Tuesday, January 11, 2011

Noam Chomsky e o "socialismo libertário"

Quando você conhece um brasileiro meio politizado e meio rebelde, é quase certo que ele seja um admirador de Noam Chomsky. O homem se diz um "anarco-sindicalista", um "socialista libertário", e essas definições contraditórias não podiam dar mesmo num discurso claro e objetivo, porque premissas confusas geram conclusões confusas. Então por que ele é tão popular? Porque ele fala mal do capitalismo e dos EUA, exigir uma teoria lógica e consistente seria pedir muito, parece que o lance é mais descontar os ressentimentos através de um porta-voz de Harvard, um representante com autoridade e PhD lá da terra do "inimigo". "Não há ninguém que apareça e diga: queremos um programa de criação de empregos e não equilibrar o orçamento. Isso é o que o público quer, mas não é o que o mundo dos negócios quer." Caso não haja equilíbrio no orçamento, isto é, caso o governo continue gastando mais do que arrecada (e isso acontece quase sempre), os juros e os custos dos investimentos vão aumentar e tornar as coisas mais caras não é a melhor maneira de criar empregos. Não é assim porque eu e o "mundo dos negócios" achamos que é assim, é assim porque é assim. "O Brasil foi tomado pelos EUA em 1945 e foi uma das áreas de testes de métodos científicos de desenvolvimento do capitalismo americano. Os técnicos americanos tomaram grandes decisões e se orgulharam muito do seu projeto. Eles se orgulhavam inclusive de imporem uma ditadura neonazista. O Brasil era o queridinho latino-americano da comunidade empresarial. Até 1989, continuava a ser tratado como um êxito fantástico para o capitalismo americano." Que trecho fabuloso, o "Brasil foi tomado pelos EUA em 1945", que impuseram então "uma ditadura neonazista". Do que ele tá falando? De Dutra? De Vargas? Ou a ditadura militar é que era "neonazista"? Até 1989, o Chomsky diz, o Brasil era "um êxito fantástico para o capitalismo americano." Realmente, o estatismo nacionalista (neonazismo?) brasileiro - com seus monopólios governamentais, reservas de mercado, congelamento de preços e hiperinflação - pode ser caracterizado como "um êxito fantástico do capitalismo americano", isso não é um raciocínio sério, come on. "O Brasil é um país grande, tem muitas opções. A primeira coisa que o Brasil tem de fazer é controlar os seus ricos." Não tem que "controlar" ninguém, esses caras sempre com esse papo contra quem tem dinheiro, a inveja por acaso perdeu a vergonha e agora virou virtude? Me diga, seu Chomsky, os ricos do governo ou por causa do governo também vão ser controlados ou esse controle vai ser seletivo? "Meu país nunca desenvolveu o contrato social que os países europeus têm. Aqui existia a ideologia capitalista e ela dizia que ninguém tem direitos humanos, você só tem o direito de entrar no mercado de trabalho." É complicado quando um lado vive no mundo imaginário da abundância e fala em "direito" ao trabalho, à moradia, à cultura, ao lazer e à felicidade eterna guiada pelo governo clarividente e você, de outro lado, lembra da escassez e fala em direito apenas à liberdade de perseguir a própria felicidade através de acordos voluntários, mas paciência. "Na década de 20, os trabalhadores americanos não tinham nem uma fração dos direitos dos trabalhadores europeus, mas tinham muito mais bens. É um país muito livre, mas extremamente opressivo." Eis a vaibe de um partido como o PSOL, que juntou socialismo e liberdade sem medo de ser feliz. Os EUA, segundo o Chomsky, são "um país muito livre, mas extremamente opressivo". Tem como explicar isso ou a contradição virou uma forma válida de argumentação? O fato dos trabalhadores europeus terem um monte de "direitos" no papel não garante - como ele mesmo admite - esses direitos; frases (leis) num livro (constituição) não garantem automaticamente uma "vida digna a todos" nem que haja muita vontade política (imposição). "Porque o governo federal é a única força suficientemente forte para enfrentar os interesses das corporações." Não, o governo federal é a única força suficientemente forte pra se aliar de maneira simbiótica com as corporações amigas pra impedir o funcionamento livre do mercado. "Tudo é muito bem planejado: destruir os sindicatos e destruir qualquer ideia de que o governo pode ser um instrumento que as pessoas podem usar em seu próprio benefício." Mas as pessoas realmente usam o governo em seu próprio benefício, Chomsky, veja os políticos, burocratas, funcionários públicos, corporações amigas e todos os grupos de interesse que gravitam em torno do governo, é gente pra caramba, inclusive os seus amados sindicalistas, o resto paga a conta. "O governo Reagan, por exemplo, informou à comunidade de business que não iria seguir as leis e deixou claro para as corporações que elas podiam demitir trabalhadores e não precisavam cumprir as leis." Quando o Chomsky ficar insatisfeito com o serviço da sua diarista, ele vai pedir licença pro Obama pra demiti-la? É o pensamento da caneta mágica: se houver uma lei determinando que ninguém pode ser demitido, o desemprego desaparecerá. Cuba tentou essa fórmula e foi esse sucesso todo que o Fidel hoje em dia reconhece. "Essa é uma sociedade dirigida pelo business e boa parte do business são instituições totalitárias." A Coca-Cola é "totalitária" em que sentido? Como é que o McDonald's oprime o cidadão? É clara a inversão no discurso "socialista libertário". Somente o governo pode ser totalitário, porque é ele quem tem o monopólio do uso da força pra tentar obrigar os outros a obedecerem as regras do mundo da fantasia de intelectuais confusos como o Noam Chomsky. (http://resistir.info/eua/entrevista_chomsky.html)

13 comments:

João said...

Isso me lembrou que a alfândega tentou barrar o meu avô, em 1982, quando chegou de volta ao Brasil, no aeroporto, porque tinha uma calculadora.
A alegação, muy imperialista, era a lei que "protegia a indústria nacional".
No mesmo momento, entrava direto no país, outro passageiro com 52 calculadoras.
Seu nome: João Baptista Figueiredo, então (último) presidente da ditadura militar.

Felipe Flexa said...

O Brasil era um êxito do capitalismo americano em 1989? Com uma inflação mensal de 80%? Faltou avisar pra gente!

Uma vez vigarista intelectual, sempre vigarista intelectual...

Chesterton said...

Nunca consegui entender a burrice proposital como honesta e inênua, isso aí tem método certamente.

Anonymous said...

Esse Noam Chomsky, ou qualquer coisa parecida só precisa sair do séc. XIX, mas se êle fizer contato nessa sua bipolaridade certamente dará um curto circuito e estaremos livres de gentes como estas. Êles, felizmente, são autodestruíveis.

Anonymous said...

Onde é que já se viu anarquista defendendo o governo??? Isso é doido...

Anonymous said...

O Chomsky é o Emir Sader americano. Ou o Sader é o nosso Chomsky - dá no mesmo.
É triste ver que até Harvard esá sendo tomada por vigaristas desse tipo.

Anonymous said...

Infelizmente o Chomsky não se contentou em ser um importante linguista e, meio por acaso, ter contribuido decisivamente na evolução das linguagens de programação, através de contribuições ao estudo de linguagens formais e livres de contexto.

Acho que a figura dele, uma das mais tristes do século XX, ilustra bem uma doença que afligi grande parte das melhores mentes nascidas no século XX. Um gênio que fez grandes contribuições para a ciência, mas que, tudo indica, será lembrado apenas pelas suas imbecilidades políticas. O maior fracasso do Chomsky foi "ter feito sucesso" falando sobre política.
Tivesse ele fracassado nessa empreitada, seria "apenas" um respeitado acadêmico do MIT, em vez de um famoso e "libertário" palhaço.

abs
Lucas

Anonymous said...

O cara esculpe a careta fazendo a gesticulação que fica mais fácil para ele tirar sarro e criticar, a coloca sobre a face de um Chomsky, e inicia a crítica como um verdadeiro herói solitário, isolando-se numa razão snobe que inicia e termina nele mesmo por não fazer sentido para qualquer um em lugar nenhum. Ai ai, esses quixotes brasileiros...

sol-moras-segabinaze said...

Sobre o que foi dito, nada, né?

Anonymous said...

1) Chomsky é do MIT. Pelo amor de Deus, isso é básico. Nem doutor por Harvard ele é (não sei se hoje é Honoris Causa, mas ele é doutor pela Universidade da Pensilvânia).

2) Citar frases fora do contexto é a melhor forma de interpretar um discurso como se quer.

3) Chomsky não disse que o Brasil foi um êxito fantástico. Ele disse que o Brasil era TRATADO como tal pelos americanos (i. e. pela opinião pública americana). Como dizem: a pior cegueira é a ideológica.

4) Não há nada de contraditório na expressão socialismo libertário. Se você acha que Socialismo era aquilo que existia na União Soviética, você precisa ler um pouco mais. Aquilo era Capitalismo de Estado. O básico do socialismo é que os trabalhadores tenham controle dos meios de produção, o que não aconteceu na União Soviética. Daí o termo anarco-sindicalismo: os meios de produção devem estar na mão dos trabalhadores (socialista/sindicalista), e o Estado, como instituição ilegítima, não deve existir (anarco/libertário).

5) Vejam a entrevista dele no Roda Viva e depois vocês tiram suas opiniões.

Concordando ou discordando dele, ele merece ser tratado com respeito. Ele é um cara sério.

Mas, como dizem, Blog é foda. Cada um fala o que quer e como quer. Desista de ser blogueiro. O ideal de sua vida é ser Reinaldo Azevedo? Constantino? Pelo amor de Deus. A direita brasileira merece mais. Muito mais!

sol-moras-segabinaze said...

"Como dizem: a pior cegueira é a ideológica."

É verdade.

Anonymous said...

Deve ser difícil mesmo conceber o anarco-socialismo do Chosmky por essa galera que não curte ler e acha que sabe a verdade sobre tudo, que a imprensa só publica a verdade e tudo funciona como aparenta na frente do seu nariz. Vão ler ignorantes, LER, Russel, Huxley, Sartre e todos os outros que preferiram escrever obras gigantescas pra expressarem suas ideologias ao invés de se apoiar num post qualquer de um blog qualquer para se sentirem melhores com o próprio descaso e ignorância

sol-moras-segabinaze said...

Vai tentar defender os pontos dele ou vai só espernear?