Wednesday, September 02, 2009

Flanando sério

Duvidar da influência do homem na alteração do clima virou "coisa de extremista", enquanto ter certeza de que um pouco mais de 2 séculos de atividade industrial é capaz de exterminar o planeta e a espécie humana virou algo perfeitamente moderado e razoável.

4 comments:

loftarasa said...

A maioria dos ditos "ambientalistas" sérios não afirma com certeza absoluta que a ação humana modificou de maneira definitiva o clima global. No entanto, o chamado 'princípio da precaução' é, de certa maneira, um consenso, ainda que nem sempre aceitemos que ele seja aplicado a essa questão em específico. (Quem aqui nunca falou "melhor prevenir do que remediar"?)

A questão central, na realidade, é a palavra "progresso". No paradigma dominante no mundo ocidental moderno, progredir tornou-se fim em si mesmo. Ninguém sabe exatamente pra quê, mas os PIBs têm de crescer, a ciência avançar inadvertidamente e a humanidade alcançar um "grau de desenvolvimento" cada vez maior. A resposta mais costumeira é a que afirma essa ambição como natural aos seres humanos. Ora, numa sociedade onde o avanço tecnológico dá origem a termos como "segunda natureza" e "realidade aumentada" e leva às mesas de bar discussões sobre genética e clonagem, advogar a manutenção do "natural" como premissa última soa anacrônico, no mínimo.

Vale a leitura: http://en.wikipedia.org/wiki/Precautionary_principle

sol-moras-segabinaze said...

Entendo, André. Mas algo que me diz a gente não tem essa influência toda no clima não. "Algo" e outros cientistas também.

De qualquer maneira, acho que o tom tá histeria demais e isso é um perigo. 70% da terra no Brasil já tá protegida pela lei. A gente tem que se desenvolver mesmo se quiser diminuir a pobreza. Se ficar se criando barreiras surreais pra criação de riqueza, como é que se espera acabar com a pobreza?

Daqui a uns essa parada de aquecimento global vai ser comparada com a teoria malthusiana.

Mas posso estar enganado, claro. haha

O que eu quero dizer é que não há consenso científico a respeito disso.

Sobre as precauções, tem de se ver os custos disso, tanto o que vai custar quanto o que vai se deixar de ganhar.

São essas as perguntas.

Sebastian Volta said...

O mundo é engraçado... lá pelo século XIX, a Inglaterra pregava o liberalismo, já que era a mais industrializada e produzia mais eficientemente, de modo que, sem protecionismo dos outros países, seus produtos não teriam competidores de nível para enfrentá-los. O tempo passa... a Alemanha industrializa-se e os ingleses esquecem tudo o que falaram.
Agora, a nova retórica é o ambientalismo. Para manter o mundo nesse "lock-in", os Estados mais ricos pregam a defesa do meio-ambiente para frear o avanço industrial dos países em desenvolvimento. E as massas... obviamente, compram a idéia.

sol-moras-segabinaze said...

Não sei se é tão consciente assim, mas faz sentido.