Wednesday, November 24, 2010

Capitalismo: o ideal desconhecido (1)

Uma pessoa fala uma coisa, a outra entende outra e um monte de diferenças de percepção e preconceitos interditam a discussão. Ok, vamos celebrar as diferenças, mas se a nossa diferença envolver o uso da força de um sobre o outro, vai acontecer um impasse que tenta-se resolver através da política, do jogo de poder que determina como se deve e quem deve exercer esse uso da força. A paz não se impõe com uma arma, mas a paz impõe o uso da arma em legítima defesa. Ou seja, você não pode iniciar agressão, essa é a lei. Caso inicie, uma agressão proporcional contra você é justificada. Há um intenso debate sobre as culpas disso ou daquilo, a origem da propriedade de X ou Y, a escravidão, as capitanias hereditárias, a guerra contra as drogas, a legitimidade do estado e etc. Beleza. O que estou dizendo é que há uma lei acima das ações e papéis dos governos de todas as épocas e lugares que pode-se chamar de "natural", que estabelece que você não pode matar, roubar ou enganar o outro. "Natural" porque não se pode fazer com os outros o que não se quer que façam com você. Ou você quer ser morto, roubado ou enganado? As particularidades e circunstâncias podem justificar algum positivismo nas regras, mas a essência da lei deve seguir esse princípio de não agressão, que "é um princípio ético e jurídico, paralelo ao da propriedade de si mesmo, que sustenta que deve ser legal para qualquer indivíduo fazer o que deseje, sempre que não inicie (nem ameace) violência contra a pessoa ou a propriedade de outro indivíduo. Afirma que a coação - definida como o início de força física, a ameaça de tal, ou a fraude às pessoas ou seus bens pacificamente adquiridos - é intrinsecamente ilegítima e deve ser recusada. O princípio não se opõe à defesa contra a agressão, ao invés, a respalda e legitima." Ou seja, a liberdade de um termina quando começa a do outro. Pretendo demonstrar nos próximos posts, usando como gancho os capítulos do livro da Ayn Rand, que o capitalismo - corretamente compreendido - é o único sistema compatível com o princípio de não agressão.

4 comments:

Portal B1 said...

Tem sentido. gata.

sol-moras-segabinaze said...

haha

finihosp said...

Porém existem muitos problemas com esse princípio... O ato físico da violência dificilmente é o catalisador da problemática (praticamente nunca o é). O ato físico geralmente é a reação a uma ação primeira, quer dizer, a violência ocorre por alguma razão. Por isso é usado a estratégia da provocação, para fazer o outro agir fisicamente contra a pessoa, e muitas vezes inverter o valor do fato (tornar o culpado, inocente). Por isso , não concordo com esse princípio, pois pressupor que aquele que agride fisicamente é, por definição, o culpado, é dar margem para a verdadeira impunidade, àquela que não pune o verdadeiro responsável pelo problema, mas apenas àquele que reagiu a uma ofensa.

sol-moras-segabinaze said...

Bom, se você não tem um critério minimamente objetivo pra definir o que constitui uma agressão, então qualquer um pode iniciar uma agressão de fato e alegar o que quer que seja como razão (aliás, me parece que toda a vitimologia da esquerda se baseia nesse pressuposto).