Thursday, October 18, 2007

A tara autoritária


"Socialism and interventionism. Both have in common the goal of subordinating the individual unconditionally to the state." Ludwig von Mises, Omnipotent Government [p. 44].

É inegável que, nos dias de hoje, ditadura, intervencionismo e socialismo são extremamente populares. Nenhum argumento lógico consegue enfraquecer essa popularidade. O fanatismo impede que os ensinamentos da teoria econômica sejam escutados, a teimosia impossibilita qualquer mudança de opinião e a experiência não serve de base a nada.

Para compreender as raízes dessa rigidez, devemos nos lembrar que as pessoas sofrem porque as coisas nem sempre se passam da maneira que elas gostariam. O homem nasce como um ser egoísta, não-sociável, e é só com a vida que aprende que sua vontade não é a única nesse mundo, e que existem outras pessoas que também têm suas vontades. A vida e a experiência irão ensinar-lhe que para realizar os seus planos terá que encontrar o seu lugar na sociedade, e terá que aceitar as vontades e os desejos das outras pessoas como um fato e que terá que se ajustar a esses fatos, se quiser chegar a algum lugar.

A sociedade não é o que indivíduo gostaria que fosse. Qualquer individuo tem sobre seus conterrâneos uma opinião menos favorável do que a que tem sobre si mesmo. Julga-se com o direito a ter um lugar na sociedade melhor do que o que efetivamente tem. A cada dia o presunçoso – e quem está inteiramente livre da presunção? – tem novos desapontamentos. Cada dia lhe ensina que existem outras vontades além da sua.

O neurótico tenta se proteger desses desapontamentos sonhando acordado. Sonha com um mundo no qual sua vontade seja decisiva. Só o que tiver a sua aprovação pode acontecer. Só ele pode dar ordens; os outros obedecem. Na sua fantasia, é um ditador.

Na sua secreta fantasia pensa ser como um ditador como César, Genghis Khan ou Napoleão. Na vida real, quando fala com os seus conterrâneos, tem que ser mais modesto. Contenta-se em apoiar a ditadura de alguma outra pessoa. Mas, na sua imaginação, o ditador está ali para cumprir a sua (do neurótico) vontade. Um homem que, não tendo percebido os seus limites, proclamasse que ele deveria ser o ditador seria considerado insano pelos seus conterrâneos. Os psiquiatras o qualificariam como um megalomaníaco.

Quem apóia a ditadura, o faz por achar que o ditador está fazendo o que, na sua opinião, precisa ser feito. Quem é favorável a ditaduras tem sempre em mente a necessidade de dominar todas as vontades, inclusive a sua própria vontade.

Examinemos, por exemplo, o slogan "economia planejada", que particularmente nos dias de hoje é um pseudônimo de socialismo. Qualquer coisa que as pessoas façam tem que ser primeiramente concebida e nesse sentido planejada. Mas aqueles que, como Marx, rejeitam a "produção anárquica" e pretendem substituí-la por "planejamento" não consideram a vontade e os planos das outras pessoas. Só uma vontade deve prevalecer, só um plano deve ser implementado, qual seja, aquele que tem a aprovação de um neurótico, o plano que ele considera correto, o único plano. Qualquer resistência deve ser subjugada, nada que impeça o pobre neurótico de tentar ordenar o mundo segundo seus planos deve ser permitido – todos os meios que façam prevalecer a suprema sabedoria do sonhados devem ser usados.

Essa é a mentalidade das pessoas que, numa exposição das pinturas de Manet em Paris, exclamavam: a polícia não devia permitir isso! Essa é a mentalidade das pessoas que constantemente clamam: devia haver uma lei contra isso! E, querem eles admitam ou não, essa é a mentalidade de todos os intervencionistas, socialistas e defensores das ditaduras. A única coisa que eles odeiam mais do que o capitalismo é o intervencionismo, socialismo ou ditadura que não corresponda à sua vontade.

Com que entusiasmo os nazistas e comunistas lutam entre si! Com que determinação os partidários de Trotsky combatem os de Stalin ou os seguidores de Strasser os de Hitler.

» Este texto faz parte do livro Intervencionismo, uma analise econômica, do economista austríaco Ludwig von Mises.

http://www.acao-humana.blogspot.com/

"Mas quem aqui está defendendo a subordinação do indivíduo ao Estado ?"

Ora, os milhares de fakes socialistas dos mais variados graus que pululam por aí.

"Agora, todo liberal defende a subordinação do indivíduo ao Mercado. Isto é um fato."

Subordinação? O mercado nada mais é do que a interação dos indivíduos, cada qual com seus próprios interesses, limitações e circunstâncias. É o paraíso? NÃO, mas é uma ordem infinitamente mais justa que a imposta pela coerção estatal.

Mas lembrei, Bad. Você é aquele que chamou Mises de "imbecil"...

O texto diz muito da mentalidade autoritária, que vê algo que considera errado e logo clama pelo estado, "que deve fazer alguma coisa a respeito, alguma lei proibindo tal prática".

O resultado é o que se vê, com o poder político sendo mais importante e decisivo que o desejável, com a conseqüência lógica e previsível de reservas de mercado, subsídios, cotas, lobbies, corrupção endêmica e controles de todos os tipos sobre os indivíduos, que são tratados como meras peças da engenharia social idealizada pelos planejadores "bem intencionados".

1 comment:

guilherme roesler said...

Sol,

Muito obrigado pela divulgação destes textos que publico no Ação humana no Orkut.

Fico muito grato.

Abraços, GR