Monday, May 04, 2009

A maioria como critério de justiça

Num daqueles documentários laudatórios sobre os heróis da causa socialista no Brasil, o Jorge Amado disse que é e sempre será pelo socialismo, "não por uma vontade minha, mas pela sua inevitabilidade histórica como superação do capitalismo". Como se vê até aí, um marxista. Mas como a entrevista era na década de 80 e muito da prática comunista já era de conhecimento geral, fez a ressalva de que acreditava "num socialismo democrático, onde as liberdades do indivíduo eram preservadas". Como as liberdades individuais seriam "preservadas" com um comitê central planejando tudo, é um mistério que nem um ficcionista consagrado como ele conseguiria explicar. Claro, "socialismo e liberdade" é uma impossibilidade lógica, mas soa bem pra caramba. Talvez ele tivesse em mente o que vem acontecendo agora na América Latina, o que já se desenhava desde a ditadura militar. Como os comunistas a combatiam repetindo "democracia e liberdade" sem parar, as pessoas começaram a associar essas figuras que apoiavam as ditaduras mais brutais ao processo de democratização. Como não houve democracia antes em nenhum país socialista, arrumaram um jeito de implantar o dito cujo com eleições, com o consentimento da maioria. Por que não? Dão uma Bolsa-Família pra terça parte da população "excluída", uma Bolsa-Funcionário-Público pra classe média cutista e uma Bolsa-Subsídio pros empresários camaradas e artistas cooptados realizarem a propaganda que é a alma do negócio. Enquanto o dinheiro está fácil, a coisa anda bem e a maioria parece satisfeita. Como essa estatização vai gradualmente minando a própria capacidade de geração de riqueza através da tributação e regulação progressivas, vai chegar uma hora em que a fonte vai secar e a pilhagem não vai satisfazer mais as exigências dos grupos de interesse. Quando isso acontecer, o poder já vai estar concentrado demais e as pessoas talvez se arrependam de terem trocado tanta liberdade por uma suposta segurança fornecida por um grupo que não passa de uma máfia. Uma máfia "legalizada", mas ainda assim uma máfia.

2 comments:

Anonymous said...

As pessoas - a maioria - nem vão perceber meu caro Sol, aliás, elas nem sabem o que é liberdade.

sol-moras-segabinaze said...

Quando a coisa atingir o bolso delas, talvez elas comecem a rimar lé com cré.