Tuesday, September 13, 2011

A corrupção

"A corrupção pode ser definida como a utilização do poder ou autoridade para conseguir obter vantagens, e fazer uso do dinheiro público para o seu próprio interesse, de um integrante da família ou amigo." Então uma parte da população se mobilizou de preto contra a corrupção, numa manifestação diferente das que o Brasil se acostumou a ver com as tradicionais bandeirinhas vermelhas da CUT, UNE, MST, PT e demais movimentos socialistas anunciando a sua verdadeira intenção. A moralização do uso do dinheiro público? Não, o objetivo sempre foi a conquista, a manutenção e a expansão do poder. Eles chegaram lá, se entregaram ao que antes criticavam e, como não estão acostumados a ser questionados, ficam tentando controlar ainda mais a imprensa, mas o meu ponto aqui é outro. Sem que se faça a ligação causal entre o controle do governo sobre a sociedade e a corrupção, nada feito, um mar de lama vai ser substituído por um outro mar de lama - num lodaçal sem fim - sem que se ataque a raiz do problema. Quando dois entes privados entram num acordo usando as suas respectivas propriedades, não há corrupção, há uma troca voluntária. A corrupção é um fenômeno estatal que envolve não só o desvio do dinheiro público, mas o poder de se usar a lei pra se conceder privilégios em troca de alguma vantagem. Isso acontece porque o governo tem o poder - exercido à força - de tirar de A pra dar pra B, de dizer como as pessoas podem se associar e o que elas podem comprar ou vender, além de ter o monopólio em diversos setores. Com esse poder todo, o governo se transforma num grande balcão de negócios, alguma surpresa? A corrupção começa na própria democracia: "Vote em mim que eu vou conseguir isso pra você." Se o político puder concentrar os benefícios em quem votou nele e espalhar os custos pela sociedade, melhor ainda (pra ele e pra quem recebeu o benefício, o resto paga a conta). Essa corrupção institucionalizada nas próprias eleições se espalha então pelas relações dentro do governo, no toma-lá-dá-cá com o dinheiro dos outros. É comum na política se trocar votos no plenário por cargos na máquina estatal e ver empresários retribuindo favores a governantes, é o modus operandi da coisa pública. Só que chega uma hora em que a malversação de recursos fica evidente demais e as pessoas saem do seu estado natural de conformismo ou cinismo e exigem que se tomem providências: "corrupção como crime hediondo!" Esse tipo de proposta não tem muita chance de ser aprovada pelos políticos (adivinhe o motivo), e se fosse, seria apenas mais uma entre as milhares de outras leis feitas pra não serem cumpridas. Um ou outro bode expiatório poderia até ser sacrificado de vez em quando, mas o esquema permaneceria. Ou você acha que sobraria muita coisa dentro ou fora da administração pública caso toda pequena ilegalidade ou corrupção do cotidiano diário do dia-a-dia fosse realmente punida com a prisão? Se honestidade significasse o cumprimento de todas as regrinhas da legislação brasileira, não sobraria uma pessoa honesta neste país. E é esse mesmo o objetivo, deixar todo mundo devendo alguma coisa pra se exercer o poder através do medo. Faz sentido, considerando que o estado funciona como uma espécie de Deus laico contemporâneo. Quer diminuir a corrupção? Diminua o controle que o governo exerce sobre você.

11 comments:

Anonymous said...

Corrupto é que nem cigarro, não tem nível seguro pra fumar. Corrupção é sinônimo de cadeia, pura e simples, ponto, vamos mudar de assunto.Mas aí entra o vinhozinho de 45 mil real, o jantar de 115 mil real, o jatinho amigo, o jipe misterioso que apareceu na garagem, me lembra poema de Fernando Pessoa: "jamais conheci alguém que tenha levado bola; meus amigos são campeões em tudo." (Dei uma arrumadinha pro poema servir mais aos meus propósitos. Roubei no jogo, mas quem não rouba na botocundia?)

Anonymous said...

Saúde responsavel por dois terços de toda a corrupção.Acho bom. Os pessoal de lenço vermelho tem crescido muito.

sol-moras-segabinaze said...

:-)

João said...

Mudando de assunto, vejam Reinaldo Azevedo se entranhando no imaginário popular:

"Ao perceber o sumiço, o empresário Cláudio Petralha chamou a polícia. Além dos quatro empregados da casa, a mulher de Cláudio, Helena Petralha, vive hoje cercada por acompanhantes."

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/09/joias-avaliadas-em-r-700-mil-sao-furtadas-de-casa-de-socialite-carioca.html

O nome da família é Petraglia...

sol-moras-segabinaze said...

haha

Anonymous said...

Piada pronta.

Anonymous said...

"E é esse mesmo o objetivo, deixar todo mundo devendo alguma coisa pra se exercer o poder através do medo." Isso explica muita coisa boa maranhense, e nenhuma delas é o guaraná Jesus. Por falar em Jesus, quando é que vão começar a prender pastor?

Anonymous said...

Então o ministro diz que o aumento do IPI é em defesa do trabalhador brasileiro. Tá. E por que o aumento não é contra o Mexico, contra a Argentina, contra o Chile, contra o Uruguai, todos exportadores de carro para o Brasil? Porque o medo é que a indústria chinesa, muito mais competente que a indústria automobilistica nacional, coloque um milhão de carros muito melhores tecnologicamente, muito melhores ambientalmente e muito mais baratos do que os nossos. Peraí, mas a parada não é livre mercado? Basta a indústria nacionarr se atualizar, certo? Errado. A indústria nacionarr tem uma âncora que é imposto. Que em alguns casos chega à metade do preço total. Se o governo tira o imposto absurdo, o mercado se regularia sozinho, as industrias investiriam em produtos melhores e mais baratos, não precisariam da mão amiga do governo e ninguém no Brasil perderia seu emprego, que foi a grande razão Manteguistica. Mas peraí de novo: o que isso tem a ver com corrupção, leitmotiv do post solar? Ora, meu amigos...

sol-moras-segabinaze said...

Atesto e boto fé.

O governo, as montadoras e os sindicatos numa bela parceria, o resto paga a conta.

Anonymous said...

Você viu, né, Sol, que eu perdi o emprego mas não o punch!

sol-moras-segabinaze said...

Talento eterno.