Tuesday, June 01, 2010

A divisão do trabalho

Você acorda e vai fazer as suas necessidades. Pense em toda aquela estrutura da privada, do banheiro, do apartamento e do prédio. Da rua, do bairro e da cidade, sem falar no saneamento, a natureza vai ter que lidar com a quilo depois (comi muito no dia anterior). Aquilo não surgiu do nada e quem construiu aquilo não construiu de graça, você não construiria. Aí você faz as suas necessidades e vai comer novamente - um pão com requeijão e um Toddy, bebida de macho. Imagine a quantidade de etapas pra se produzir o pão, o requeijão e as suas embalagens, todas muito coloridas clamando por você: "Compre-me, sou um produto melhor que o concorrente." Os publicitários não obrigam você a comprar nada, você compra o Toddy porque curte um achocolatado pela manhã, é um luxo que a civilização atingiu e que você desfruta sem culpa, é um direito que te assiste, não é verdade? Falam mal da divisão do trabalho, que ela te "aliena" do mundo, mas será que alguém seria capaz de produzir tudo aquilo que consome? Se fosse um coletor e se alimentasse basicamente de gramíneas e pequenos insetos (de vez em quando conseguiria uma preá, mas a batalha seria sempre dura), talvez você nem lembrasse do que eu tava falando. Nem cheguei no almoço e já deu pra sentir que o jantar vai ser a sobra, cheia de orgulho e dignidade, do almoço. Você faz uma quantidade grande no almoço pra não ter que fazer mais logo mais. E o pessoal que transporta essas coisas de um lado pro outro? O homem então tem que usar a sua inteligência e a tecnologia que desenvolveu ao longo do tempo pra reverter a seu favor uma natureza que lhe é hostil. É, deixe um bebê no meio da natureza pra ver como ela é benevolente. Desculpe, mas imaginar uma cena não dói, é um exercício de abstração bacana pra encerrar um texto.

2 comments:

João said...

É o Gilberto Gil?

sol-moras-segabinaze said...

Qué isso, GG domina os instrumentos.