Wednesday, March 04, 2009

Um verdadeiro "liberal"

O debate brasileiro é tão pautado pela esquerda que é capaz do Roberto da Matta ser considerado por aqui um "ultra-liberal". Seus artigos no O Globo estão longe de confirmar isso, ao contrário, os textos do professor atiram pra todos os lados pra tentar explicar a "antropologia brasileira" num samba-do-crioulo-doido que muitos devem confundir com profundidade. Óbvio, há algumas boas sacadas ali, mas não posso deixar de notar como esse "ultra-liberal" apóia a política do Obama de bailouts e controle da economia que, em outros tempos menos envergonhados, receberia sem pudor o nome de socialismo. E lá foi o Da Matta a justificar tais planos, dizendo que o liberalismo não pode existir sem o estado. Isso é discutível, mas beleza. O problema é imaginarem que a função do estado numa economia liberal é resgatar empresas falidas, implantar protecionismos de toda ordem e jogar o dólar na vala com a expansão populista da moeda. Isso não é a função do estado no liberalismo, que se limitaria a garantir o cumprimento dos contratos e a defesa da vida, liberdade e propriedade. A perversão dos conceitos pra acomodar interpretações contrárias é parte integrante da tal inversão de valores, como o termo "liberal" nos EUA exemplifica. Lá, "liberal" é o camarada de esquerda que vota no Obama e nos Democratas, numa das apropriações de conceitos mais espetaculares da história da humanidade.

3 comments:

Fabio Marton said...

Bem, Sol, nessa eu vou discordar. Se você viu eu ficando fudibundo contra os libertários, liberais e tucanos que cogitavam votar em Dilma, é por que existe, sim um liberalismo político sem a parte econômica. Nós, informados pela escola austríaca, sabemos que isso é incoerente, mas assim mesmo há diferenças muito práticas entre democratas autênticos economicamente ignorantes versus populistas casca-grossa.

Há mais progresso econômico em um lugar que cobre 30% de impostos e as leis sejam equanimes e universais que em um que cobre 10% e as leis sejam pra quem olha torto para o delegado, e os negócios se resolvam no 38.

Achar que todos devem pagar pelos últimos é economicamente ruim e talvez moralmente errado, mas há um salto entre isso e achar que o roubo é uma forma de justiça social.

sol-moras-segabinaze said...

Nem há taaanta discordância assim, Fabio. O Da Matta, pros padrões brasileiros, pode ser considerado sim um liberal light, sem aspas. Entre o que ele e um Emir Sader da vida escrevem há uma distância enorme, com vantagem óbvia pra ele.

Discuto com social-democratas numa boa, são civilizados, contanto que não sejam socialistas disfarçados de social-democratas por força das circunstâncias, como os petistas.

sol-moras-segabinaze said...

Aliás, obrigado pelo tráfego que o meu link no seu blog me proporciona.

Sucesso nas novas empreitadas.