Wednesday, August 29, 2007

O caminho do meio


Quem quer que esteja participando do debate de idéias e defenda um ponto de vista claro e objetivo, normalmente se depara com a seguinte objeção:
"Você está sendo radical, o melhor caminho é o do meio."
Isso também é discutível, mas vamos supor que seja verdade.
De fato, toda discussão política se trava em torno das atribuições do estado, um extremo defendendo a sua completa ausência (anarquismo), e o outro extremo postulando a estatização total dos meios de produção (socialismo).
Não sei de nenhuma experiência anarquista moderna de grandes proporções, de modo que não existem meios de avaliar como isso se desenvolveria na prática.
Em relação ao socialismo, temos sim vários exemplos, alguns ainda em funcionamento, como as ditaduras de Cuba e Coréia do Norte.
Isso já bastaria pra deixar claro que o liberalismo clássico (http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo_clássico), por exemplo, não é o "extremo" do que quer que seja.
Muitas pessoas têm o receio de que sem a "mão visível" do estado, a "mão invisível" do mercado irá oprimir os mais fracos. É um medo natural, ainda mais compreensível se levarmos em conta a bem-sucedida campanha difamatória empreendida pelos estatistas contra o diabólico "neoliberalismo".
Pois os liberais acreditam que o estado deva existir justamente pra defender os indivíduos da coerção. Acreditam no axioma da não-agressão, sendo o estado necessário pra coibir e punir quem atenta contra a vida, liberdade e propriedade alheias.
"Mas a propriedade é um roubo!"
Bem, como a intenção aqui é chegar num hipotético "caminho do meio", vamos relativizar então o conceito de propriedade, já que os impostos vão realmente servir pra manutenção da segurança. Algum dos moderados aí discorda?
"E saúde e educação?"
Existem modos do estado suprir esses serviços sem que ele precise gerir escolas e hospitais. O cheque-educação proposto por Milton Friedman, e implantado com sucesso na Suécia, faz justamente isso: o estado, com o dinheiro dos impostos, fornece um cupom que dá a chance aos pais da criança de escolherem a melhor instituição privada de ensino pro seu filho.
O mesmo esquema poderia ser feito na Saúde.
Liberdade de escolha e concorrência, pra um maior acesso às oportunidades.
Dessa maneira, com o trinômio Educação, Saúde e Segurança, imagino que esse "caminho do meio" estaria minimamente contemplado. Parece razoável, não?
O problema é que ainda estamos muito distantes desse modelo, com o estado se arvorando a empresário e controlando toda a atividade produtiva, travando o desenvolvimento com regulações, subsídios e reservas de mercado.
Quem está no poder prefere manter o povo no cabresto, comprando votos com as bolsas e sacrificando as liberdades individuais em nome da "justiça social", nada mais que o velho e surrado socialismo de sempre que tanto sangue derramou no século 20.
Se você realmente acredita que o "caminho do meio" é o melhor, lute então pra diminuir e racionalizar o estado brasileiro que, do jeito que está configurado, desperdiça recursos escassos com uma corrupção desvairada e uma castração das trocas voluntárias que beiram a insanidade.

2 comments:

Haroldo said...

Belo post. O do Zé Rodrix tb. Abraço, Sol!

guilherme roesler said...

Sol,

Como sempre um bom texto. Sinceramente, não acredito em meio termo, em qualquer assunto. O meio termo, na maioria dos casos, só serve para se esconder da verdade. Obvio que se esta "radicalidade" levar a consequencias desastradas deve-se mudar. Mas infelizmente quem já é radical não gosta muito de pensar....