Wednesday, December 14, 2011

"Os brasileiros gostam de pagar mais caro"

Rolam diversos estudos e pesquisas apontando que o Brasil é um dos países mais caros do mundo, que o Rio é a segunda metrópole mais cara das Américas, que os carros aqui custam o dobro que no México, que os imóveis triplicaram de preço nos últimos 3 anos e por aí vai. As pessoas começam a reclamar com razão e se inicia então a busca pelos responsáveis por essa situação. Por que os carros, por exemplo, estão tão caros? Bom, siga o governo e as regras que regulam o setor e você encontrará a resposta. O que diminui os preços e aumenta a qualidade? A competição interna e externa, coisa que o governo inviabilizou com o aumento de tarifa nos carros importados. Sem competição externa - "pra proteger a indústria nacional" - as montadoras sobem os preços. Como as pessoas ainda assim continuam comprando carros, alguns chegam à conclusão de que "os brasileiros gostam de pagar mais caro" e isso seria verdade se o brasileiro fosse especialmente estúpido ou masoquista, porque ninguém "gosta" de pagar mais caro se puder escolher o mesmo produto por um menor preço. Quem tenta livrar a cara do governo nesse esquema se esquece de que é esse mesmo povo quem elege os governantes, mas beleza. Acontece que, ao mesmo tempo em que o custo Brasil e o protecionismo estatal fazem subir os preços, o governo dá um jeito de baratear o crédito alavancando os seus bancos pra "estimular" o consumo. Então o camarada que quer um carro vê de um lado o preço alto e de outro as condições de financiamento a perder de vista criadas pelo crédito governamental. Ele chia, reclama, mas faz os seus cálculos e vê que, se essas condições permanecerem inalteradas, a compra ainda vale a pena. As montadoras e os sindicatos ficam satisfeitos porque não têm mais a competição externa e têm a sua reserva de mercado garantida. O governo fica satisfeito porque agradou a sua base política e garantiu as doações pra próxima campanha, uma mão lava a outra. Os problemas desse esquema? 1 - os produtos oferecidos aos consumidores se tornam mais caros e de menor qualidade. 2 - o tal "crédito fácil" oferecido pelo governo é feito às custas dos outros, seja na forma de tributação, inflação ou emissão de dívida. 3 - por não ser lastreado em poupança genuína, esse estímulo artificial (boom) vai eventualmente estourar (bust), deixando pra trás um rastro de inadimplência entre os brasileiros que "gostam" de pagar mais caro.

4 comments:

Raphael Moras de Vasconcellos said...

Vou passar a comprar somente carros fabricados na minha rua para estimular a economia local, utilizando vales emitidos pelo dono do buteco da esquina.

sol-moras-segabinaze said...

Fica a dica.

João said...

O Sol consegue deixar claro o que parece complicado, como a relação entre governo e economia.

Mas em algum ponto, brasileiros - até por essa suposta bonança econômica lulopetista - vêm se amarrando, sim, em pagar mais caro. O Janer tem escrito bons textos a respeito disso - além de linkar uma atéria interessante que saiu na Época, no ano passado.

Vejo isso até no trabalho, não vejo nenhum estagiário - que ganha quase nada - almoçar em pé-sujo. Raras pessoas de minha convivência têm hábito de pegar ônibus. Tem gente que pega táxi até para ir da Rio Branco ao Mourisco, por exemplo, trajeto que faz de ônibus em menos de 10 minutos pela Aterro.

Pagar de pobre não está pegando bem na segunda cidade mais cara das Américas...

Duda said...

O governo quer que a gente compre carros, além de fazer o capital girar cada carro garante ao governo um bom IPVA por ano, isso sem contar os outros impostos. Acho que li em algum lugar que a cada carro vendido o governo ganha 5.000 reais, isso só na venda. abs