Monday, June 14, 2010

Daonde vem o ódio aos judeus?

Reportagem do O Globo exalta o primeiro-ministro turco por ele "assumir a defesa dos palestinos" e "se amancipar progressivamente de potências ocidentais como os EUA." Recep Erdogan se junta então a outros grandes luminares que "desafiam o Império" como Fidel Castro, Hugo Chávez e Ahmadinejad, certamente o tirano com o nome mais complicado do mundo. A cobertura da imprensa me dá a impressão de que Israel não tem o direito de existir, que resta aos israelenses receber bombas na cabeça ou sair dali pra sempre, abrindo o caminho pra islamização absoluta daquela região. É a ilustração perfeita do conceito de guerra assimétrica: toda tolerância à agressão iniciada pelo Hamas e toda intolerância à reação de Israel. A coisa toda me parece uma insanidade, mas a interpretação que se dá na imprensa é ainda mais incompreensível. Israel monitora as fronteiras de Gaza porque não quer permitir a entrada de bombas que vão ser lançadas em seu território, não dá pra comparar isso a um campo de concentração. Pelo contrário, é o Hamas que tem na sua plataforma a destruição de Israel. Também não compreendo bem esse ódio histórico e persistente aos judeus, algum colega teria um palpite? Tem a ver com aquela história de usura? Coincidentemente ou não, na página seguinte do jornal aparece o Chávez dizendo que o dono da TV Globovisión - desaparecido desde que a sua captura foi decretada pelo governo bolivariano - "precisa ser investigado porque foi acusado de usura". Volto ao assunto.

12 comments:

Tiago Lyra said...

Jura que o Globo te passa essa impressão? O jornal O Globo? Eles até omitiram o atentado a bomba que teve na Turquia semana passada, no dia em que se reuniram pra decidir que sanção teria o caso. Ou você acha que os jornais noticiosos estão disseminando o ódio aos judeus ao nociciarem seus atos? Quando a professora tira o garoto que sopra a vuvuzela em sala de aula ela está "de perseguição"?

Tiago Lyra said...

Volte ao assunto, sim, quero acompanhar!

Anonymous said...

Bom lembrar que judaísmo não é igual a sionismo.

sol-moras-segabinaze said...

Tiago, eu não estou dizendo que os "jornais estão disseminando o ódio aos judeus ao noticiarem seus atos". Estou dizendo que essas notícias têm um viés, que é, em geral, simpático aos palestinos. Tipo, noticiam quando Israel reage e omitem (ou colocam en passant) o que motivou essa reação (bombas lançadas pelo Hamas).

Anônimo, sei a diferença, mas ela é tênue e cheia de interseções.

Schwartz said...

Uma pista: descubra quando e em quais circunstâncias os judeus deixaram Jerusalém e quando/em quais circunstâncias voltaram. Uma certeza: não há inocentes nessa guerra. Judaísmo é absolutamente diferente de sionismo:

http://www.midiaindependente.org/pt/red/2004/02/274417.shtml

Shalom

sol-moras-segabinaze said...

Não tá abrindo o link do CMI, mas já conheço de outros carnavais e veja o que diz a wikipedia:

"O Centro de Mídia Independente (CMI), também chamado de Indymedia, é uma rede internacional formada por produtores e produtoras de informação caracterizada principalmente como de ordem política e social que se autodeclaram livres e independentes de quaisquer interesses empresariais ou governamentais. O CMI afirma ser parcial[1] e apresenta uma filosofia anticapitalista[2]."

É o que vou tentar demonstrar, a ligação entre a cisma com os judeus e a ideologia anticapitalista.

João said...

E eu, que a minha mãe mesmo disse que talvez não conhecesse ninguém tão reacionário quanto eu? hehe

Motivo: dizer que Israel tinha direito de reafir a ataques terroristas, na época dos bombardeios a Gaza (virada de 2008 para 2009).

(e isso proque conhece pessoas que não acham que Hitler estava totalmente errado...)

João said...

Ah, sim

E porque só falava mal do chávez. Ai, perguntei o que ele tinha de bom. Silêncio sepulcral hehe

João said...

Em tempo, Renato Galeno, repórter de Inter dO Globo, justificou as agressões dos "humanitários" , no programa da Maria Beltrão, perguntando se eles esperavam ser recebidos com flores ao invadirem o navio.

A mesma lógica pode ser usada para justificar as nove mortes - do que, pessoalmente, discordo. E lamento todas elas, ao contrário do chefe do "humanitários", Insani Yardim Vakfi.

Ele disse o seguinte: "Estamos famosos! Somos muito gratos às autoridades israelenses".

Muy humanitário, não? Comemorar as mortes dos próprios companheiros. E ainda prova que o objetivo não era prestar ajuda nenhuma aos moradores de Gaza - para isso, bastaria desembarcar os mantimentos, se é que havia, pois ninguém viu, em solo israelense, como foi oferecido, que, de lá, seguiriam ao destino, como ocorre o tempo todo.

sol-moras-segabinaze said...

De acordo, João, guerra de propaganda.

Schwartz said...

Na verdade, a suposta posição anticapitalista do site é o que menos importa. Quis chamar a atenção para a diferença entre sionismo e judaísmo. A criação do Estado de Israel foi uma ação política, intereseira, imposta a poder de bala com pano de fundo religioso/histórico. Um erro que custou, custa e custará muito caro ao povo judeu, quiçá, eternamente. Se tivesse sido negociada, se fosse uma concessão a uma pequena parte do solo sagrado para judeus, tudo bem. Mas foi uma invasão. Isso não vai cicatrizar facilmente.
Lógico que oportunistas de esquerda se apropriam desse viés para atacar Israel. Mas isso é outra história...

Anonymous said...

Eu adorei o "daonde". É a contração de um pronome com DUAS preposições. Como se o termo servisse a um só tempo para indagar DE onde vem e AONDE vai. Fabuloso.