Friday, May 27, 2011

Green peace, war on mankind 3


"Sol, parece programa da Regina Casé, mas quando a gente está escrevendo estas poucas linhas você sabe quantos hectares estão sendo desmatados? Quinhentos por dia. Multiplica por dez mil metros..." O novo código preserva, pelo menos no papel, 70% dos chamados biomas, sobrando 30% do território pras atividades humanas. Se é essa a proposta que deixou os ambientalistas furiosos, quem é que não está sendo razoável? "Sol, pergunta pro pessoal de Itaunas, no Espírito Santo, o que eles acham dessa cascata de maré enchendo." Ninguém constrói as suas casas perto do mar esperando vê-las engolidas pela natureza, o que não é o mesmo que dizer que esse evento foi causado por X (ação do homem) ou Y (ação do homem). "Sol, o problema é que dá pra consorciar hortifrutis com floresta, mas e a ganância de derrubar aquela tralha toda e vender no mercado negro?" O mercado negro acontece, por definição, quando o governo lança restrições à atividade econômica. Foi assim com a Lei Seca nos EUA e é assim com a atual guerra contra as drogas. O Greenpeace, a WWF, a Fundação Ford e todas essas ONG's podiam deixar de fazer lobby em Brasília pra manter as florestas brasileiras virgens à força e podiam, com esse dinheiro economizado, comprar grandes extensões de terra, cercá-las e mantê-las intocadas do jeito que eles querem. "Dá pra criar boi estabulado, aproveitando esterco pra plantação ou biodigestor, mas dá trabalho. O que os pessoal não quer é trabalho." Se esse esquema não tem como competir com outros esquemas de maior escala, o que fazer? Proibir a criação extensiva de gado? O caminho pra essa produção mais "ecologicamente correta" passa mesmo por esses selos de consumo "verde" ou "consciente", em que as pessoas aceitam pagar um pouco mais por isso. É assim com o boi estabulado assim como com qualquer outro produto raro e diferenciado. "Jogar um cigarro no mato seco é sempre mais fácil, e sempre dá pra botar a culpa na combustão espontânea. Depois solta a boiada no capoeirão e não se fala mais nisso." Olha o que eu li por aí nas minhas pesquisas: "Quando uma floresta, primária ou secundária, é derrubada para o plantio de alimentos, caso o agricultor não tenha condições de utilizar um maquinário altamente caro, não há outra coisa a fazer a não ser colocar fogo na área. Além de ser uma forma muito prática de limpar uma área para plantio, o fogo traz outro benefício: as cinzas. Estas elevam a fertilidade de um solo ácido. As cinzas são um material alcalino, portanto diminuem a acidez dos solos e fazem com que seja eliminada a nocividade de certos elementos, como o alumínio, por exemplo." "Sol, eles desmatam para satisfazer as necessidades deles mesmos. Não tem ninguém que fica pedindo pra hortifruticultor desmatar para plantar roça de batatinha." Isso é muito bom pra ilustrar a metáfora do Adam Smith sobre a "mão invisível": ninguém pediu pro agricultor plantar roça de batatinha, ele o fez por interesse próprio, claro, mas esse interesse próprio acaba - como efeito colateral - beneficiando todas as outras pessoas por aumentar a oferta de alimentos e diminuir os seus preços. "Sol, se o governo não determina isso de cima para baixo não tinha mais floresta amazônica." Grande parte da floresta amazônica já pertence ao governo e é nas barbas dele que acontecem os desmatamentos. "Vai por mim, Sol, se não tem Lei Seca nego sai doidão do buteco dando porradão de carro e matando gente que tá chegando em casa de cara limpa." O abuso de uns não deveria tolher o uso de todos. O problema é de impunidade, que tem a ver com o esvaziamento da responsabilidade individual, que tem a ver com a tutela governamental. Ao invés de punir de antemão todas as pessoas que bebem uns chopps ou umas taças de vinho e continuam perfeitamente capazes de guiar os seus carros com segurança, podia-se começar a punir com agravante quem causa acidentes embriagado ou dirige de forma agressiva e ameaçadora, mas isso ia dar mais trabalho e ia render menos multas. "Caramba, se com o Governo enchendo o saco a realidade ambiental brasileira é essa pouca vergonha de gente fazendo o que quer na terra dele, imagina sem." O governo, do jeito que está configurado, é o problema e não a solução. "Sol, o homem chegou por último nesse vale de lágrimas e detonou o planeta." A vida não é só sofrimento, vamos combinar. "Não quero que matem todo ser humano mas que pro planeta seria melhor, isso não tem a menor dúvida." O planeta não tem consciência pra saber o que é ou não é melhor pra ele, esse é um julgamento humano. "Agora que a gente sabe após breves cinco milhões de anos como construir uma civilização (embora devamos considerar que em muitas regiões brasileiros isso está muito longe de acontecer) é hora de usar essa expertise (palavra que odeio) pra fazer as coisas bem feitas." Toda discussão construtiva vai nesse sentido de melhorar as coisas. "Eu também mato uma porrada de mosquito, parada e por mim tudo quanto é mico estrela poderia ir pro beleléu - sem falar nos pardais, maravilhosa contribuição lusitana à Terra Brasilis - mas não acho bacana ficar matando onça só por esporte." A tendência é que a própria pressão social diminua a prática desse tipo de "esporte". "Você conhece coisa mais grave na categoria perverter a ordem outrora pacífica e idílica do que jogar uma bomba atômica no atol de Mururoa, no paraíso do Pacífico Sul?" O homem não é um anjo, senão seria chamado de "anjo" e não de "homem". Anjos não existem, homens existem. Se a humanidade avançou a tecnologia a ponto de criar uma arma dessas, o que vai se fazer? Proibi-las - regra que criminosos, por definição, não respeitam muito - ou cuidar pra que não se criem situações de conflito em que exista a chance delas serem usadas? "Bicho come bicho por sobrevivência, mas só um bicho mata outro bicho para botar a cara empalhada na parede da sala, como peça de decoração. Não conheço nada mais perverso do que matar por esporte e expor a morte por ostentação." Adoro certos animais e considero desprezível quem maltrata ou mata os bichos por diversão, o caminho é mesmo o da denúncia, do boicote social. "O homem também não vive um dilema moral ao matar um bicho pra botar a pele no chão, como peça decorativa. E deveria viver." Antigamente, uma pele de animal tinha diversas utilidades práticas pro homem, como se aquecer, por exemplo. Hoje em dia com o surgimento de outros materiais isso não é mais necessário (pelo menos nas sociedades mais industrializadas), então a pressão social e o avanço da civilização cuidam pra que isso aconteça cada vez menos.

15 comments:

Anonymous said...

Sol, toda propriedade rural é obrigada a ter 20% de reserva legal. Se isto é de todo impossível, a pessoa pode fazer a reserva local em outro lugar, ou seja, comprar uma reservar e agregar à sua propriedade.

Anonymous said...

Em 1532, acho, a futura S. Vicente foi devastada por um maremoto. Mas hoje em dia dezenas de pequenos país em atéois vão subir por causa da elevação do mar, sojamente comprovado que pela ação do aumento da temperatura da terra provocado por resíduos na atmosfera, etc, lançados pelo homem. Super claro, cientificamente provado, não fortuito, como S. Vicente, séc. 16.

Anonymous said...

Sol, não deixar os caras acabarem com a floresta não é exatamente restrição a atividade econômica. O problema não é manter as terras intocadas, Sol, é o governo ter (1) vontade política e (2) meios eficazes de controlar o desmatamento. OK, o satélite vê tudo, mas o IBAMA tem 12 agentes para o Estado do Pará. É sério?

Anonymous said...

Sol, tem como criar gado estabulado, mas o cara tem que fazer um desencaixe inicial que, mesmo financiado pelo BNDES, afasta a criatura, que pensa: solta os bichos no pasto, se o pasto acabar a gente arruma um jeito da floresta pegar fogo, e vamos nós.

Anonymous said...

Sol, está provadíssimo, dérrimo, désimo que queimada mata uma porrada de vida na camada imediatamente abaixo da superfície da terra, microorganismos responsáveis pela riqueza da terra.

Anonymous said...

Queimada é uma prática conhecida como coivara, coisa de índio que o caboclo incorporou porque o Brasil tinha terra a dar com o pau. Por isso também a sem cerimônia com que se queimava terra no Brasil, coisa que virou cultura.

Anonymous said...

Sol, não tem jeito de controlar com doze agentes pro estado do Pará inteiro. Quer dizer: é falta de vontade politica. Se fosse importante politicamente, rolava. Mas quem manda no Pará?

Anonymous said...

Claro, o lance é a impunidade. Mas não adianta ter lei que não vai ser cumprida por impossibilidade física. Isso é picaretagem. Aliás...

Anonymous said...

Bomba no paraíso do Pacífico Sul. Apenas para lembrar do que gente é capaz e de que do ponto de vista da
natureza, somos o câncer do planeta.

Anonymous said...

Tem erros de digitação de corar frade de pedra, como dizia Machado de Assis, e se não foi ele foi Eça de Queirós. Seus leitores que me perdoem.

Anonymous said...

By the way, cadê o Transeunte?

Anonymous said...

Cientistas virão ao Brasil para estudar o Palloci enriquecido. Está na internet. Virou piada de rua. E o Temer bate boca com o Palloci. E o Lula mete o bico onde não é chamado.E o chefe da Casa Civil dando bronca no vice presidente. E a polícia justifica o Pimenta Neves estar em cela especial porque cela comum é perigoso. Repaginando Graciliano Ramos, viver no Brasil é muito perigoso.

sol-moras-segabinaze said...

"Bomba no paraíso do Pacífico Sul. Apenas para lembrar do que gente é capaz e de que do ponto de vista da
natureza, somos o câncer do planeta."

Pense por outra perspectiva, por exemplo: suponha que o câncer do planeta, com seus telescópios de última geração, conseguiu antever um possível choque entre um enorme asteróide e o planeta. Como o câncer do planeta não tem nenhum desejo de se extinguir (qual ser vivo teria?), ele - com a sua tecnologia - consegue então destruir - justamente com essa bomba - o asteróide antes que ele chegasse à órbita terrestre e causasse um estrago difícil de mensurar.

Então a bomba que poderia ter sido usada pro mal foi usada pro bem (se você considerar a preservação da espécie um bem, obviamente).

Anonymous said...

Sol, estou falando de algo que efetivamente aconteceu, fato histórico, fotografado, filmado, ponto pacífico sem trocadilho. Foi exemplo dado inserido em contexto onde o ser humano estava sendo demonizado por mim - e pelas óbvias evidências - como o câncer do planeta.
OU seja, fatos elencando que para o planeta o ser humano é um desastre. Matou, desmatou, extinguiu, poluiu de todas as formas possíveis, desde uranio, passando por petróleo, mercúrio, bomba atômica, lixos os mais diversos, camada de ozônio, dizimando espécies, aniquilando etnias, ignorando obviedades naturais como mata ciliar, protagonizando cenas de ignorância explícita como queimadas, na sua prepotência de ser superior e, veja só que ironia, pensante.Agora você me fala na mesma bomba que poderia ser utilizada para destruir corpo celeste eventualmente em rota de colisão com a Terra. Pois é, seu exemplo me serve perfeitamente. Por que o homem poderia fazer isto, mas não faz? Porque isso demandaria dinheiro e na visão tosca dele investimento sem retorno imediato não faz o menor sentido. Então você repara que o homem é o câncer do planeta até quando se trata de defender da extinção o próprio planeta em que vive. Além de câncer do planeta, o homem é mesmo o câncer do homem.

Anonymous said...

A Usina de Belo Monte saiu. Ou vai sair. Ou liberaram para sair. Ou diz que vai sair. Passaram por cima de tudo pra liberar. Tem um monte de dinheiro procurando corrupto. Isso pela parte da obra. Sem contar pela parte do porto que vai operar com a energia da usina. Muita grana.