Monday, May 23, 2011

Página 26 do Mundo

O que me chama a atenção nessa pendenga eterna entre israelenses e palestinos é o modo quase unânime como os brasileiros que se metem a falar de política se posicionam, tomando automaticamente as dores dos palestinos. Não que isso surpreenda, porque o padrão ideológico aqui é fácil de detectar: se é contra os EUA (o "imperialismo"), o capitalismo (o "instrumento de opressão imperialista") e Israel (os judeus aliados dos inimigos imperialistas), o brasileiro-médio-representante-do-zeitgeist-mental vai ser a favor. A pessoa não precisa nem ser uma comunista hardcore pra se encaixar nessa generalização, basta não querer destoar muito do que se diz por aí. Esse confronto na opinião pública segue o conceito de guerra assimétrica: cobra-se toda a retidão de um lado (Israel) e exime-se, de antemão, qualquer culpa do outro (Palestina). Então quando o Hamas prega a destruição da "entidade sionista" e joga foguetes a esmo em Israel, o estado judeu não pode nem reagir, justamente por ser mais forte, o que caracterizaria uma "reação desproporcional". Ficar ao lado do mais fraco por ser o mais fraco não é (ou não deveria ser) critério de justiça. Mas isso tem uma explicação que também passa pela ideologia: se a pessoa assume que A ficou forte e rico porque "explorou" B, então todo o contexto se torna secundário; B está certo e tem o direito de jogar bombas, enquanto A tem o direito de receber bombas na cabeça sem dar um pio até criar vergonha na cara e deixar o Oriente Médio totalmente dominado pelos iluministas muçulmanos.

24 comments:

Anonymous said...

Aonde está quantidade gigantesca de dinheiro? Em Israel ou num futuro estado palestino? A coisa toda é essa, inclusive para os EUA.

Anonymous said...

Depois de um mês e quinze dias é sempre bom ver que o blog voltou à ativa na velha e boa forma!

Anonymous said...

Para onde o dinheiro vai, os EUA vão atrás. Não é simplismo meu, é simplismo deles. Democracia, ética, direitos? Eles apoiaram a nossa ditadura aqui. A ditadura chilena. A ditadura líbia. A ditadura uruguaia. Apoiavam a de Fulgencio Batista e só caíram de pau no barbudo porque tinha a Russia e era plena guerra fria. O negócio se resume a uma pergunta só: o que eu ganho com isso? É quase triste que seja tão simples.

Anonymous said...

Nos dias de hoje, mais do que em qualquer outra época da história mundial, o inimigo é o terrorista com o cinto cheio de bomba, e o amigo é o sujeito com o cinto cheio de dinheiro.

sol-moras-segabinaze said...

Bom, o presidente atual dos EUA quer a volta das fronteiras pré-1967, ou seja, Israel vai ficar cercado de gente que quer a sua destruição por todos os lados.

O que os EUA ganhariam monetariamente com o fim de Israel?

Anonymous said...

Acho que o post é outro, uma análise sobre as causas de exegetas brasileiros serem a favor dos palestinos e contra Israel não importa o que aconteça.

Anonymous said...

No discurso na Irlanda (que poderia ter sido influenciado pela cerveja escura) Obama deixou claro que não e
exatamente a volta das fronteiras pré 67, mas sim uma discussão a partir daí, não tomando isso como uma intransigência. Daqui a pouco Israel vai divulgar seu plano de paz. E claro, os EUA nunca quiseram fronteira X ou Y, sempre souberam que aquilo ali não tem jeito, é um urso enfurecido num berçario, então ficam fazendo coreografia de fundo de palco o tempo todo. A coreografia da vez é uma tentativa de ficar mais ou menos bem na foto com a rapaziada da bomba no cinto, como alguém comentou. Não vai dar certo, mas faz parte da coreografia.
Depois eles podem sempre dizer: nós tentamos, rapazes, virem esse fuzil pra lá.

sol-moras-segabinaze said...

É, pode ser.

Anonymous said...

Uma coisa é o que o presidente dos EUA diz que quer, outra coisa é o que o presidente realmente quer. Ninguém quer fronteira perigosa ali. Todo mundo sabe disso. Então fica fácil fazer gracinha com a fronteira dos outros. Não vai dar em nada. Naquela região, não dar em nada já é lucro.

Anonymous said...

Passou uma lancha aqui de uns 70 pés. Coisa bacana. E passou pertinho da praia, só pra dar inveja nos mortais.
No que diz respeito a mim, conseguiram.

sol-moras-segabinaze said...

"Por que Obama exige que Israel abra mão* de um território essencial para sua segurança, que o país possui e desenvolve há 44 anos, mas não exige que o Hamas elimine de sua Carta o chamado à destruição de Israel?

A resposta se encontra no "roteiro" do esquerdismo moderno, no qual todos os fenômenos da sociedade esquerdista são automaticamente encaixados. Como já expliquei antes, o roteiro esquerdista tem três personagens: (1) o esquerdista, que representa o princípio da bondade, definida como compaixão para com e inclusão dos não-brancos/não-ocidentais e outras vítimas; (2) o não-esquerdista, que representa o princípio do mal, definido como ganância, discriminação e intolerância para com não-brancos/não-ocidentais e outras vítimas; e (3) o não-branco/não-ocidental ou outra vítima, que não é ele mesmo um ator moral, nem mesmo um ser humano totalmente formado, porque sua função no roteiro não é fazer nada, mas sim ser o recipiente passivo ou da bondade do esquerdista ou da maldade do não-esquerdista. Se o não-branco/não-ocidental fosse um ator moral, então suas próprias ações, inclusive suas más ações, teriam que ser julgadas. Mas julgá-lo negativamente seria discriminá-lo, o que viola o próprio significado e propósito do esquerdismo -- a eliminação de toda a discriminação contra não-brancos-não-ocidentais como as vítimas históricas da maldade não-esquerdista. Portanto, o não-branco/não-ocidental não pode ser visto como um ator moral -- como um ser humano que age e é responsável por suas ações.

No "processo de paz,", Obama é o esquerdista que busca uma política de generosidade e compaixão em relação ao não-branco/não-ocidental, i.e., os palestinos. Netanyahu é o não-esquerdista (não que ele necessariamente seja um não-esquerdista na realidade, mas ele recebe este papel no roteiro), que rejeita qualquer ato de generosidade, qualquer "concessão", para com os palestinos. Por fim, há os próprios palestinos, as vítimas não-ocidentais das quais nada se espera, nem mesmo que eliminem o chamado em sua Carta à destruição de Israel. Sua única função é revelar, pelas ações de outros em relação a eles, a bondade ou o mal destes outros. Obama busca dar aos palestinos seu próprio estado, então Obama é generoso, inclusivo e bom. Netanyahu se recusa a dar aos palestinos seu próprio estado, então Netanyahu é ganancioso, excludente e mal.

Este é o significado inteiro do "processo de paz" e a razão pela qual ele continua para sempre, muito embora ele não se aproxime do sucesso e, por sua própria natureza (dadas as reais intenções assassinas dos palestinos para com Israel), ele não possa se aproximar do sucesso. O retrato feito pela mídia esquerdista da questão israelense-palestina é uma representação simbólica da visão esquerdista do mundo e da virtude moral dos esquerdistas. Através da constante repetição desta representação simbólica, a sociedade esquerdista -- quer dizer, o domínio esquerdista sobre a sociedade -- é continuamente re-legitimado, revitalizado e renovado."

http://veradextra.blogspot.com/2011/05/o-processo-de-paz-como-uma.html

Anonymous said...

Tudo jogo de cena. E você esqueceu a personagem número 4: a imprensa.

Anonymous said...

Netanyahu disse que vai cortar na carne. A platéia vai adorar. O problema é não cortar na carne dos outros.

sol-moras-segabinaze said...

A imprensa faz o Galvão Bueno dessa narrativa.

Anonymous said...

Cobra-se retidão de todo mundo, mas quando cobra-se do Palocci, o PT bota a claque na rua. Sei, sei, o post é
sobre Israel et caterva.

Anonymous said...

Líder político sempre corta na carne dos outros.

Anonymous said...

É a mesma coisa em relação a Cuba. Já reparou que à medida em que o regime da ilha vai percebendo que deu com os burros nágua, nenhum brasileiro de renome aparece por lá? Nem Chico tem dado as caras.

Anonymous said...

Netanyahu admite no Congresso dos EUA "dolorosas concessões". O game está longe de acabar.

Anonymous said...

Nem o Chavez tem citado o Fidel. Se bem que Chavez não vale, é maluco.

Anonymous said...

Nem o Raul tem citado o Fidel.

Anonymous said...

Lembrando que tudo iniciou com mãozinha amiga de brasileiro...

Anonymous said...

Sim, Oswaldo Aranha, que virou filé.

Anonymous said...

Patético como sempre o comentário de Lula, "simplificando" todos os problemas para explicar aos eleitores do PT a lambança pallociana que multiplicou sua renda por 20 em 2 anos:
"Todo mundo sabe que ele é o Pelé da economia." É inacreditável que alguém possa dizer um troço desses em público. Mas para quem já explicou a quebra do sigilo("cadê o sigilo que até agora não apareceu?") isso é brincadeira. Patético é pensar que tem milhões de pessoas dão credibilidade a este cidadão.

sol-moras-segabinaze said...

Expressionante mesmo.