Thursday, May 21, 2009

Simonal e o socialismo inimputável

Tadinha da esquerda festiva, ela só queria a democracia e a liberdade que a gente vê em Cuba, não é mesmo? O problema é que, desde a ditadura militar, que o monopólio da virtude está nas mãos da esquerda e é ela e os seus representantes nos governos e na mídia que determinam o que é de bom tom e o que é legal ou não. Os liberais e os direitistas (não são a mesma coisa) viraram o cocô do cavalo do bandido. Então dá-lhe um milhão e pensão vitalícia pro Jaguar e pro Ziraldo (a resistência etílica no Zeppelin era um investimento, né?), "homem do século" pro Niemeyer e fru-frus intermináveis pra Chico Buarque e associados. A esquerda ganhou a guerra cultural e o Simonal foi só mais um que pagou o pato (mesmo que tenha feito uma cagada colossal também). Me diga então: se a Globo é da direita malvadona e “manda mais que as patrulhas ideológicas”, como é que a sua redação elege o stalinista Niemeyer como “o homem do século”? E falar que a Folha não engloba essa visão de mundo nos seus cadernos de cultura “frankfurtianos” e é malvadona só porque chamou a ditadura militar de “ditabranda” - e foi branda mesmo se comparada com outras ditaduras - é ignorar todos os seus articulistas vassalos do PT. Talvez você não enxergue isso, Arnaldo, porque simpatiza com essa visão de mundo e acha que a babação em cima do Niemeyer tem a ver apenas com a sua arquitetura. A VEJA não é de esquerda, realmente, e por isso recebe a saraivada de críticas que recebe. Clóvis Rossi, Eliane Cantanhêde, Kennedy Alencar são de esquerda. O Caderno Mais é um festival de marxismo cultural, por exemplo. O Veríssimo não escreve lá, mas não é mais de esquerda por falta de espaço. Nem vou elencar os do O Globo aqui. Você se considera de esquerda, Arnaldo? Pergunto isso na boa, sem malícia, até porque te considero um cara legal independente de divergências ideológicas. O policiamento bacana, Gabriel, só vale quando vem do “centro” ou da esquerda, não é verdade? Quando um liberal vem questionar alguma coisa da metafísica socialista é um deus nos acuda, não pode, é "censura", é “extrema-direita” pô! Ser de esquerda não é “crime”. Fiz a ressalva, Arnaldo, porque consigo separar bem as coisas, mas nem todo mundo é civilizado assim como eu e você. Não sabia das suas opiniões e cheguei aqui via twitter. Não concordei com o que você escreveu. Podia ter ficado calado, mas acho que o debate é bom e dei a minha posição. Concordamos em discordar e vida que segue. PS - A pelada continua segunda-feira. Seu irmão tem ido direto. (http://www.oesquema.com.br/mauhumor/2009/05/20/a-culpa-e-do-jaguar.htm#comment-6639). Faça o seguinte, Tiago da Lua - sim, ainda estou aqui acompanhando - deixe a preguiça de lado e me demonstre que 500 mortes são a mesma coisa que 100 mil mortes. Tarefa inglória que, se não chega a justificar a morte de uma só pessoa que seja, pode te ensinar um pouco sobre senso de proporção, a essência mesma da justiça. Tirei esses dados daqui, do livro do petista Nilmário Miranda “Dos filhos deste solo”. Uma publicação insuspeita de “direitismo”, eu suspeito. Está lá: 424 pessoas que morreram ou desapareceram por causa do regime militar brasileiro. Os 100 mil mortos que mencionei eram do regime cubano, o favorito da esquerda festiva. Está lá no “Livro negro do comunismo” - escrito por ex-comunistas, aliás - 100 mil mortes causadas pelo regime daquela linda e poética figura, ídolo máximo dos esquerdossauros, que é o Fidel Castro. Faça a proporção, olha ela aí de novo, entre o número de habitantes de Cuba e Brasil e veja quem matou “melhor”.

4 comments:

João said...

Mandei um comment monstro lá (mas a opção pelo confusionismo às vezes é clara). E hoje morreu um dos poucos de nossa "classe artística" que se recusou a trabalhar com patrocínio de dinheiro público...

sol-moras-segabinaze said...

Eu vi lá, João. Aliás, vi também uma reportagem que vc escreveu no JB sobre o debate da maconha. A causa é boa e eu apóio, mas já discuti bastante sobre os motivos pra legalização com o Renato Cinco. Tenho que parar com isso, mas não me controlo. haha

Textinho de 2007 a respeito do Zé Rodrix:

http://sol-moras-segabinaze.blogspot.com/2007/08/viva-z-rodrix.html

João said...

Não imaginava que você conhecesse o Cinco. Bom, de qualquer forma, ele é o organizador da parada e eu tinha que falar com ele - até mesmo para arrumar outros contatos.

Mas também fiz questão de entrevistar o Constantino hehe

Agora, de vez em quando rolam uma coisas em que eu custo a acreditar

sol-moras-segabinaze said...

Pois é, o Cinco tinha uma comunidade no orkut, que inclusive foi depois deletada por uma decisão judicial, sobre a legalização e nós tínhamos barracos homéricos. Ele achava que o principal motivo de se legalizar era pra "acabar com a guerra contra os pobres". O argumento de que somos donos dos nossos corpos entrava num ouvido e saia pelo outro. Além do mais, ele é do PSOL, e eu tenho uma pinimba meio pessoal com esse partido e, principalmente, com esse nome. hehe