Wednesday, January 19, 2011

O "neoliberalismo" do Emir Sader

"O capitalismo passou por várias fases na sua história. Como reação à crise de 1929, fechou-se o período de hegemonia liberal, sucedido por aquele do predomínio do modelo keynesiano ou regulador." Já havia regulação antes de 1929, um mercado inteiro não entra simultaneamente em crise sem a participação de algo em comum a todos (governo). O New Deal - muito aclamado pelos esquerdistas pela concentração de poder no estado - apenas atrasou a recuperação americana, que só foi sair da crise de 29 no pós-guerra. "A crise deste levou ao renascimento do liberalismo, sob nova roupagem que, por isso, se auto denominou de neoliberalismo." Um sistema econômico não tem como se "autodenominar", quem fala em "neoliberalismo" são socialistas como o Sader. Da wikipedia: "O termo foi cunhado em 1938 no encontro de Colloque Walter Lippmann pelo sociologista e economista Alexander Rüstow", um alemão que advogava o "ordoliberalismo, uma doutrina econômica, adotada principalmente na Alemanha do pós-guerra, uma "terceira via" entre o socialismo e o capitalismo." "Este impôs uma desregulamentação geral na economia, com o argumento de que a economia havia deixado de crescer pelo excesso de normas, que frearia a capacidade do capital de investir." Esse "argumento" é um fato. "Desregulamentar é privatizar, é abrir os mercados nacionais à economia mundial, é promover o Estado mínimo, diminuindo os investimentos em politicas sociais, em favor do mercado, é impor a precariedade nas relações de trabalho." O que seria do discurso socialista sem esses apelos emocionais? Leis não evitam a "precariedade" do trabalho; se evitassem, todos os brasileiros estariam formalizados com a carteira assinada e ganhando, no mínimo, um salário mínimo. Não é isso o que acontece. "A desregulamentação levou a uma gigantesca transferência de capitais do setor produtivo ao especulativo porque, livre de travas, o capital se dirigiu para o setor onde tem mais lucros, com maios liquidez e menos tributação: o setor financeiro. Porque o capital não está feito para produzir, mas para acumular. Se pode acumular mais na especulação, se dirige para esse setor, que foi o que aconteceu em escala mundial." O setor financeiro também é produtivo, porque ao investir num empreendimento, o especulador está ajudando a viabilizar a produção desse empreendimento. O problema é que grande parte do movimento especulativo vai atrás dos papéis da dívida de governos como o brasileiro, que pagam juros altíssimos justamente pra que os especuladores continuem financiando a gastança dos governantes. "O modelo neoliberal se tornou hegemônico em escala mundial, impondo as politicas de livre comércio, de Estados mínimos, de globalização do mercado de trabalho para os investimentos, entre outros aspectos. É uma nova fase do capitalismo, como foram as fases de hegemonia liberal e keynesiana." Antes fosse, a última crise mostrou que o keynesianismo ainda domina a política econômica com seus "estímulos" (aumento de dívida e inflação) e juros artificialmente baixos (gestação da próxima bolha). Essa narrativa saderiana de que o "neoliberalismo" rules everything é bem conveniente pros governos, que podem então colocar a culpa da crise no "mercado desregulado" e assim acumular ainda mais poder. "Não se pode dizer que seja a última, porque um sistema sempre encontra formas – mesmo que aprofundem suas contradições - se outro sistema não surge como alternativa, com a força correspondente para superá-lo." O que "aprofunda a contradição" do sistema é o governo imaginar que pode criar prosperidade através da impressão de papel moeda e do endividamento constante, isso sim é insustentável. "Mas é uma fase difícil de ser superada, porque a desregulação tem muitas dificuldades para ser superada." Ele vai repetir essa ladainha de "desregulação" até alguém acreditar. "Mesmo com a crise atual afetando diretamente os países do centro do capitalismo, provocada pela fata de regulação do sistema financeiro, ainda assim pouco ou quase nada foi feito para o controle do capital financeiro, justamente a origem da crise." O setor financeiro, como todos os outros, também é afetado pela política monetária expansionista dos governos, Sader. "Como já se disse: Obama salvou os bancos, achando que os bancos salvariam a economia dos EUA. Mas os bancos se salvaram às custas da economia norteamericana, que segue em crise." Essa é uma discussão boa, o cartel de bancos comandado pelo Fed, um arranjo incompatível com o livre-mercado. "É difícil para o capitalismo desembaraçar-se do neoliberalismo, etapa que marca o final de um ciclo desse sistema." Repararam que, na análise de socialistas como o Emir Sader, os sistemas parecem ter vontade própria? "A discussão que se coloca é de se o modelo chinês representa vida útil e inteligência mais além do neoliberalismo ou do capitalismo. Se sua via de mercado se vale do mercado para superar o capitalismo ou se o mercado o vincula de obrigatória e estreita ao capitalismo." O sistema chinês vem "funcionando" porque o país partiu pro comércio internacional de uma base muito baixa após décadas de comunismo (que o Sader certamente aplaudia) e porque o governo vem desvalorizando a própria moeda pra exportar mais, subvencionando o consumo de países como os EUA. Talvez essa seja uma estratégia pra enfraquecer o dólar (e o próprio governo americano vem colaborando com isso), mas um sistema centralizador de partido único não pode - ou não deve - servir de modelo pra ninguém. "O certo é que ser de esquerda hoje é de lutar contra o neoliberalismo, não apenas resistindo a ele, mas sobretudo construindo alternativas a este modelo, allternativas que projetem para além do capitalismo." Continuo esperando que você ou o Chomsky ou o Zizek expliquem como vai ser essa alternativa "além do capitalismo", melhor eu esperar deitado. "O neoliberalismo promove um brutal processo de mercantilização das coisas e das relações sociais. Tudo passa a ter preço, tudo pode ser compra e vendido, tudo é reduzido a mercadoria, em um processo que tem no shopping center sua utopia." Você pode ir pro meio do mato, Sader, e viver da mão pra boca, longe desses terríveis shopping centers onde as pessoas trocam bens e serviços através do sistema de preços. Você não precisa negociar com um preá, basta dar-lhe uma traulitada na cabeça pra conseguir a sua próxima refeição, longe daquele antro de consumismo desenfreado sem consciência social que é a praça de alimentação. "Nesse caso, lutar pela superação do neoliberalismo é desmercantilizar, restabelecer e generalizar os direitos como acesso a bens e serviços, ao invés da luta selvagem no mercado, de todos contra todos, para obtê-los às expensas dos outros." Acho que o Sader se confundiu, quem tem o poder de tirar de uns pra dar pra outros é o governo, com os milhares de grupos de interesse correndo atrás de privilégios às custas dos demais. A inversão é a norma: o monopólio da coerção é o mocinho, o mecanismo voluntário é o bandido. "Generalizar a condição do cidadão às expensas da generalização do consumidor. Do sujeito de direitos e não do dono de poder aquisitivo. Quanto mais se desmercantilizar, quanto mais se afirmar os direitos de todos, mais se estará criando esfera pública, às expensas da esfera mercantil (que eles chamam de privada)." De quais "direitos" você está falando? O "direito" de alguém a um bem corresponde ao dever dos outros fornecerem esse bem. Se - ao invés de ficar insistindo numa teoria falsa - o Sader quisesse realmente que os "direitos" fossem generalizados, ele deixaria a "esfera mercantil" funcionar pra que os preços diminuíssem e mais pessoas tivessem acesso então aos bens e serviços que ele chama de "direitos". Mas ele não quer isso, ele quer "superar o capitalismo" tendo Cuba como exemplo. "Essa pode ser a via de passagem do neoliberalismo como estágio do capitalismo à sua superação, a uma era pós-capitalista." Continuo aqui deitado esperando pela explicação de como isso vai acontecer. "Mas hoje o que nos une a todos é a luta por distintas formas de pós neoliberalismo - pela universailização dos direitos, pela extensão da cidadania em todas suas formas – politica, econômica, social, cultural -, pelo triunfo do Estado social contra o Estado mínimo, da esfera pública contra a esfera mercantil." Tears in my eyes. Toda essa repetição de "superação do capitalismo" parece ter - à primeira vista - um charme meio rebelde e vanguardista, mas não se engane, o que o Sader defende é o mesmo socialismo de sempre, aquele em que o governo concentra todo o poder e o indivíduo não passa de uma mera engrenagem pros planos totalitários de uma ditadura "iluminada" com muitas aspas. (http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=650)

14 comments:

Carol said...

Comentários fantásticos!

Abs.

Chesterton said...

Você realmente não tem medo de botar a mão na M.... (rs)

Anonymous said...

Caríssimo Sol, estou torcendo para a preá!

Anonymous said...

Li todas as observações Saderianas e me parecem exorcismos, vudus, passes, um "eh zifi" pra ressuscitar o que nunca viveu - o incrível, fantástico, extraordinário socialismo cubano, o que foi sem nunca ter sido. Ao fundo, um velho long play toca um discurso de 8 horas de Fidel.Numa tienda na rua, anônimo, Lula bebe umazinha, acompanhado pelos filhos de passaporte diplomático. Ao lado, Marco Aurélio Garcia faz top top para os cubanos que passam.

Anonymous said...

Hola, Interesante, no va a continuar con este artнculo?.

Yashá Gallazzi said...

Muito bom, amigo. Como sói.

Anonymous said...

É impressionante como o socialismo é exatamente igual aos socialistas, nenhum deles muda, mas como fazem reuniões!

Anonymous said...

Acabei de vir com amigos do coração da Australia - minha amiga Berenice veio bufando com o calor - e acabamos de ler seu brilhante comentário. Perguntar-se-ia: o que a Austrália tem a ver com o socialismo? Nada. É por isso que a Austrália é ótima!

Anonymous said...

Comentário de amigo meu de Barretos sobre socialistas: "São todos uns bardotos!"Pior é que não são, eles continuam procriando malgré tout...

Anonymous said...

É bem verdade que esse longo post saderiano valeu por muitos, mas tenho para mim que nosso net articulista ainda se recupera de festas setentrionais em Uganda. Ou perto.

Maurício said...

"Mas é uma fase difícil de ser superada, porque a desregulação tem muitas dificuldades para ser superada." Isso me lembra algo como "Cigarro faz mal à saúde porque prejudica o organismo", só que menos refinado. Ou então "O Sol é quente porque apresenta altas temperaturas em sua superfície".

"Não se pode dizer que seja a última, porque um sistema sempre encontra formas – mesmo que aprofundem suas contradições - se outro sistema não surge como alternativa, com a força correspondente para superá-lo." "Formas" de quê, Sader? Complete a oração!

O sujeito devia ter sido reprovado no vestibular por não entender de sintaxe nem raciocínio lógico... não era necessário entrar sequer no mérito da ideologia do sujeito para constatar que ele não é capaz nem digno de escrever qualquer coisa!

desculpas pelo comentário chato, mas anos estudando redação parecem um desperdício depois de ler Emir Sader. Eu mal entendo o que ele quer dizer, e o que entendo é quase sempre bobagem.

mais uma vez peço desculpas,

Maurício

Anonymous said...

que texto mal escrito, quantas repetições. Ele fica repetindo a mesma expressão - "superação do capitalismo" - como se sua reiteração transformasse essa idéia estúpida em argumento ou realidade. Como consideram um sujeito com um vocabulário de colegial um intelectual de qualquer respeito?

Anonymous said...

... QUANTA IMBECILIDADE E IRRACIONALIDADE PODE SER TECIDA A PARTIR DE UMA ANÁLISE CLARA DO CAPITALISMO NEO LIBRAL QUE VEM DESTRUINDO O PLANETA CRIANDO EM SEUS ESTERTORES, VIOLENCIA E CORRUPÇÃO GENERALIZADAS, ALEM DA FACISTIZAÇÃO DE SEUS ESTADOS. oS MOVIMENTOS SOCIAIS TEM A RESPOSTA QUE TUA IMBECILIDADE NÃO CONSEGUE ENXERGAR.

sol-moras-segabinaze said...

hahaha Quanta substância, hein? Sua família deve se orgulhar.