Tuesday, September 14, 2010

Tapa na cara 3

Se consolidou ao longo da história uma grande confusão conceitual, a identificação automática da moral com a religião. ["ó deus-macaco, eu te reverencio com todo o meu louvor", diz o homem de fé] Então o camarada que não acredita em Deus faz, por associação, de tudo pra também desacreditar a moral, como se ela fosse algo arbitrário que servisse apenas pra submetê-lo a uma autoridade invisível capaz de castigá-lo por toda a eternidade. ["falaram que você era o divino e eu acreditei"] Não são necessários 10 mandamentos pra saber que matar, roubar e enganar são atos imorais e, portanto, errados. ["mas fiquei meio em dúvida, porque por aqui cultuam também os elefantes, as vacas e até os ratos... por que escolhi o macaco?"] Por quê? ["era o deus de preferência dos meus pais, deve ser isso... ou não, sei lá", o homem de fé raciocina] Porque você não quer ser morto, roubado ou enganado, não precisa de Deus nenhum pra chegar a essa conclusão. ["meu deus-macaco tem umas regras meio malucas, espero que ele não perceba essa dúvida no meu coração", o homem começa a questionar a sua fé] Se você só não faz essas coisas por medo de um eventual castigo divino, qual o valor então das suas ações? ["talvez o deus-elefante tenha mais a ver comigo, esse meu deus é parecido demais com os homens, tem alguma coisa errada..."] Você não está sendo correto porque quer que os outros também sejam corretos com você, mas porque teme a autoridade invisível. [o macaco tenta então intervir: "uh, uh, uh... ah, ah, ah..."] Se você não respeita a própria capacidade de entender o que é certo ou errado, por que respeitaria essa capacidade nos outros? [o homem reacende a sua fé: "finalmente um som divino do meu deus, mas não compreendo o que ele quer dizer..."] Eis uma raiz das guerras santas, a desqualificação da consciência individual e a consequente supremacia dos representantes terrenos das autoridades invisíveis. ["eu imploro, ó deus-macaco, me dê mais algum sinal..."]

3 comments:

Anonymous said...

Suas inferências não são congruentes, caro Sol. Certamente um sujeito não "precisa de Deus" para chegar à conclusão de que não quer ser morto. Mas quem não quer ser morto pode ter intenção de matar. Não querer ser objeto da mesma ação que se pretende cometer é plenamente possível dentro da "liberdade" humana. Eu posso achar ruim ser morto, ao mesmo tempo em que acho conveniente matar alguém. Não há contradição alguma, se não há uma instância alheia aos dois (homicida e vítima) para julgar a conduta. Paulo.

sol-moras-segabinaze said...

Se você não quer ser morto, mas quer matar alguém, você está errado. Claro que a liberdade humana "permite" que você mate alguém, mas aí você vai ter que se entender com a justiça, essa instância alheia que você fala.

sol-moras-segabinaze said...

Justiça terrena, dos homens. Se essa falhar, o seu crime vai ficar ali te rondando a consciência. E isso é interessante de discutir: um religioso se perturbaria com a culpa menos ou mais que um não religioso?