Sunday, October 17, 2010

A lógica dos 7 pecados

Não tenho religião, não acredito em Deus, em "força superior" que não seja a natureza, em mundo numenal, espiritismo ou em misticismo de qualquer ordem. Não sei como o universo foi acontecer, ninguém sabe, sei que a Terra é um planeta privilegiado por ter tido condições de criar vida e, sobretudo, vida com consciência - o que torna tudo divertido e angustiante ao mesmo tempo. Como não temos todas as respostas, especulamos, pesquisamos e alguns criam seres sobrenaturais pra lidar com o desconhecido, a crença é livre e é bom que continue assim. A força da religião pode se assentar em bases duvidosas (fé), mas alguns dos seus princípios funcionam porque fazem sentido, porque são importantes pra preservação da vida humana. IRA - Se o camarada tá sempre nervoso, é porque tá rolando um desequilíbrio sério, que se revela na forma de, por exemplo, hipertensão e stress, dificultando o bombeamento de sangue pelo coração. Isso também o afasta das outras pessoas, porque ninguém quer ficar perto de quem pode explodir a qualquer momento. Sem falar que a agressividade de um pode potencializar a agressividade do outro, com resultados imprevisíveis. GULA - A forma física não é uma coisa meramente estética (apesar da estética também ser importante), ela interfere na sua qualidade e quantidade de vida. Sei que soa clichê, mas clichês são clichês por um motivo. A comida é uma necessidade, mas depois de um certo ponto ela se acumula como gordura, um mecanismo que fazia sentido em épocas de escassez, o que não é o caso agora com toda oferta de alimentos. INVEJA - Sentimento negativo porque corrói o camarada por dentro, afetando a sua auto-estima. Quer dizer, a sua auto-estima já não devia estar lá essas coisas pra ele sentir inveja de alguém, retroalimentando um ciclo vicioso. A inveja pode gerar atitudes destrutivas, porque o camarada se sente no direito de rebaixar, nem que seja à força, o invejado. ORGULHO - Melhor seria "soberba", porque orgulho próprio, quando justificado, é algo bom e virtuoso. Lembro quando eu tava tranquilo no mar de Lopes Mendes e, de repente, rolou uma correnteza forte me tirando o pé e o controle do que tava acontecendo. Tentava voltar pro raso e não conseguia, o mar era mais forte que eu. A minha soberba podia ter me prejudicado ali, porque me recusei a pedir ajuda. Consegui sobreviver, mas foi por pouco. AVAREZA - "É o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os e deixando Deus em segundo plano." Nada que é "descontrolado" quando se tem a possibilidade de controle pode ser bom. Sobre deixar "Deus em segundo plano", me parece uma forma oblíqua de se justificar o dízimo, mas beleza, um neurótico como o Tio Patinhas não deve mesmo ser exemplo pra ninguém. PREGUIÇA - Se você quer manter a sua vida, você precisa agir. A vida não se mantém apenas com a força do pensamento, mesmo os monges tibetanos plantam e colhem. A preguiça também pode ser mental, o que prejudica a ação, uma vez que os atos são guiados pelos valores e pensamentos determinados pelo processo de reflexão. LUXÚRIA - O sexo é uma coisa séria, muito boa, mas séria. Se você se entregar às delícias sexuais sem nenhum critério, pode contrair uma doença ou um filho indesejado. Isso vai atentar contra a sua própria vida e a vida de quem ainda não viu a luz do dia. Você também pode trair a confiança de alguém, perdendo laços importantes. A religião não é a verdade, mas pode conter muitas verdades, o lance é saber separar o joio do trigo.

15 comments:

Spacey said...

Muito bom, Sol! :)

raphaelmoras said...

A estrutura hermética, junto com as tradições orais e escritas das religiões, credos e mitologias, permitiu que parte da sabedoria acumulada pela experiência (tentativa e erro) fosse transmitida às gerações futuras, enquanto as outras instituições se destruíam e eram de caráter temporário.

As religiões e afins sempre fizeram uso do conhecimento natural acumulado, apesar de muitas vezes omitir, deturpar ou ocultar conhecimento por questões políticas ou de conflito dentro dos seus dogmas inquestionáveis.

É algo aparentemente paradoxal, mas funciona até um certo nível. A civilização parece caminhar para uma crescente preservação do conhecimento adquirido, mas quem sabe? Se rolar alguma calamidade natural ou social as religiões, no seu eterno apelo emocional, podem acabar sendo repositórios mais sólidos de conhecimento em certos setores do conhecimento, em certas regiões do planeta.

Anonymous said...

Sol, os 7 pecados não deveriam estar no post anterior.
Sem querer você fez um levantamento da psiquê petista, pensa nisso; não tem um único pecado que não seja aplicado aos cumpanhero.

sol-moras-segabinaze said...

Alguns em especial, né não?

Anonymous said...

Seu Sol, sou católica, devota de Santa Teresinha e São Pancrácio, e considero um desrespeito esses escritos contra os 7 pecados capitais, que foram escritos por Deus e devem ser venerados e não desrespeitados. Bem se nota que o senhor não acredita em Deus. Marina Barbosa.

Anonymous said...

O pastor Josias da minha igreja fez uma pregação contra pecadores como o senhor, que ficam ridicularizando os escritos divinos e ainda tem a coragem de se declarar não tementes ao Senhor. Meu nome é Antenor Loyosa e sou evangélico com muito orgulho!

Anonymous said...

Caríssimo Solíssimo, tenho para mim que você está com o pecado da Preguiça no corpo, uma vez que este post já rola tem mais de uma semana e até agora não pintou na área nenhum outro. SAI DESSE CORPO QUE NÃO LHE PERTENCE, PREGUIÇA!!! Abs, Mirthes

Anonymous said...

Tenho percebido que este mesmo post sobre os sete pecados está modorrantemente parado há muito tempo; não estaria o nobre bloguista acometido de preguiça, um dos sete pecados? Respeitosamente,
Dr. Evando Áquila.

Anonymous said...

Longe de mim pretender energar pecados em outrem, mas não estaria você, caro Sol, incorrendo no pecado da preguiça, uma vez que este post está no site há muito tempo e nada mais foi feito? Abraços, Abigail.

Anonymous said...

Os pessoal da comunidade está comentando que o blogueiro está com preguiça, o que não deixa de ser uma ironia, uma vez que o último post em que seus seguidores encontram-se atolados está há uns dez dias sem sair do lugar. Seria isto verdade? M. de A.

Anonymous said...

Uma visão muito interessante, nunca havia pensado nisso, quer dizer, havia, mas aplicado a ditos populares e não aos pecados.

Anonymous said...

Eu conheço um pessoal que trabalha com vista para o mar, ganha uma grana, e na hora de trabalho fica todo mundo jogando pingporta, um novo esporte que está tomando conta das áreas cult do Rio de Janeiro. Seria isto um pecado?

sol-moras-segabinaze said...

hehehe

O twitter anda absorvendo os meus desabafos, cara e saudosa Abigail.

Beijo e boa sorte nas competições.

Anonymous said...

Naturalmente há um certo valor na utilização de religiões, ou preceitos doutrinatórios religiosos, especialmente num período da humanidade em que não havia leis, escritas ou não, e tudo era mais ou menos discernível como certo ou errado, dependendo do grupo cultural. Portanto a doutrinação através de conceitos como os sete pecados tem mesmo uma finalidade moralizante e socializante. Minha amiga Berenice apreciou muito vosso post.

Anonymous said...

pegadores do senhor! nossa, beata, essa explicitação foi inédita... choquei!