Thursday, May 13, 2010

Thom Yorke e Noam Chomsky


Entre as músicas de um show do Radiohead, o Thom Yorke dedicou "No surprises" pra "todos aqueles que acreditam que os governos ainda mandam, e não as corporações. You suckers!" Não entendi se ele estava sendo irônico ou dizendo algo na linha o-governo-tem-que-mandar-mesmo-e-não-as-corporações. Fiquei confuso e fui pesquisar sobre o que ele pensava politicamente. Já sabia que ele tinha uma parada com a Naomi Klein, com o Greenpeace e com a libertação do Tibet, descobri agora que ele também gostou de um livro do Noam Chomsky com aquele papo anarco-sindicalista. O ideal de Chomsky: "As pessoas deviam ser livres para realizar os trabalhos que escolhessem. [beleza.] E o trabalho que elas voluntariamente escolhessem deveria ser ao mesmo tempo "recompensador em si mesmo" e "socialmente útil". [as pessoas devem ser livres pra fazer o trabalho que escolherem, mas nada garante que ele vai ser "recompensador em si mesmo" ou "socialmente justo", é preciso definir antes o que esses conceitos significam.] A sociedade seria dirigida sob um sistema de anarquismo pacífico sem a necessidade das instituições do "estado" ou do "governo". [tipo a-liberdade-de-um-termina-quando-começa-a-do-outro (propriedade privada) e relações voluntárias?] Os serviços necessários mas que fossem fundamentalmente desagradáveis – se existissem -, seriam também igualmente distribuídos a todos. [neste exato momento em que você vai distribuir "igualmente os serviços desagradáveis", você estabelece um governo pra tomar essa decisão e o seu "anarquismo pacífico" vai pro beleléu. simpatizo com idéias anarquistas, mas elas precisam de um embasamento não contraditório. leia rothbard, thom]" (http://pt.wikipedia.org/wiki/Noam_Chomsky). Yorke claramente tem paixão pelos temas políticos, mas não sabe bem como traduzi-los, talvez porque leia Chomsky demais ou porque os artistas sejam sonhadores e os sonhos não serem exatamente conhecidos pela coerência lógica. Numa entrevista, o repórter lê uma passagem em que o Damon Albarn do Blur chama o Thom de "hipócrita" por criticar as grandes corporações ao mesmo tempo em que faz parte de uma. (http://www.guardian.co.uk/music/2006/jun/18/9) O repórter pergunta se ele se sente hipócrita. "Yup." Sério? "Yep. Absolutely." E como consertar isso? "Fuck knows".

9 comments:

Luiz Mário Brotherhood said...

Sol, sempre quis perguntar isso pra alguém que tivesse uma visão similar à minha, mas nunca tive a oportunidade.

Tu te sentes meio em contradição quando "curtes" uma música que fala sobre uma visão contrária a tua, e que achas ser uma visão prejudicial?

Isso acontece constantemente comigo. Fico agoniado. Ou mudo de música (mesmo sabendo que a banda geralmente trata sobre o tema) ou paro de ouvir. Cruel...

Que bandas "anti-comunistas", "anti-esquerda" conheces?

sol-moras-segabinaze said...

Eu nunca prestei muita atenção em letra de música, primeiro porque eu nem sempre consigo entender o que o camarada tá cantando e nem fico tão curioso pra entender. Depois que a minha relação com a música é algo mais sensorial que racional. Um colega disse que eu gostava de coisas mais viajantes como Sigur Rós pra preencher um certo vazio de transcendência. Pode ser. É muito intuitivo, ouvir música não é exatamente uma aventura intelectual pra mim.

sol-moras-segabinaze said...

Agora, sei que a Ayn Rand tinha uma visão mais dogmática sobre arte e estética, mas mesmo assim quero ler o livro dela sobre o assunto. "The Romantic Manifesto", né? Beleza, não dá pra eu gostar, por exemplo, de um filme que glorifique coisas que eu abomino. Vou tentar aprofundar isso depois.

sol-moras-segabinaze said...

"Que bandas "anti-comunistas", "anti-esquerda" conheces?"

Never heard of anyone. Minto, sei que o baterista do Rush curte Ayn Rand e escreveu umas letras nesse sentido.

sol-moras-segabinaze said...

Mas mesmo que ele escreva letras com mensagens que eu não tenha restrição alguma, isso não vai ser o suficiente pra eu gostar de Rush, entende? É além ou aquém disso, não sei delimitar bem, vou pensar no assunto.

Luiz Mário Brotherhood said...

Sol, eu também não dou muita bola pra letra de música. Eu toco há anos, e dou importância quase que completa à parte instrumental da música.
Mas quando ouço um cara cantando love between men, no egoism, no pollution, eu já fico meio "porra, eu to ouvindo isso? Não quero fazer parte disso", e aí nem pelo instrumental eu me interesso tanto.

Eu nunca li nada da Ayn Rand exclusivamente sobre estética, só conheço o pouco que identifiquei nos romances. Mas sei que ela é bem radical nessa questão (também).

Esse é um assunto que também vou procurar conhecer melhor. Vale à pena pensar sobre...

João said...

Ainda bem que eu já gostava do Rush e não suporto radiohead hehe

Mas vou tentar lembrar exemplos e desenvolver melhor também

GAbiRu said...

como assim 'deveriam'ser livres para escolher o trabalho de preferência? não somos? se alguém vai querer nos pagar por isso, é outra história. ou a liberdade para por aqui, ou seja, não importa o emprego que eu escolha DEVO ser remunerado por isso?

aliás, a maioria dos adolescentes querem ser- astros do rock, do pop, do rebolation... ser um astro do rock e dizer esse tipo de besteira é fácil, non? como vc disse, ler ROTHBARD não faria mal

sol-moras-segabinaze said...

Fiscal da natureza seria um trabalho com bastante procura também, ainda mais nesses tempos de "mudanças climáticas" (tipo, hoje faz frio e amanhã pode fazer calor, alguém tem que acompanhar esse fenômeno).