Wednesday, September 23, 2009

O nacionalismo 2

Como o federalismo, ou seja, a autonomia dos estados em relação ao governo federal definitivamente não pegou no Brasil, Brasília então concentra a maior parte dos recursos arrecadados e decide, dentro dos seus objetivos políticos, pra quem dar esse dinheiro. A distribuição de renda começa aí, com o camarada de São Paulo tendo que pagar pelos aspones comissionados da Câmara de Vereadores de Macapá. A verdade é que ninguém coloca os "interesses na nação" acima dos próprios. O "nacionalismo" é só mais um recurso retórico de fundo emocional usado pra beneficiar uns poucos em detrimento de muitos outros. A pessoa se coloca em primeiro lugar, depois vem a sua família, seus amigos, conhecidos, seu prédio, sua rua, seu bairro, sua cidade, seu estado e, finalmente, o seu país. "Nacionalismo" não passa de mais um coletivismo tosco, mais um sintoma do abismo que separa o discurso e a prática. Pro consumo externo, a pessoa se apresenta como uma boa samaritana, uma altruísta que se sacrifica pelo "bem comum", pelo "interesse público" ou pela "nação". Na realidade, a pessoa tá ali defendendo o seu, o dos seus amigos e o dos seus grupos de interesse favoritos. O segredo do êxito na política é convencer nessa prestidigitação o maior número possível de inocentes úteis, ao mesmo tempo em que se cerca de pessoas com poder e dinheiro que serão beneficiadas assim que o político assumir o mandato.

2 comments:

Sebastian Volta said...

"Outra estratégia daquele que se diz fora do jogo [do poder] é a de exigir igualdade em todas as áreas da vida. Todos têm de ser tratados igualmente, seja qual for o seu status ou força. Mas se, para evitar o estigma do poder, você quiser tratar todos com igualdade ou justiça, vai se defrontar com o problema de que algumas pessoas fazem certas coisas melhor do que outras. Tratar a todos igualmente significa ignorar as suas diferenças, elevar o patamar dos menos capazes e rebaixar o daqueles que se sobressaem. (...) [Os] que se comportam assim estão na verdade usando uma (...) estratégia de poder, redistribuindo os prêmios da maneira como eles próprios determinam." -- Robert Greene in As 48 leis do poder

Para entender como a democracia representativa funciona (e como ela nada tem a ver com a vontade geral e o bem comum, mas com a obtenção de poder), recomendo Capitalismo, socialismo e democracia de Joseph Schumpeter.

sol-moras-segabinaze said...

Tem pra baixar aqui, ó:

http://www.ordemlivre.org/ebooks/Joseph+Schumpeter+-+Capitalismo,+Socialismo+e+Democracia