Wednesday, July 06, 2011

"Dinheiro é religião", segundo um astrólogo

Curioso com o que os astros tinham a dizer a meu respeito, fiz anos atrás uma leitura do meu mapa com uma astróloga. Mesmo não acreditando realmente naquilo, a sessão foi até emocionante, porque reafirmava de alguma maneira a visão idealizada que eu tinha de mim mesmo. Se aquilo me deixava bem na fita, também não pude deixar de pensar que a astróloga pode ter usado os meus preconceitos a respeito de mim mesmo pra que eu saísse satisfeito da consulta. Se eu demorasse mais duas horas pra sair de dentro da minha mãe, a minha personalidade seria diferente? Então por mais que ser leonino com ascendente em áries e lua em escorpião tenha dado uma espécie de validade externa ao que eu gosto de pensar sobre mim mesmo, não consigo acreditar em astrologia assim como não acredito em Deus, numerologia, tarô ou no misticismo esotérico que for. A posição dos astros, a soma das letras do meu nome, o homem invisível, nada disso é capaz de determinar quem eu sou ou o que penso, porque tenho uma certa margem de ação - dentro das minhas limitações e circunstâncias - pra mudar de opinião e atitude caso eu esteja realmente disposto a isso. Eis que esbarro então com esse pequeno texto do Oscar Quiroga, um astrólogo bem conhecido, dizendo que "dinheiro é religião", acompanhe: "O Deus dinheiro está com os dias contados." O dinheiro é um meio de troca e só acaba no dia que a humanidade acabar. Se um plantador de tomates faz uma consulta com o Oscar Quiroga, ao invés de ser pago com uma caixa de tomates, o Quiroga vai ser pago com dinheiro. O dinheiro representa a produção e a venda de tomates pelo fazendeiro, e o que acontece ali é uma relação entre um produtor de leituras astrológicas e um produtor de tomates, com o dinheiro mediando essa troca. "O Ocidente adora atacar os países cujos Estados são regidos por livros sagrados, porém, se observasse com mais atenção seu próprio umbigo, perceberia que por aqui também se faz o mesmo." É bom mesmo as pessoas discutirem as guerras, assim como é imperativo discutirem o modo como os governos manipulam as suas moedas, mas daí a comparar o dinheiro com a religião vai uma distância intergaláctica. "Pelo Deus dinheiro e seus complexos rituais e dogmas tudo se faz, tudo se sacrifica, promovendo miséria, ignorância e preconceito tal qual ocorre nos países em que os livros sagrados servem de base para as leis da civilização." Como é que o "Deus dinheiro" do Quiroga promove a miséria, a ignorância e o preconceito? Mais capaz da falta de dinheiro (produção e troca) promover essas coisas. "O dinheiro, tal qual os dogmas religiosos, não admite questionamento, impõe seu poder sem fornecer explicações nem lógica." Claro que admite questionamento, você é a prova disso. E o dinheiro, por si só, não impõe nada, quem impõe algo, além do governo (esse sim o impositor que as pessoas deviam questionar), é a estrutura da realidade. Se o Quiroga quiser comer - e ele não só quer como precisa - alguém tem que produzir essa comida. A pessoa que produziu essa comida também precisa comer, e o dinheiro serve pra facilitar essa cadeia de produção que coloca a comida na mesa. Culpar o dinheiro pelos males do mundo é um buraco negro no raciocínio maior que o sistema solar. "O dinheiro é uma religião que hoje em dia não tem mínima contenção na forma de leis ou regras, pode tudo, é a maior forma de autoritarismo nunca antes vista na história humana." Não me surpreende que esse texto tenha sido indicado por um socialista. Será que o Quiroga é ateu em relação ao "Deus dinheiro" quando recebe o salário do Estadão? Aliás, salário tem esse nome porque o sal era usado justamente como dinheiro (moeda de troca) na época do império romano. (http://www.estadao.com.br/horoscopo/)

65 comments:

Anonymous said...

Não estava nos astros, mas estava nos ratos. O Ministro dos Transportes caiu. "Uma pena" - lamentaram parlamentares - "ele era quem melhor nos atendia." Agora a gente já sabe para que servem os parlamentares. Está nos astros, Sol, está nos astros:
"esse país sofrerá uma invenção de ratos que durará milênios." Estamos só no começo, Sol.

Anonymous said...

Proponho nova moeda nacional: o Rato.
Salário mínimo: 500 ratos. Carro popular: 18 mil ratos. Bandeirada de táxi: 4 ratos. Passagem de ônibus: 2 ratos e um camundongo. Ou, é claro, restaure-se a moralidade.

Anonymous said...

"Uma invasão de ratos" quero dizer.

sol-moras-segabinaze said...

Restaurar a moralidade com o poder que as pessoas deram aos políticos? Not possible.

Anonymous said...

Com a derrocada do ministro dos transportes mudará alguma coisa no trem bala? Ou ficará naquele estudo inicial de 127 ratos a passagem e 85 minutos a viagem, passando pela serra das Araras e não parando em nenhum lugar, nem em Campinas? Duvide-o-dó!
Sem o ministro degolado, nova turma tomará o poder, e o preço do trem bala vai subir pelo menos um bilhão de ratos e vai parar em toda biboca do interior, o que transformará a viagem num passeio de 4 horas.

Anonymous said...

Minha proposta. O canalha é eleito, vai direito ao caixa da prefeitura, governo do estado e governo federal,assina um papel, pega um cheque no valor de 5 milhões de ratos e vai embora para casa, voltando somente nas próximas eleições. Para seu lugar são indicados técnicos de competência e honestidade reconhecidas. O país lucraria muito.

Anonymous said...

Medidas saneadoras. 1)Todo orgão governamental é obrigado a ter um raticida em cada sala. 2)Se a prefeitura for pobrinha, o raticida pode ser substituído por uma ratoeira.
3) Se for muito pobre mesmo, pode deixar o prefeito assumir.

sol-moras-segabinaze said...

Talvez o problema seja a própria existência de um caixa nas prefeituras, governos de estado e no governo federal.

sol-moras-segabinaze said...

hehehe

Anonymous said...

Pedirei a minha amiga Berenice, que é craque em artes gráficas, a confecção de um mimoso plástico com a figura de uma ratazana e a frase: Mate os ratos.
Não vote.

sol-moras-segabinaze said...

Apoiado.

Anonymous said...

De uma coisa tenho certeza: de amanhã não passa. Já é alguma coisa. Precisando de um funcionário, Sol?

sol-moras-segabinaze said...

Eu é que te pergunto, caro mestre.

Anonymous said...

Ei, Sol, tu não devia estar no feicibuqui?

sol-moras-segabinaze said...

haha

Anonymous said...

Soube de boa fonte - só bebo de boa fonte - que as organizações Sol vão adquirir um Learjet de 12 lugares para levar os amigos aos latifundios que possuem lá do outro lado da baía.
Coisa fina. Tenho para mim. Estamos aí nesse pirão.

sol-moras-segabinaze said...

Uma miniatura de plástico comprada do camelô eu tô podendo bancar, depois te empresto.

Anonymous said...

Outro dia recebi um mail de bravo rapaz vociferando suas verdades contra o lixo norte americano que assola nossas plagas há décadas e defendendo extraordinariamente o socialismo para o fim de todos os nossos males. Daí perguntei à criatura porque eles não fizeram isso quando o PT assumiu, no lugar de fazer um dos governos mais orientados para o capital de que se tem notícia neste pobre país. Então a criatura veio com quatro pedras nas mãos - pedras socialistas vindas do muro de berlim - atacando, veja só, caro Sol, o jogo de palavras que usei já nem lembro onde. Quer dizer, quando acabam os argumentos - eles acabam muito cedo, nos foxhole das hostes inimigas - pega-se a primeira pedra e atira-se na cabeça do adversário. Gostei muito desse método de dialogar. Aprenderam em Cuba, certamente, com aquele pacifista argentino chamado Che - que, você sabia?, morreu com um Rolex de ouro no pulso. Ah, esses socialistas...

Anonymous said...

Boa. Nesse avião eu ando.

Anonymous said...

A bem da verdade: há dúvidas sobre a auricidade do relógio, mas não sobre a marca. By the way, o finado pacifista argentino tão logo a Redentora cubano enxotou o lixo americano para Miami, tomou para sua residência uma modesta mansão de 15 quartos à beira mar plantada em Varadero. Ah, esses socialistas...

Anonymous said...

Roleta russa com revolveres municiados com balas reais para divertimento dos compañeros durante os tediosos dias na selva, apontados para a cabeça de prisioneiros? Diversas vezes. E daí que volta e meia alguém tenha os miolos estourados? É divertido! Ah, esses socialistas! Eles sabem viver.

Anonymous said...

"Quem não gosta de lixo não tem amigo rato." Ditado lá de minha terra.

Anonymous said...

Então a mulher do homem tinha butiques e joalherias lá no norte. Daí descobriram que tinha loja de pneus. Hmmmmmm. Boutique, joalheria, loja de pneus? Mexeram um pouquinho e
descobriram que a recauchutadora de madame tinha contrato para ser exclusiva na missão de consertar os pneus da frota oficial do estado. Pra que discutir com madame?

sol-moras-segabinaze said...

Um rede intrincada, tudo pelo social.

Anonymous said...

Alô ô ô ô ô ô! S o o l o l o l o l!

Anonymous said...

Sol, os ratos tem um problema: tem filhos. E os filhos dos ratos tem um problema: são ratos. As mulheres dos ratos também são ratos, e frequentam amigos ratos. Quando os ratos são pegos em ratoeiras, deixam o local sorrindo e vão alegremente para o ninho dos ratos. Há ninhos de ratos federais, estaduais, municipais. E lá os ratos se protegem mutuamente. São milhões de ratos. Todos muito ratos. Tirando tantos ratos, o Brasil seria um lugar maravilhoso para viver.

Anonymous said...

Minha amiga Berê bebeu antontem. Depois bebeu hoje. Diz que é o frio. Depois dorme em cima do teclado. Fora eu tu falava seriamente com ela: o mercado exige uma nova postura!

Anonymous said...

Antonio Candido acha Lula genial. Eu acho Lula um oportunista. E acho Antonio Candido genial. Como alguém consegue conviver com um dilema desses?

Anonymous said...

Meu primo comprou uma fazenda no Pará. Foi convidado para uma feijoada.
(Imagine uma feijoada no Pará, 55 graus à sombra) Pois bem. Foi. Havia um panelão e a feijoada lá, fumegando. Lá pelas tantas, meu primo ainda não tinha se servido, viu a seguinte cena: o cozinheiro mexendo com a colher no caldo, tirou um gigantesco sapo da feijoada. Vendo aquilo, devolveu o sapo ao feijão, correu, voltou com o patrão; os dois pescaram o sapo. E devolveram pro caldeirão.Governar o Brasil é igualzinho.

Anonymous said...

Caro Sol, de segunda não passa. Precisando de digitador, estamos aí!

sol-moras-segabinaze said...

hahaha

Anonymous said...

também ouço muita gente de esquerda falando que cultua-se um tal de "deus mercado". Como se as pessoas fossem incapazes de compreender que o mercado consiste em nada mais do que elas próprias vendendo/comprando bens e serviços!

quanto ao dilema sobre Lula e Antonio Candido, eu respondo: Villa-Lobos era integralista, Saramago era comunista e, no entanto, ambos eram brilhantes. A orientação política não necessariamente interfere na qualidade da obra, nem somos obrigados a concordar sempre com nossos ídolos.

sol-moras-segabinaze said...

É, "Deus mercado" e "Deus dinheiro" são praticamente sinônimos.

Agora, se é verdade que a orientação política não determina o valor do artista, também é verdade que muita gente passa a gostar de um artista por causa justamente do seu posicionamento político.

Anonymous said...

Ou deixar de gostar, Sol. Eu, por exemplo, gosto cada vez menos de Chico Buarque e seu inexplicável silêncio a respeito de seu ruidoso apoio ao regime cubano. Que como se sabe vale menos que um dinheiro de Cuba - como chama o dinheiro de Cuba?

Anonymous said...

Postava-se alhures sobre o eterno problema: a gente sabe que os pessoal rouba mesmo, que os pessoal é canalha, que os pessoal é corrupto mas, como tirar os pessoal dos cargos que mantém? Esta é a grande questã.

Anonymous said...

o mesmo vale para meios acadêmicos, embora o posicionamento político tenha maior poder de comprometer a consistência do trabalho.

Antonio Candido é, creio, um estudioso sério e não permite que suas preferências políticas se infiltrem na sua obra.

sol-moras-segabinaze said...

Sei não, o Antônio Cândido é um dos fundadores do PT e fala coisas como "o capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu."

http://mariafro.com.br/wordpress/2011/07/12/antonio-candido-%E2%80%9Co-socialismo-e-uma-doutrina-triunfante%E2%80%9D/

sol-moras-segabinaze said...

Mais: "O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social."

sol-moras-segabinaze said...

"a gente sabe que os pessoal rouba mesmo, que os pessoal é canalha, que os pessoal é corrupto mas, como tirar os pessoal dos cargos que mantém?"

Melhor seria tirar os cargos, porque sem cargos e sem o poder que eles proporcionam, não há corrupção.

Anonymous said...

São os cargos que compram a governabilidade, Sol. Pergunta só a quem de direito. Antigamente os pessoal se contentava com uma autarquiazinha pra amante, um cartório rentável pro amigo do peito, um emprego no quinto escalão pro primo idiota da mulher e, no máximo, uma pontezinha modesta porém sincera para o amigo empreiteiro. Aliás, uma das coisas mais curiosas sobre políticos: como eles tem amigos empreiteiros! E como tem advogados! Quando algo dá errado, ou seja, quando algum repórter canalha resolve fazer uma investigação séria sobre um político pouco idem, e quando muito frequentemente isto dá o que no jargão popular é conhecido como caca, imediatamente, do nada mesmo,
surgem dúzias de advogados dos políticos. É como se eles, os políticos, mantivessem advogados em cativeiro para no momento oportuno lança-los sobre as aleivosias assacadas contra eles e, claro, contra o incauto jornalismo - um pulha que tem que saber com quem está falando. E os advogados, por sua vez, já vem com dúzias de habeas corpus prontinhos para evitar cenas de desmoralização pública, como se o político fosse um ladrãozinho qualquer fotografado, cabeça baixa e sandália de dedo no pé, com um belo par de algemas. A vida de um político é muito dura, meu caro Sol.

Anonymous said...

Um político prefere mil vezes ser fotografado com a mão da amante na cueca do que com dinheiro no sapato.
A mão da amante é uma questã de conversar com a esposa compreensiva e gorda - sem ofensa - enquanto o dinheiro no sapato é prova de uma gorda - sem ofensa - manipulação de dinheiro público. Tem político, entretanto, com pensamento mais liberal pouquinha coisa, e metido a filosofar: "dinheiro público é dinheiro de quem? De todo mundo. Então é meu também." Pensamentos assim vicejam muito no norte e nordeste do país. Naturalmente é o clima.

Anonymous said...

Antonio Candido é o grande crítico literário do século 20, o único a tratar a literatura com a honestidade que ela merece; o único a fazer uma crítica sem se importar com igrejinhas, amizades, ou "o que que o pessoal do fulano vai pensar de mim?"
Não é pouca coisa, num país de compadres.

sol-moras-segabinaze said...

Se a própria existência dos cargos está fora de discussão, então a questão da corrupção vai se resumir a saber através da eleição (50%+1) quem vai exercê-la.

Aí é jogar a toalha de vez.

Anonymous said...

Mas, Sol, não é uma toalha qualquer: trata-se de uma toalha de fio egipcio,700 mil fios por centímetro quadrado, feito com a lã de ovelhas tuaregues crescidas à sombra de pirâmides. Naturalmente custa uma pequena fortuna que, também naturalmente, a pátria mãe paga.

Anonymous said...

Leia artigo do integrante da maior quadrilha organizada do país contra o dinheiro público (estou apenas repetindo a frase imortal do ministro relator do STF, Joaquim Barbosa, longe de mim causar qualquer dano moral a quem tanto fez pelo país), J. Dirceu, reproduzido no Noblat no site de O Globo.

Anonymous said...

Sol, cargos sempre existiram. Claro, os pessoal exagera. Ministério da Pesca é ridículo. Cargos sempre foram o tomaládácá para cooptar (adoro este eufemismo) parlamentares vagando na solidão do planalto.Só que a partir do Maranhão, creio eu, o negócio ficou mais sofisticado - como convém aos imortais. O negócio de cargos ficou demodee. O lance agora é Ministério. O Ministério das Comunicações vai pra um baiano, o das Minas e Energia para um cearense, e - opa!- alguém descobriu que isso não era garantia de nada, e que o Ministério deveria pertencer ao parlamentar com ascendência sobre os outros e, sobretudo, ascendência sobre o partido. Que é em ultima instância, quem vota em bloco de olhos fechados e bolsos abertos. Tudo em nome de aprovar qualquer coisa que se queira a um estalar de dedos, ou tilintar de moedas. E a coisa que está valendo como moeda de troca é essa. Te dou um ministério, olho pro outro lado, se estes nojentos da mídia descobrirem que tu meteste a mão na bufunfa do people, não tenho nada a ver com isso, ok?
Qualquer dia os libertadores da pátria vão incluir isto na constituição. Se estiver dando sol, capaz do troço passar e ninguém reclamar. Porque vai estar todo mundo no roquinrio. É um país onde festa no arraiá vale mais do que qualquer ética, qualquer princípio.

Anonymous said...

Evidente que gosto não se discute. O que Mario de Andrade dizia (e o Mario era professor de música e o sujeito de maior cultura do seu tempo) era que o Villa era um ignorantão de ego insuportável e bajulador de poderosos.Isso conta na minha avaliação supraartística. E o Saramago, a bem da verdade, só gostei de um livro dele, livrinho pequeno, o Conto da Ilha Desconhecida.

Anonymous said...

Quem nasceu pra ser país de carnaval vai ser sempre uma alegoria.

sol-moras-segabinaze said...

Eu entendo esse jogo de interesses que troca cargos e verbas por "governabilidade", o meu ponto é tentar encontrar um modo de sair desse ciclo vicioso.

O problema é que isso tem que partir das próprias pessoas, elas têm que entender que outorgar responsabilidades que deveriam ser delas mesmas ao governo só alimenta esse toma-lá-dá-cá, essa corrupção que já virou um dado da realidade como o anoitecer ou as marés.

Se compreendem isso e continuam dando legitimidade ao governo, pedindo pra ele fazer isso, aquilo e aquilo outro, qualquer indignação contra os políticos vai ser vazia e hipócrita.

sol-moras-segabinaze said...

"Quem nasceu pra ser país de carnaval vai ser sempre uma alegoria."

Boa, muito boa.

Anonymous said...

Sol, pra sair do círculo vicioso a gente acaba caindo em outros. O povão votou nos caras. Maciçamente. O povão tem mais 150 pratas no fim do mês. O povão tá pouco se lixando pra ética. O povão quer tomar cerveja todo dia. O povão foi adestrado a achar que uma graninha a mais vale mais que mil lições de moral. E tem o povão ignorantão, na ignorância da conveniência federal; são milhões, Sol. O país - e essa é uma triste mas real constatação - é mais deles do que nosso, da zona sul carioca. Eles são milhões. Nós somos milhares. Talvez dezenas de milhares. Entra nos fb, Sol. é um festival de nada edulcorado. Papozinho de classe média deslumbrada. Este povinho - por oposição a povão - só quer saber se vai dar sol no fim de semana. O resto que se exploda. Botei uns troços no fb do Toninho Lima. Tem mais de 120 posts. Menos de 10 pessoas escreveram. O resto estava pegando sol em Buenos Aires, passeando em Berlim, combinando ir a show em SP. Neguinho que ganha mais de dois dígitos. Se têm dinheiro pra pagar a prestação da SUV, tudo bem. O cartão? Neguinho paga com outro cartão e vai levando.
Não sei se aparecer uma bela grana pra um negócio meio excuso com zero de chance de dar caca, não sei não, Sol, se o povinho não embarca. E é gente jovem, que teria ideais como todo jovem. A discussão sua, Sol, do jeito de sair do círculo vicioso, não sei, juro que não.

Anonymous said...

Sol, uma frente fria está entrando aí. No Brasil só há esperança quando chove.

sol-moras-segabinaze said...

Beleza, mas quando o crédito "fácil" que o governo artificialmente criou pro camarada poder comprar a sua SUV em cem prestações der chabu e ele ficar inadimplente, talvez ele enxergue o valor da moral e da teoria.

Mas concordo, é mais provável que não.

Anonymous said...

Sempre haverá alguém dizendo pro inadimplente: comprou porque quis.

Anonymous said...

Pra descobrir tudo do Ministério dos Transportes, é só seguir os passos.

Anonymous said...

O Brasil é um troço engraçado, né, Sol. A gente fala de uma coisa, pula pra outra, daí o assunto descamba pra uma quarta e quando vê a gente voltou pro lugar da partida. Se as discussões para entender o problema são assim, imagina as soluções.

Anonymous said...

Comprovado. Tem sempre alguém num post dizendo que para o PT vale tudo, desde que ele tenha o poder. É uma conversa recorrente de quantos? Oito anos e pouco? E ainda cola. Uma das minhas alegrias políticas era ver a desfaçatez do expresidente dando desculpa para "povão entender." Quem é capaz de falar aquelas coisas ("falam tanto desse sigilo, mas cadê o sigilo, alguém aí viu o sigilo?") e as metáforas rastaqueras antonioconselheiras ("não quero saber de alegria no céu, quero alegria aqui na terra mesmo!") sem falar nas recorrências gobellianas ("nunca antes na história desse país") na frente de todo mundo, cadeia nacional, internacional, intergalática, quando todo mundo está olhando, vendo, gravando, fotografando, é capaz de qualquer coisa. Por isso, sinceramente, exatamente pela sem cerimônia com a verdade, que acho que estamos vendo com essa estória toda de Ministério dos Transportes e Pallociadas, apenas um risquinho de unha de bebê recém nascido sobre a imensidão do iceberg.

sol-moras-segabinaze said...

Sim.

Anonymous said...

O que não deixa de ser um desapontamento, mas ninguém é país do futebol impunemente.

Anonymous said...

Mais do que qualquer coisa, fico pensando n futuro. Se o PT não fizer uma lambança ultragalática, teremos aí mais 4, 5 mandatos dos companheiros. Não tenho nada contra PT, PSDB, PR, PQP. Desde que não roubem. Desde que não venham com demagogia pra cima da gente.Desde que não nos tratem feito idiotas. Que as vezes somos mesmo. Eu mesmo votei no PT, em algum momento da minha vida. Mas basta você ter um mínimo a mais de inteligência para ver verdadeiramente o que eles são, e eles são mais do que todos os outros. Nunca antes na história, etc, etc, se armou, azeitou, lubrificou tanto a máquina pública com nulidades bem relacionadas. Sujeitos que você ouve o discurso e que obviamente não tem preparo para comandar um botequim, presidindo empresas gigantescas. Nunca se mentiu tanto, tanto tempo e pra tanta gente. Nunca. E justamente num instante da tecnologia disponível em que a repercussão da mentira foi maior ainda. Nunca um governo criou tants revistas factóides, de fachada, com dinheiro público, para manter acesa a chama do companheirismo. Sem contar nos sempiternos Fidel e Chavez. Mas parece que um cara lá de cima já cuidou dos dois.

Anonymous said...

Se a faxina continuar, o último a sair do Ministério dos Transportes pode apagar a luz.

sol-moras-segabinaze said...

Quem dera, mais capaz de criarem mais um ministério pra apuração de irregularidades, o MPAI.

Anonymous said...

Verdade. Tretou, relou (expressão interiorana que significa volta e meia) os caras arrumam um jeito de aumentar uma autarquia, subdividir uma secretaria, desmembrar uma repartiçãozinha amiga mode caber mais gente. Gente amiga, gente que retribui gentileza, gente do tomaládácá imemorial.

Anonymous said...

Sol, você que é uma pessoa tuitenta, bloguenta, facebookenta e demais modernidades internéticas, só você é capaz de me dizer: houve os jogos olimpicos militares?

sol-moras-segabinaze said...

Yes, sir. Muitos hinos sendo executados.