Wednesday, September 22, 2010

Pra quem "não acredita" em ideais

"Não acredito em ideais, muito menos universais." Há todo tipo de ideal, mas alguns são prioritários se você valoriza a sua vida - e você a valoriza, por mais que racionalize esse fato. Sabe como é, a mente também tem o poder de "negar" o poder da mente. O ideal é ter saúde e não doença. O ideal é fazer parte de relações voluntárias e não compulsórias. O ideal é que ninguém te roube, engane, agrida ou mate, certo? Se a gente universalizar esses ideais, chegamos à conclusão de que ninguém quer ser roubado, enganado, agredido ou assassinado, de que todos preferem a saúde à doença, o entendimento à coerção. Se o ideal nem sempre é alcançado, isso não o invalida, ele continua ali servindo como um norte. Imagino que quem diz "não acreditar em ideais" esteja se referindo especificamente à ideologia política, como se a hegemonia desse ou daquele "ismo" não tivesse nenhuma relação com esse ideal de valorização e preservação da vida - o que me leva a um outro raciocínio muito comum. Alguém escreveu "estatização é o caralho" pra desqualificar um candidato à presidência e logo depois, pra mostrar que também não acredita nesse papo de ideologia, tascou um "e privatização é o meu ovo esquerdo." Temos aí claramente a contraposição entre o socialismo (estatização) e o capitalismo (privatização). Essa é a questão política fundamental e quem diz que "tanto faz" está ignorando as implicações práticas dessas visões, porque cada uma delas trata do modo como o poder deve ser exercido e existem diversos exemplos históricos de como essas ideologias contraditórias influenciaram e influenciam a qualidade de vida mundo afora. Ou você toma a decisão de usar a sua capacidade pra julgar esses resultados ou permanece preso num cinismo relativista que coloca tudo num mesmo saco, sem perceber as consequências que essa atitude pode causar sobre a sua própria sobrevivência e felicidade.

2 comments:

Anonymous said...

Sol, concordo inteiramente, porém acho que o que as pessoas chamam de "mesmo saco" é mais a classe política e suas amplamente divulgadas picaretagens do que uma sacalização ideológica ampla, total e irrestrita. Pedi para minha amiga Berenice enviar-lhe site com artigo de Andre Singer - sim, sim, eu sei! -
mas que é uma tentativa de explicar metodologicamente, tudo aquilo que a gente já sabe.
Vale a pena ver o esforço. Abraços, Mirthes.

sol-moras-segabinaze said...

Valeu, dona Mirthes.