Sunday, July 22, 2007

Preconceito contra policiais?


Os policiais são um reflexo do estado de coisas.
Estão aí pra acomodar o statu quo, a servir os governantes da ocasião e seus interesses. Aliás, curioso notar como todos os secretários de segurança do Rio se tornaram políticos. Eleitos.
A simbiose entre marginais e policiais acontece, principalmente nos crimes sem vítimas, e esse pacto não escrito é quebrado quando os governantes sentem que precisam "dar uma satisfação à sociedade". Aí acontecem operações espetaculosas que não se sustentam a longo prazo.
Isso tudo, aliado à impunidade e à desmoralização sistemática promovida pelos "intelectuais orgânicos", resulta na situação atual.
Juliano, é óbvio que são generalizações. Ninguém disse que não existem policiais honestos. É lógico que existem.
Mas imagine um policial carioca no meio dessa guerra contra as drogas ou envolvido com a repressão ao jogo...
Você sabe, essas coisas não deixam de existir só por causa de uma lei. Nessa zona cinza é onde acontecem os esquemas.
Pelo menos é o que me parece.
Não é interesse nenhum dos liberais que as forças de segurança estejam desmoralizadas, mas essa é a realidade. Ou você discorda?
"Como um liberal, que é exatamente quem defende os direitos naturais dos individuos, pode não nutrir desprezo por policiais? Como?"
Peraí Fernando. Os policiais existem justamente pra defender a vida, a liberdade e a propriedade e garantir a aplicação da lei.
O problema é essa legislação paternalista que pretende proteger o cidadão dele mesmo e acaba criando essas zonas cinzas.
Não é tendo "desprezo" pelo estado ou pelos policiais que vamos melhorar alguma coisa. Temos que usar antes a razão do que a emoção.
Seria realmente mais produtivo mirar essa energia na mudança das leis autoritárias que restringem a liberdade individual - como a proibição do jogo e das drogas.
Os policiais são apenas um sintoma de algo mais amplo.

1 comment:

sol-moras-segabinaze said...

A imagem é de John Locke, não o personagem "da fé" em LOST, mas o filósofo inglês que deu sustentação teórica ao direito natural (vida, liberdade e propriedade).

"A maior parte de sua obra se caracteriza pela oposição ao autoritarismo, em todos os níveis: individual, político e religioso. Acreditava em usar a RAZÃO para obter a verdade e determinar a legitimidade das instituições sociais.

Quando Locke escreveu os "Dois Tratados sobre o Governo", a sua principal obra de filosofia política, tinha como objetivo contestar a doutrina do direito divino dos reis e do absolutismo real.

Também pretendia criar uma teoria que conciliasse a liberdade dos cidadãos com a manutenção da ordem política. Para o pensador inglês, o que dá direito à propriedade é o trabalho que se dedica a ela. E desde que isso não prejudique alguém, fica assegurado o direito ao fruto do trabalho. Foram essas as bases da idéia de uma sociedade sem a interferência governamental, um dos princípios básicos do capitalismo liberal."

http://noticias.uol.com.br/licaodecasa/materias/ult1789u621.jhtm