Monday, January 17, 2011

Slavoj Zizek e a "superação do capital"

O "Elvis da teoria cultural" vai logo avisando: "Não se esqueça de que comigo as coisas sempre são o contrário do que parecem." O esloveno Slavoj não veio pra explicar, veio pra confundir, praticamente um Chacrinha da filosofia. "Desde o final do século XVIII havia profetas que diziam que o capitalismo estava chegando ao fim. Marx achou que a Comuna francesa era o fim. Lênin achou que era o fim. Mao Tsé Tung achou que era o fim. Mas o problema é que, quanto mais o capitalismo se desintegra, mais ele ressurge como a Fênix." Verdade, a livre iniciativa individual sempre ressurge frente aos planos totalitários coletivistas, é isso mesmo. "Alguns esquerdistas colocam suas esperanças, masoquisticamente, em uma grande catástrofe ecológica." Não me diga... "Esses debates pseudo-liberais sobre até que ponto o Estado deve intervir no mercado... O mercado não pode sobreviver sem intervenção do Estado." O escopo do estado não é um debate "pseudo-liberal", é um debate central. Entre o controle absoluto e a liberdade total há muito o que se discutir. "O paradoxo é que... Vocês se lembram de que anos atrás os EUA processou a Microsoft por monopólio? Esse é um paradoxo maravilhoso. Significa que o Estado tem de intervir para que o mercado sobreviva." O mercado sobrevive apesar dessas intervenções e não por causa delas. "O mercado, espontaneamente, teria, há muito tempo, abolido a si próprio." O mercado não tem capacidade de escolha pra "abolir a si próprio", o mercado é um processo em que as pessoas trocam bens e serviços atrás dos seus próprios objetivos, com cada um sendo dono de si mesmo e daquilo que trocou ou ganhou de forma voluntária. Esse é o sistema diabólico que intelectuais como o Zizek fazem de tudo pra destruir, blaming capitalism for the evils done by government action. People seem to confuse corporatism, and state capitalism, with free market capitalism. It is the same old song and dance that I have heard over and over again. "Sou hegeliano. Meu amor absoluto é Hegel. E todas as outras coisas estão subordinadas a ele. Leio Marx e o que me interessa é como não é possível entender Marx sem Hegel. E por isso fiquei muito feliz ao ouvir de meus amigos que vocês têm no Brasil uma grande escola de marxistas hegelianos que estudam em detalhes que não se pode entender o capital sem referências à lógica de Hegel." Maravilha, então os amigos do Zizek se reúnem (com dinheiro público?) pra realizar truques dialéticos - e saltos carpados psicanalíticos - a fim de provar que A não é A, que A é uma ilusão criada pelos opressores estadunidenses pra se fazer de simulacro de A. A não é A, A é outra coisa e o seu contrário ao mesmo tempo. Com a galera do Zizek é assim, as identidades ficam todas juntas e misturadas. "O filósofo argentino Ernesto Laclau analisou a fundo a lógica do populismo, sustentando que existe uma variante de esquerda e uma variante de direita. A tarefa do pensamento crítico consistiria em evitar a derivação de direita. Não estou de acordo com essa posição. Em primeiro lugar, o populismo é sempre de direita." Como o Zizek quer sempre dizer o contrário do que diz, o populismo então é sempre de esquerda. "Além disso, o povo, como a natureza, é uma invenção." A natureza é uma "invenção" de quem? De Deus? De Zeus? Será que o Zizek vive desafiando por aí as leis físicas da "natureza inventada"? Se a natureza é uma "invenção", o Slavoj é o quê, o contrário dele que ainda não existiu? "Walter Benjamin escreveu que o fascismo emerge de onde uma revolução foi derrotada. Um conceito que, aplicado à realidade contemporânea, explica o fato que o populismo emerge quando a hipótese comunista, que não coincide com o socialismo real, é retirada da discussão pública." Comunistas raciocinam assim: tudo o que não é comunista, é "fascista". Qual comunismo não tem a ver com o "socialismo real"? O Zizek, infelizmente, não vai conseguir explicar como é que concentrar todo o poder no estado causará - PUF! - a sua abolição. Ele não veio pra explicar, veio pra confundir. "A crise econômica, além disso, exigiu uma intervenção do estado para salvar da bancarrota empresas, bancos e sociedades financeiras. Mas isso significou que o tabu sobre a periculosidade da intervenção reguladora do estado foi quebrado." Que mané tabu, o intervencionismo estatal é a norma no mundo há várias décadas, você sabia que o dinheiro é controlado pelos governos, Zizek? "Isso pode reforçar os socialistas, isto é, aqueles que apontam para uma redistribuição de renda e de poder." É, o poder vai mudar da gangue A pra gangue B, ipi ipi hurra. O lance é que as gangues socialistas quando chegam ao poder não sabem como produzir riqueza e a renda a ser redistribuída fica com o tempo cada vez menor. Ou maior, se você usar a dialética do Zizek. "Não é a política que eu amo, mas abre espaço a propostas mais radicais. Em outras palavras, volta forte a ideia comunista de transformar a realidade." Todo esse nhém-nhém-nhém pra voltarmos a isso, a idéia comunista. Ele não leva em consideração, claro, a tragédia comunista do século XX, aquilo foi só o "socialismo real", na próxima vez vai funcionar, pensamento positivo, galera. Ou negativo, sei lá. "Não acredito, como Hardt e Negri, que com o desenvolvimento capitalista a força produtiva, mais cedo ou mais tarde, entre em rota de colisão com as relações sociais de produção. Devemos, de fato, agir politicamente para que isso aconteça. É esse o legado de Lênin que não pode mais ser apagado." O cara quer ver o circo pegar fogo, tinha o Cassino do Chacrinha e agora vai rolar o Circo em Chamas do Zizek ou o Circo do Zizek em Chamas, depende do que for mais conveniente pra dialética hegeliana do momento. O "desenvolvimento capitalista" e as "relações sociais de produção", Zizek, não são contraditórios, eles andam juntos. Capital e trabalho não são rivais, são complementares. "Teremos de achar formas de não meramente abolir o capitalismo mas, de alguma forma, superá-lo." Falar em "superar o capital" sem explicar como fazer isso é uma afirmação de fé tipo "superar a matéria", e a gente "supera" a matéria sim, quando morre. A estrutura da realidade não vai se alterar com wishful thinking e as pessoas vão continuar tendo que cooperar umas com as outras pra passarem pela vida da melhor maneira possível. O modo delas cooperarem é o que se discute: como indivíduos autônomos responsáveis pelas próprias decisões (liberdade) ou como seres incapazes e dependentes de um poder central (controle)?

7 comments:

Anonymous said...

E não é que o Delúbio tá a cara do Zizek? Faz sentido...

Kbção

sol-moras-segabinaze said...

Podicrê, nem tinha notado.

Felipe Flexa said...

Às vezes eu penso seriamente se essa cambada escreve pra adultos...

magno karl said...

Escrevem para adultos de 12 a 16 anos.

Anonymous said...

Difícil mesmo é encarar um casamento na Taquara numa quarta-feira antes de
feriado. O resto, piece of cake.

sol-moras-segabinaze said...

haha

Hugo Venturini said...

Muito bom!