Thursday, April 09, 2009

Arte não é propaganda

Continuando com a vassalagem de artistas e jornalistas ao governo, hoje na capa do Segundo Caderno do O Globo se discutia o novo modelo da Lei Rouanet. Ao invés das próprias empresas escolherem o projeto que iriam descontar no imposto de renda, agora é o próprio ministério quem vai escolher os agraciados. A coisa se dará por conselhos (essa gente adora uma burocracia, é mais cargos pra distribuir) compostos por 50% de gente do ministério e 50% de pessoas da "sociedade civil", ou seja, petistas e esquerdistas dos mais variados graus. A própria matéria era quase um press release das intenções do ministro Juca Ferreira, que dizia "não amar o Estado e não ter nenhuma intenção de estimular o dirigismo cultural". O cinismo dessa gente devia ser objeto de estudos psiquiátricos. Então a matéria ouvia 3 "representantes da classe" (esquerdista vê o mundo como um conflito de classes): Roberto Frejat, Fernanda Torres e Cildo Meirelles. Nenhum dos 3 tinha uma crítica ao projeto, como se esperaria de uma reportagem, não diria isenta, mas que contemplasse ao menos o contraditório. Nada. A Fernanda Torres dizia que "o dinheiro é público e o governo tem mesmo o direito de direcioná-lo", o Cildo Meirelles também aplaudia a coisa mas ficou preocupado porque "o atual governo é bem intencionado, mas e se o projeto cair nas mãos do inimigo?", e o Frejat eu nem lembro bem o que dizia, porque a minha irritação com a matéria e o projeto já estava, nessa altura, nas nuvens. Artista submisso ao poder constituído não é artista, é propagandista.

2 comments:

Ricardo said...

Na verdade, Sol, tem duas cagadas aí:

1) A Lei Rouanet tinha que ser extinta. Empresa quer fazer espetáculo e show, que faça com seu próprio dinheiro.

2) Além de piorar o que já tem, a idéia do governo escolher os vassalos que lhe farão propaganda é de causar asco.

sol-moras-segabinaze said...

Verdade, Ricardo. Essa lei devia ser extinta, já escrevi muito a respeito. Mas sabe como é, a classe "artística" ficaria em pânico sem a tutela estatal. No dia seguinte apareceria a Fernanda Montenegro ou alguma outra sumidade nos jornais fazendo alguma chantagem emocional, falando do importância da cultura subsidiada e o mundo viria abaixo.