Tuesday, January 12, 2010

A interdição do debate

Ok, eu não devia chamar os comunistas de "jegues", é deselegante. Mesmo porque o camarada pode ser um jegue no pensamento político e um gênio em outras áreas. Só acho um erro desqualificar a crítica de antemão, como se ela não passasse de um ressentimento mal resolvido que encontra vazão num determinado bode expiatório. "Ninguém é perfeito". Concordo, mas - por não ser perfeito - o homem não tem o direito e até mesmo o dever de lutar contra o que considera errado? Há coisas erradas acontecendo por aí, como não? Não posso falar mal da presidência Lula porque isso não passaria de inveja? Não posso afirmar que o liberalismo é um ideal que vale a pena lutar porque estou assumindo com essa defesa que eu sei alguma coisa que os outros ainda não perceberam e isso é muito vaidoso da minha parte? Tenho que ficar calado porque já nasci pecador e a vida não é mais do que um ensaio pra algo maior? Não posso me expressar porque tudo não passa de um jogo de cena pra me justificar? "Por que não olha pra dentro de si antes de sair apontando o dedo por aí?" Uma coisa não exclui a outra, ora bolas. Quem te garante que a minha angústia com os meus próprios problemas não é maior do que a minha angústia com o modo como o poder é exercido? Quem faz essa crítica à crítica está, por acaso, se excluindo dessas mesmas limitações? Essa espécie de apologia do imobilismo intelectual é superior moralmente ao debate calcado em argumentos? Oh, c'mon...

2 comments:

Anonymous said...

Caro Sol, está muito quente. Olha o bode. O bicho está doidinho para ir à praia tomar um mate de bujão.
Já os jegues...Não devemos chamá-los de comunistas. Jamais! Jegues nunca pegaram um vôo da Aeroflot e foram, em alegre farândula, beijar a mão de Fidel em Havana. Jegues se dão ao respeito. Jegues são atentos observadores da política internacional. Jegues sabem que o comunismo acabou. Evidentemente que os jegues com mais de 100 anos não estão suficientemente lúcidos para perceberem o inequívoco fato.
Apenas tremelicam com voz débil o que aprenderam na juventude. Ah, a Juventude. Para entender os jovens leia "Youth", de Joseph Conrado. O melhor livro dele. E mais: baseado (êpa)em minha experiência no hinterland brasileiro, devo dizer que jegues não empacam, ao contrário dos comunistas. E jegues apenas zurram, ao contrário de comunistas, que repetem ad nauseum a catilinária do partido, velha de 100 anos, como se fosse o mais alto lampejo de sabedoria da história da humanidade. Enfim, caro Sol, fora eu tu, além de não jogar futebol com o joelho avariado, desculpa-me-ia com os jegues. Os comunistas? Estão todos mortos, sobretudo os vivos. Abs fred

sol-moras-segabinaze said...

Jegues, as minhas mais sinceras desculpas.