Tuesday, December 13, 2011

Platão < Aristóteles

"Segundo a alegoria da caverna de Platão, o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o das coisas sensíveis e o das idéias. Para o filósofo, a realidade está no mundo das idéias - um mundo real e verdadeiro - e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo das coisas sensíveis - este mundo -, no grau da apreensão de imagens, as quais são mutáveis, não são perfeitas como as coisas no mundo das idéias e, por isso, não são objetos suficientemente bons para gerar conhecimento perfeito." Não quero sair desqualificando o homem (imagine como era o conhecimento há mais de 2 mil anos), mas esse misticismo na linha "o mundo apreendido pelos sentidos não é 'perfeito', então vamos criar um na nossa imaginação" soa como uma fuga da realidade e esse não devia ser o papel da filosofia. "Quanto ao mundo material, o homem poderia ter somente a doxa (opinião) e téchne (técnica), que permitia a sua sobrevivência, ao passo que, no mundo das ideias, o homem pode ter a épisthéme, o conhecimento verdadeiro, o conhecimento filosófico." Se o conhecimento verdadeiro não servir justamente pra sobrevivência neste mundo material, vai servir pra quê? Pra sobrevivência no mundo que não existe? Agora veja que coisa louca: "Dionísio vendeu Platão no mercado de escravos por vinte minas; alguns filósofos, porém, juntaram o dinheiro, compraram Platão e o mandaram de volta para a Grécia, aconselhando-o que os sábios devem se associar o menos possível aos tiranos." Um bom conselho, evitar se associar com quem pode te escravizar, uma mensagem atemporal. O problema é quando não há escolha e o escravizador consegue convencer o escravizado de que não há controle na relação, apenas um contrato invisível assinado por você antes mesmo de nascer. "Os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder, ou antes, que os chefes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar verdadeiramente." 3 coisas: racismo ("raça dos puros"), misticismo ("divina graça") e autoritarismo ("chegue ao poder"), a não ser que esses governantes ponham-se a filosofar verdadeiramente e cheguem à conclusão de que é errado controlar os outros. "Platão acreditava que existiam três espécies de virtudes baseadas na alma, que corresponderiam aos estamentos da pólis: A primeira virtude era a da sabedoria, deveria ser a cabeça do Estado, ou seja, o governante, pois possui caráter de ouro e utiliza a razão." Sei, se "razão" significar a conquista, manutenção e expansão do poder sobre os outros. "A segunda espécie de virtude é a coragem, deveria ser o peito do Estado, isto é, os soldados ou guardiões da pólis, pois sua alma de prata é imbuída de vontade." Ou seja, o braço armado da "vontade" que garante a conquista, manutenção e expansão do poder sobre os outros. "E, por fim, a terceira virtude, a temperança, que deveria ser o baixo-ventre do Estado, ou os trabalhadores, pois sua alma de bronze orienta-se pelo desejo das coisas sensíveis." A plebe ignara - "de bronze" - que não tem razão nem coragem, mas que trabalha pra bancar a pureza dos governantes iluminados. "Platão acreditava que a alma depois da morte reencarnava em outro corpo, mas a alma que se ocupava com a filosofia e com o Bem, esta era privilegiada com a morte do corpo. A ela era concedida o privilégio de passar o resto dos seus tempos em companhia dos deuses." Reencarnação, deuses, alma, governantes com "caráter de ouro" iluminados pela razão e esse desdém pela realidade apreensível pelos sentidos: tá difícil, hein, Platão?

2 comments:

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Karo ignaro,

se você não leu Platão no original em grego não vou respeitar a opinião, quero dizer, a doxa (ui).

sol-moras-segabinaze said...

Nem chego ao bronze, só no latão da alma.