Tuesday, October 16, 2007

Tropa de Elite


"Capitão Nascimento bate no Bonde do Foucault

Reinaldo Azevedo

Nunca antes neste país um produto cultural foi objeto de cerco tão covarde como Tropa de Elite, o filme do diretor José Padilha. Os donos dos morros dos cadernos de cultura dos jornais, investidos do papel de aiatolás das utopias permitidas, resolveram incinerá-lo antes que fosse lançado e emitiram a sua fatwa, a sua sentença: "Ele é reacionário e precisa ser destruído". Num programa de TV, um careca, com barba e óculos inteligentes, índices que denunciam um "inteliquitual", sotaque inequívoco de amigo do povo, advertia: "A mensagem é perigosa". Outro, olhar esgazeado, sintaxe trêmula, sonhava: a solução é "descriminar as drogas". E houve quem não resistisse, cravando a palavra mágica: "É de direita". Nem chegaram a dizer se o filme – que é entretenimento, não tratado de sociologia – é bom ou não. (...)
"

http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

A questão da proibição é anterior a todo esse rescaldo que ela causa.


A proibição é injusta, atenta contra as liberdades individuais e resulta em violência na luta pelos "pontos", guerra de gangues, corrupção e o escambau. Todos conhecemos o resultado.


Nessa questão, o Reinaldo Azevedo mostra que é um conservador, não um liberal.

"
Quem fala em liberação de drogas não tem noção do gasto que isso causa ao sistema público de saúde. Nem todo imposto arrecadado com impostos sustentaria a imensa parcela de drogados que surgiria. Além disso, como o estado brasileiro adora uma taxação, logo logo surgiria gente vendendo drogas contrabandeadas, livre de impostos, e, assim, os narcotraficantes continuariam reinando como estão..."

Sobre o sistema público de saúde, então deveriam ser proibidas também diversas coisas que fazem mal à saúde e sobrecarregam o sistema. Manteiga, bacon, margarina, óleos... E sabe qual o maior motivo das pessoas engordarem e contraírem diversos males? Açúcar e farinha processada em excesso.


Vamos proibi-los também?


Sobre os impostos, está claro que se as drogas fossem legalizadas e os impostos fossem escorchantes (como são, por exemplo, o das bebidas alcoólicas, com um mercado paralelo de falsificação enorme), haveria de fato um mercado negro. Por isso mesmo que os impostos devem ser reduzidos, desestimulando a ilegalidade.


Se as pessoas não assumem nenhuma responsabilidade sobre os próprios atos, abre-se espaço então pra perenização da tutela estatal.


"(...) Dito isso, a mensagem do filme, que trata como hipócritas os consumidores de drogas riquinhos, permanece válida. Afinal de contas, essas drogas estão proibidas, e este fato faz toda a diferença. Afinal, consumi-las realmente abastece os traficantes, dando munição para eles, contribuindo para a morte de inocentes na guerra do tráfico. Os defensores da legalização devem atuar no campo das idéias, buscando mudar este quadro. Mas enquanto isso não ocorre, devem entender que cada baseado aceso é mais bala de fuzil na mão de traficante assassino. Creio que esse é um motivo e tanto para abandonar o consumo até este ser legalizado."

http://rodrigoconstantino.blogspot.com/

Constantino, esse seu parágrafo me deixou encucado. Não me parece a postura correta de um libertário. Se a lei está fundamentalmente errada, a desobediência se transforma numa forma válida de se alterar o
statu quo.

"
Sol, de acordo quando o impacto dessa lei injusta recai somente sobre vc. Ou seja: a lei idiota diz que eu tenho que fazer algo que considero ruim para mim, eu decido não fazer. A lei diz que vai me tomar mais da metade do que eu ganho, eu não entrego. E por aí vai. Mas o ponto é que na questão das drogas, consumindo vc está bancando traficantes. Um radical libertário feito Walter Block aprova essa atitude. Chama o traficante até de "herói" por desafiar a lei injusta. Eu acho complicado isso. Como já disse aqui, me considero algo entre um libertário e um liberal (clássico). Acho a proibição do jogo um absurdo, um autoritarismo de ditadura! Mas sabendo que jogando no bicho estou bancando criminosos que NÃO SE LIMITAM a este crime inofensivo, prefiro não contribuir. Eis o ponto, eu acho. SE tudo que o traficante fizesse fosse vender a droga, ok, que consumam! Mas sabemos que não é apenas isso..."

Rodrigo, acho que toda essa celeuma (justa) causada pela violência - patrocinada pelo monopólio da ilegalidade que essa lei estúpida concedeu ao mercado negro - vai forçar uma reflexão profunda sobre esse e outros paternalismos estatais, incluindo a questão do jogo.


Não vi o filme, mas acho que, nesse sentido, ele prestou sim um bom serviço.

O estado institui uma lei absurda, impossível de ser aplicada, e os policiais ficam então dando murro em ponta de faca.


Ninguém ganha com isso.

"O incômodo que o tráfico causa no Brasil é a violência do traficante.

Como comparação, Europa e EUA , que são grandes mercados consumidores desses produtos (o Brasil é um mero entreposto, a droga só passa por aqui, o consumo é muito baixo), não têm essa situação de guerra que vemos nos morros cariocas e na periferia paulistana.

Ora, se lá é o grande mercado, com um número bem maior de traficantes, deveria também haver violência semelhante à que ocorre aqui. Mas não é o que ocorre, longe disso, aliás.

Por quê?

Resposta: Estado frouxo. Como sempre."

Concordo em parte, Renato.

Sim, o estado brasileiro é frouxo, rescaldo, entre outras coisas, da noção de que o roubo e todas as violências contra o outro são frutos da "desigualdade social".

Então o criminoso se transforma em "vítima", como ficou claro no artigo que o tal de Ferréz escreveu sobre o relógio roubado do Luciano Huck, no que certamente foi apoiado pelos socialistas.

Combate à violência se faz sim com repressão e punição, mas isso não se aplica, sob o prisma liberal, ao consumo de drogas, já que o corpo pertence ao indivíduo, não sendo uma "concessão" estatal.

Esse é o cerne da discussão.

1 comment:

guilherme roesler said...

Sol, concordo plenamente com voce.

Um excelente texto.

E sim, Reinaldo Azevedo não é liberal.

Pena que muitos não sabem a diferença de um e de outro conceito.

As consequencias, como lemos neste texto, não poderiam ser diferentes.