Wednesday, April 22, 2009

Justiça Social é a cabeça do meu Tao

Do ungido brasileiro para o ungido americano sobre o pitoresco venezuelano: "Você tem que entender, companheiro Obama, que o Chávez é um homem de bem". Um dos maiores méritos do petismo é o de alargar ainda mais os limites do cinismo. Falam as maiores barbaridades com a cara limpa de quem tem a certeza de que a maioria vai comprar esse discurso do menor denominador comum. "Não tem nenhuma freira por aqui". Claro, não se faz um omelete (justiça social) sem que se quebre alguns ovos (corrupção e mentira). O problema é que a ladainha da "justiça social" não é questionada, entronizada que está no imaginário coletivo como o máximo da superioridade moral. Então o debate fica limitado aos privilégios auto-cedidos pelo Congresso, como se esse fosse o grande problema do Brasil. Na verdade, esse foco e a recente proposta do também pitoresco senador Cristovam Buarque de acabar com o Legislativo são perigosos na medida em que - sem o Congresso pra ao menos dividir a pilhagem governamental - se concentraria ainda mais poder no Executivo, tudo o que a máfia petista deseja. Mais eficiente ainda seria questionar a própria existência de Brasília, a maior renda per capita do país. Por que será? Deve ser o resultado da tal "justiça social".

1 comment:

sol-moras-segabinaze said...

Do Alceu Garcia:

"JUSTIÇA SOCIAL" – Justiça deriva do latim justitia, exprimindo conformidade com o Direito, não necessariamente o Direito Positivo, legislado, que pode ser, e frequentemente é, injusto (ex: pensão vitalícia de dez mil reais para ex-governadores), mas os princípios gerais derivados dos valores que formam a Ética de um determinado grupo, que antecedem e informam as leis objetivas e sua interpretação, consubstanciado no mister de dar a cada um aquilo que é seu, como diziam os juristas romanos. E cada indivíduo só é proprietário daquilo que produziu com o seu próprio trabalho ou que adquiriu contratualmente por meio de trocas voluntárias (compra e venda, locação, contrato de trabalho, doação, etc). Social vem de sociale, relativo à sociedade (do lat. societate), ou seja, uma coletividade humana. Ora, se justiça é dar a cada um o que é seu, infere-se necessariamente que a existência de mais de um indivíduo é sua condição sine qua non . Não havia necessidade de justiça para o solitário Crusoe em sua ilha deserta, antes do aparecimento do Man Friday. Tudo lhe pertencia. Assim, toda justiça é por definição social, um imperativo de convívio humano. O adjetivo "social" é, pois, redundante e dispensável. O mesmo obviamente ocorre com outras expressões, tais como "movimento social", "política social", "investimento social", "questão social", "direitos sociais", "democracia social" e muitas outras. Quem se lembra do slogan da propaganda oficial do malsinado Governo Sarney? Era "Tudo pelo Social", o cúmulo do estelionato semântico demagógico. Até o erudito e em geral lúcido J. G. Merquior embarcou nessa canoa furada com o seu "liberalismo social". O economista e filósofo Friedrich Hayek, em seu clássico Law, Legislation and Liberty, deu-se ao trabalho de enumerar dezenas de termos adjetivados com o infalível "social", que nada acrescentava de racional e esclarecedor aos respectivos substantivos.

Se o "social" nada significa de relevante, porque é tão usado? Porque o sentido oculto dessa palavra é "socialismo", ou seja, a intervenção coletiva, política, estatal, na esfera de autonomia individual, mesmo e sobretudo aquela em que as pessoas não estão tomando dos outros o que não lhes pertence. Em outras palavras, "social", nesse contexto, consiste em ações coercitivas por meios das quais aqueles que detém o Poder Político ordenam os comportamentos e dispõem do patrimônio dos indivíduos da forma que bem entendem, dando a cada um o que, segundo critérios inteiramente arbitrários, entendem que cada um merece. Vê-se que o "social" é mais do que tautológico em relação à justiça. É incompatível com ela. "Justiça social" é pura e simplesmente injustiça. E quem aceita esse conceito distorcido e contraditório como premissa para o debate, mesmo que não seja socialista, já admitiu a viabilidade prática e conferiu validade moral ao socialismo.

http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0153.htm