Monday, August 27, 2007

Ministério da Cultura


Artistas, produtores e lobistas numa simbiose parasitária com o poder estatal.
"Nos dê verba que vamos aprofundar a mentalidade coletivista, vamos enaltecer o nacionalismo ufanista, a ignorância e o coitadismo anticapitalista".
E ai de quem propor a repartição dos subsídios com o pessoal do esporte!
"Não, o povo tem que receber Saneamento Básico, mas também cultura..." (Ouvi isso outro dia do Jorge Furtado).
E os gramscianos voluntários e involuntários nos cadernos culturais deturpam tudo: as pessoas não vão ver "Os Simpsons" por causa da GENIALIDADE da série, mas "por conta da máquina da propaganda hollywoodiana!"
Ou seja, pros luminares e defensores do cinema nacional bancado pelos "contribuintes", a QUALIDADE dos filmes americanos é menos importante do que "a lavagem cerebral imperialista!"
Socialistas são assim: autoritários que imaginam que a sua escala de valores deva reger a humanidade, tudo isso com o dinheiro alheio.
É realmente uma piada.
Que diacho de arte é essa que depende do governo pra existir?! Isso não é arte, é locupletação travestida de "cultura".
"Uma pessoa muito querida e próxima sintetiza existencialmente, a meu ver, muito do que há de errado nesse país. Típica jovem urbana intelectualizada, "cabeça", ela acredita de boa-fé que o socialismo de esquerda representa os interesses do povo, e que o PT representa o socialismo de esquerda. Esses axiomas estão tão arraigados em seu espírito que eu raramente perco tempo discutindo política com a moça. Numa dessas raras discussões, porém, a conversa enveredou para a área cultural. Ela e seus amigos acham perfeitamente natural que o Estado subvencione o cinema nacional. Eu protestei, é claro, argumentando que os recursos que o Estado confere aos cineastas são tomados via impostos dos pobres, aos quais não é indagado se gostariam de contribuir para as glórias da sétima arte ou se prefeririam gastar seu dinheiro em outras coisas. A réplica continha uma falácia econômica e uma falácia artística. A primeira consistia no fato de que os subsídios "geram empregos" para o pessoal do cinema. Sim, claro, mas deixam de criar empregos nas áreas em que os pagadores de impostos teriam consumido ou investido. A segunda falácia residia num suposto direito do povão de receber arte do governo. Mesmo que fosse assim, respondi, o povão não costuma assistir os filmes pedantes e chatos que nossos cineastas "cabeça" produzem. De sorte que o governo está fornecendo a arte errada ao povão, ou, mais exatamente, está pagando com o dinheiro do povão uma arte empolada e aborrecida feita por intelectuais de esquerda para intelectuais de esquerda, todos de classe média. Não creio ter sido muito convincente, mas quem sabe consegui infiltrar uma dúvida no sistema de falácias que enevoa a mente da minha interlocutora. Tomara."
Os cadernos culturais se ouriçam, afinal os filmes brasileiros estão com as salas vazias.
"Como reverter esse quadro? Ninguém vai ver a nova alegoria do Fulano de tal!?"
Tire o estado da jogada e verão aí sim um cinema espontâneo, vivo, que não depende do carimbo de nenhum burocrata pra existir.
O autoritarismo é uma tara: a pessoa se imagina com o poder total na mão, o poder de determinar o rumo das coisas através do deus-estado, e fica inebriada com essa onisciência, certa de que o seu "gosto" é o "melhor" pros outros.
Um liberal é mais humilde, não tem a intenção de IMPOR NADA a ninguém.
Eis aí uma diferença clara entre duas visões de mundo conflitantes.
Não é função do estado determinar qual "cultura" vai ser produzida com o dinheiro dos outros, Glauco.
Deixe o povo, o MERCADO, determinar o que vai ser bem sucedido ou não.
Subsídios estatais são INJUSTOS, pois favorecem apenas grupos de interesse bem organizados ÀS CUSTAS DOS DEMAIS.
Quando um cidadão paga 16 reais pra ver a nova bomba semi-novelística da nossa Sétima Arte - que custou X milhões (cinema é caro...) - ele está pagando 2 vezes: nos impostos que bancam essa impostura, e no ingresso, que ainda conta com a demagógica lei da meia-entrada...
Você quer ser tutelado pelo estado, e ainda fica nessa pose revolucionária...
"Eu não quero impor nada a ninguém, só quero que exista espaço para todos. Creio que todas as manifestações culturais merecem existir e são importantes para a riqueza da humanidade. Se formos deixar na mão do mercado, o que não der lucro irá desaparecer. Isso é autoritário. "
Porra Glauco, tenho aqui vários textos, CULTURA, que bem poderiam virar um livro bancado pelo estado! Reivindico o meu butim, A FUNDO PERDIDO!
Ah, também gravo umas músicas malucas aqui, CULTURA, acho que merece também uma verba... A FUNDO PERDIDO!
Ou a minha manifestação artística não merece uma parte do seu imposto?
"Uai, vai procurar um edital e submete um projeto!!"
Ah, então pro Glauco, o autonomista autoritário, o estado deve bancar TODA a cultura, DESDE QUE ela seja previamente aprovada pelo burocrata com acesso aos cofres públicos.
Entendi.
Essa é a receita pra produção de uma arte estéril e comprometida com os donos do poder.
O que esperar de um país com esse tipo de mentalidade?

2 comments:

Anonymous said...

Sol!!!adorei o artigo, especialmente pq nunca tive afinidade com a cultura do nordeste e das favelas,...o q torna impossivel um patrocinio da petrobras...
indie ever!
maldita!!

ps: tenho lido todos os seus textos aqui em NY, me faz voltar a pensar . no meio desse bombardeio de "qualidade tecnica", eu me sinto uma alternative brazilian crazy soul


anyways,...confere o clip do meu humilde e independente filme: http://eletron.host.sk

saudades
take care
Denise

sol-moras-segabinaze said...

Grande elenco no seu filme, Denise! Como foi juntar essa gente toda?

Anda freqüentando a Malditinha aí de NY?

Deve estar sendo uma aventura e tanto.

Obrigado pelas palavras.

Beijo