha é um pecado -- como dizia Marx -- de cada um, conforme a sua capacidade e, para cada um conforme sua necessidade. Ora... Este sistema nivela por baixo e beneficia os incapazes carentes, pois, se eu tiver uma capacidade nula e uma carência infinita, não terei que fazer nada e vou receber tudo, afinal, necessito infinitamente. Somente um imbecil sem nenhum raciocínio lógico pode aderir a este mandamento.
É claro que isto é só a teoria. Na prática, nenhum estado conseguiu aplicar seu seguro a toda humanidade -- permanecendo nacional -- e, também, não conseguiu chegar ao estágio comunista -- quando o Estado é abolido, de modo que permaneceram socialistas. Assim, os Estados ditos comunistas, na verdade, eram nacional-socialistas ou, abreviadamente, nazistas. Poder-se-ia dizer que na URSS havia várias nações, mas é óbvio que os russos eram privilegiados. Assim como na China, onde a etnia han é privilegiada.
É por isso que penso não existir direita ou esquerda, mas sim fascismo e liberalismo. Nunca houve um estado que atingisse esses tipos ideais, mas, infelizmente, a possibilidade de atingir plenamente o tipo ideal fascista chegou mais perto de existir na realidade do que um liberalismo. Por que? Porque o Estado é necessariamente fascista e, enquanto eles existirem -- assim como a jogatina política inerente a eles --, o ponteiro sempre tenderá para o extremo do fascismo. É o que na teoria do caos chama-se atrator.

sol-moras-segabinaze said...

Sobre o pecado original marxista:

http://sol-moras-segabinaze.blogspot.com/2009/06/os-quadrinhos-tambem-tem-ideologia.html

sol-moras-segabinaze said...

Pois é, o ponteiro está indo demais pro lado fascista, concordo, por isso que é tão importante fortalecer o outro lado, solenemente ignorado ou vilipendiado pelas pessoas que equivalem uma necessidade a um "direito" exercido às custas dos demais.

Socialismo voluntário, como numa cooperativa ou qualquer tipo de associação, não só é possível como é incentivado pelo liberalismo. O contrário, ser liberal numa sociedade fascista-socialista, já não é possível.

Mais uma entre as várias diferenças - abismais, aliás - que separam os individualistas e os coletivistas.

O legal do blog é que você clica num post e acaba lendo 2 textos ou mais sempre que o Volta e outros comentam.

Enriquecem o site paca. Ab

Sebastian Volta said...

Obrigado :D
Era exatamente este o ponto. Tudo que é livre, é, de início, bom. Pode até dar errado, mas a liberdade, em sí, já é boa. O que é feito por coerção, mesmo que gere bons efeitos, não é bom. "Uma sociedade que não é livre, eu chamo de tristeza" -- já dizia Espinosa.

Ainda sobre a "esquerda" brasileira, não podemos esquecer de um setor que se intitula "trabalhista" (PDT, partes do PT, etc.). Trabalhista por que? Por causa de Vargas. E Vargas quem foi? Ditador do Estado Novo. Estado novo por que? Chupação do Estado Novo de Salazar. E este quem foi? Ditador fascista português, inspirado no fascismo italiano de Mussolini. E Mussolini? Era um ex-socialista! Ele editou o jornal socialista Avanti até 1914! Tudo se explica!
Na realidade, o espectro político brasileiro se divide entre fascistas e oligarquistas, não entre esquerda e direita, pois esta divisão é utópica e anacrônica. Com a decadência do oligarquismo, o fascismo parece inevitável e é preciso, mais do que nunca, repensarmos estratégias libertárias para deter este avanço.

sol-moras-segabinaze said...

Fascismo, nacional-socialismo, estatismo, sinônimos que se abrigam sob o rótulo de "esquerda" - o "bem" - e que usam os pobres como massa de manobra e chantagem emocional.

Se você não está com as suas teses, você então está contra os pobres e, portanto, é uma pessoa muito, mas muito, malvada.

A esquerda e seus sinônimos só ganham assim, colocando uma névoa nos princípios, na razão e se concentrando em emocionalismos irracionais, como se fosse desejo dos liberais que os pobres permaneçam pobres. Ora cacete, é justamente o contrário! Tô aqui demonstrando que o estado empobrece as pessoas. Focam nos fins pra não debater os meios, eis a estratégia dos fascistas-socialistas-esquerdistas-nacionalistas.

Sebastian Volta said...

Hehe! Adendo: "o Estado empobrece as pessoas [que não fazem parte do Estado]." Ou seja, entre para o clubinho ou se foda (mas você pode entrar para o clubinho oficialmente -- fazendo um concurso público, sendo eleito ou conseguindo um cargo de confiança -- ou extra-oficialmente -- fazendo lobbys, conseguindo subsídios, monopólios ou isenções, mas, em contrapartida, patrocinando campanhas ou pagando propinas.)

sol-moras-segabinaze said...

True.